ABI vai ao STF contra Bolsonaro por obstrução de Justiça nas gravações do caso Marielle

Associação pede apuração sobre acesso às gravações da guarita

Rafael Moraes Moura
Estadão

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), seu filho, sejam alvos de inquérito para apurar se ambos cometeram o crime de obstrução de Justiça ao obter dados da portaria do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, no âmbito das investigações sobre o caso da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes.

No início deste mês, Bolsonaro disse a jornalistas ter obtido os áudios de ligações feitas entre a portaria e as casas do condomínio antes que elas tivessem sido “adulteradas”.

“PRECAVIDO” – “Nós pegamos antes que fosse adulterado, pegamos lá toda a memória da secretária eletrônica, que é guardada há mais de ano. A voz não é minha”, afirmou na ocasião. Um dia depois, após ser criticado pela oposição, o presidente disse que “não quer adulterar nada” e que é “má-fé ou falta de caráter” acusá-lo de manipular as investigações sobre a morte de Anderson e Marielle.

“Revela-se ainda mais temerário o acesso protagonizado pelo presidente e pelo vereador aos elementos probatórios. A cadeia de custódia, cujo objetivo é justamente assegurar a idoneidade dos objetos e bens analisados pela perícia ou apreendidos pela autoridade policial, a fim de evitar qualquer tipo de dúvida quanto a sua origem e caminho percorrido durante a investigação criminal e o respectivo processo, resta abalada, sendo imprescindível uma ação das autoridades competentes para, além de preservar a idoneidade das investigações, apurar possíveis interferências dolosas”, afirmou a Associação Brasileira de Imprensa.

BUSCA E APREENSÃO – A entidade quer que Moraes determine a busca e apreensão do computador em que estão armazenadas as gravações do condomínio Vivendas da Barra para realização de perícia, incluindo as gravações do circuito interno de câmeras; e do material eletrônico obtido pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo vereador Carlos Bolsonaro.

Reportagem do Jornal Nacional veiculada no dia 29 de outubro mostrou que o porteiro do condomínio onde o presidente tem casa contou à Polícia que horas antes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ex-PM Elcio Queiroz, suspeito de participação no crime, teria dito que iria à casa 58 – que pertence ao presidente.

“SEU JAIR” – De acordo com depoimento porteiro, cujo nome não foi revelado, uma ligação teria sido feita para a casa 58 e que “seu Jair” atendeu o telefone e autorizou a entrada. Ainda segundo o porteiro, Elcio Queiroz seguiu para a casa de Ronnie Lessa, outro suspeito do assassinato. Registros da Câmara dos Deputados mostram que, no dia do assassinato de Marielle, Bolsonaro estava em Brasília.

Um dia depois da exibição da reportagem, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, exibiu arquivos obtidos por ele na portaria em que não havia registros da ligação mencionada pelo porteiro à Polícia.

O Ministério Público do Rio, numa entrevista coletiva, afirmou que uma perícia nas gravações da guarita mostrou que a voz que autorizou a entrada de Élcio pertence a Lessa, que morava na casa 66. Ambos estão presos. Segundo o MP, o porteiro mentiu no depoimento. Ele deve ser ouvido novamente pelos promotores.

11 thoughts on “ABI vai ao STF contra Bolsonaro por obstrução de Justiça nas gravações do caso Marielle

  1. KKKKK, logo a abi, açociação barraqueira de emprença, aquela que tão democrítica quanto cuba, e pra informação deles quando ele dizem que pegaram a memoria não quer dizer que roubaram o HD, somente copiaram os arquivos, os mesmos que estão em posse dos investigadores, passaram foi atestado de burrice.

    • Isso é para se ter uma idéia de como o Bolsonaro é fraco e idiota. Fosse um presidente que soubesse convencer o povo das mudanças necessárias para melhorar as suas condições, que denunciasse a calhordice que o STF fez ao decidir em favor de bandidos e se fizesse respeitar pela sua integridade, aí tudo daria certo. Mas o que vemos é o contrário: um cara fraco, mal educado, deselegante no trato com as pessoas (lembram-se da esposa do Macron?). Daí para pior, infelizmente.

  2. Advogada bolsonarista que defendeu o estupro de filhas de ministros do STF corre o risco de perder OAB.

    Já sabemos que Jair está mais preocupado com a sexualidade alheia antes de ocupar a vaga de vice…e tem.o costume de defender as milícias para defender o cidadão de bem…e costuma receber apoio de donos de bordéis ilegais… de empreendedores que vivem reclamando da ditadura dos empregados…

    Será que os cidadãos de bem eleitores de Jair vão fazer uma corrente orações para apoiar a advogada ferrenha apoiadora do mito?

  3. Tuíte de jornalista no dia do assassinato de Marielle diz que Bolsonaro voltou mais cedo para o Rio
    Tuíte da jornalista Thais Bilenky às 12h28 do dia 14 de março de 2018 diz que, segundo a assessoria do então deputado, Bolsonaro teria antecipado a volta para o Rio após passar mal por intoxicação alimentar, apontando possível contradição

    Bolsonaro e o tuite da jornalista Thais Bilenky

    Um tuíte da jornalista Thais Bilenky no dia 14 de março de 2018, data em que a vereadora Marielle Franco (PSol) e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no Rio de Janeiro, revela que Jair Bolsonaro poderia, sim, estar em sua casa no momento em que um porteiro do condomínio teria interfonado para anunciar a chegada de Elcio Queiroz, um dos acusados do crime.

    O caso, que traz de volta o caso à tona, foi revelado pelo advogado Eduardo Goldenberg, que resgatou o tuíte da jornalista e compartilhou no Twitter.

    Edu Goldenberg
    @edugoldenberg
    Não foi em 14/03/2018 que @mariellefranco foi assassinada?! Alguém já se tocou desse tweet?! https://twitter.com/thais_bilenky/status/973944065300553733

    Thais Bilenky

    @thais_bilenky
    Bolsonaro teve uma intoxicação alimentar, passou mal e, nos últimos dois dias, precisou reduzir bem o ritmo da agenda. Até voltou mais cedo (hoje) pro Rio. Disse a sua assessoria.

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    09:12 – 13 de nov de 2019
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    A jornalista, ex-Folha de S.Paulo e atual revista Piauí, tuitou na ocasião que Bolsonaro teve “intoxicação alimentar” e voltou mais cedo para o Rio, creditando as informações à assessoria do então deputado.

    “Bolsonaro teve uma intoxicação alimentar, passou mal e, nos últimos dois dias, precisou reduzir bem o ritmo da agenda. Até voltou mais cedo (hoje) pro Rio. Disse a sua assessoria”, diz o texto, publicado às 12h28 do dia 14 de março de 2018.

    Após reportagem do Jornal Nacional, que revelou que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, teria ligado para a casa 58, de Bolsonaro, e teria sido autorizado pelo “Seu Jair” a permitir a entrada de Élcio Queiroz, o presidente reagiu aos berros em uma live, dizendo que estava em Brasília, cumprindo, segundo ele, intensa agenda no Congresso.

    O tuíte da jornalista, no entanto, pode apontar uma contradição do então parlamentar.

    Segundo a reportagem da Globo, Élcio Queiroz, ex-policial militar, teria afirmado à portaria do condomínio em que morava o presidente que iria para a casa de Jair Bolsonaro, mas se dirigiu a casa de Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos contra Marielle, que fica no mesmo condomínio.

    Em depoimento, o porteiro que estava na guarita afirmou que uma pessoa identificada como “Seu Jair” autorizou a entrada de Élcio no mesmo dia do assassinato da vereadora.

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    Carlos Bolsonaro também caiu em contradição sobre seu paradeiro no dia do assassinato de Marielle

    Líder da milícia de Rio das Pedras diz que assassinato de Marielle foi encomendado ao Escritório do Crime

    Bolsonaro comprou passagens para o Rio no dia do assassinato de Marielle Franco

    GOVERNO BOLSONARO POLÍTICA
    Tuíte de jornalista no dia do assassinato de Marielle diz que Bolsonaro voltou mais cedo para o Rio

    https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro/tuite-de-jornalista-no-dia-do-assassinato-de-marielle-diz-que-bolsonaro-voltou-mais-cedo-para-o-rio/

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