Abaixo-assinado contra quem elegeu Renan, Henrique Alves e Feliciano

Sandra Starling

Acordo lembrando antiga música – “Somos todos iguais nesta noite” – na qual Ivan Lins, com a frase acima, parece retratar alguns acontecimentos atuais. Vou começar pelo que talvez possa ter sido visto como homenagem às mulheres.

Certo canal de televisão mostrou programa sobre a onda de colocar mulheres acima dos 50 anos como ícones da moda. Aqui, o exemplo seria Luiza Brunet, vista e revista em todas as publicações de importância no mundo dos sonhos de brasileiros. E com justiça, acrescento eu, pois a senhora realmente merece: conseguiu manter-se em plena forma atravessando o Rubicão de todas nós. Na casa Chanel também passou a pontuar um rosto de mais de 60 anos e, creiam, sem os botoques e retoques de brasileiras das altas rodas ou da presidente argentina.

Várias grifes agora têm como “garotas-propaganda” senhoras da chamada terceira idade, que chamam a atenção não por rostos alisados nem cabelos pintados, mas pela capacidade de ostentar cabelos brancos e vestir-se como gostam e não como supostamente deveriam se vestir. Na moda, joelhos de fora (mesmo com as rugas aparecendo), turbantes exóticos, óculos apelativos.

ATRÁS DO LUCRO

Diriam muitos que “chegou a nossa vez”. Só se for para Papai Noel acreditar: o fenômeno, a meu ver, se deve à incrível capacidade de adaptação do sistema capitalista àquilo que mais lucro lhe possa trazer. Com o aumento da expectativa de vida, com o desemprego em massa de jovens, sobretudo na Europa, mas também nos EUA – para não entrar no rolo que são as estatísticas brasileiras sobre o mundo do trabalho -, quem mais, senão as mulheres velhas, pode comprar? Viúvas endinheiradas, aposentadas que não pertençam ao grupo dos que têm de complementar magras rendas, esposas despreocupadas, todas se tornaram mercado disputadíssimo para o consumo conspícuo.

O trecho da música de Ivan Lins me conduz também para o pito, mais que acertado, que levei de uma amiga a quem sugeri que também assinasse a lista contra Renan Calheiros: disse ela, sabiamente, que deveríamos, isto sim, assinar uma lista para derrubar todos aqueles que nele votaram. Ou os que votaram no Henrique Alves, ou os que elegeram o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias ou o deputado João Magalhães, de Minas, para a presidência da Comissão de Finanças e Tributação – posso agora complementar.

E para tentar nos ajudar a todos a descobrir a causa de tanta desfaçatez, por que não lembrar do melê de partidos, embolados para eleger Dilma? Esse mesmo arranjo do crioulo doido, todos os presidenciáveis, inclusive ela e seu padrinho, vêm fazendo para ter chances reais em 2014!

Porque, ao fim e ao cabo, tudo isso aí começa quando partidos se amontoam para compartilhar as benesses de quem se assenta na cadeira presidencial e pode, numa canetada, nomear ou distribuir prebendas, como as que foram, na semana passada, oferecidas a rodo a prefeitos de capitais e governadores pela senhora presidente do Brasil.

E depois que nenhum de nós se arrependa do voto que deu.

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