Acontece que eu sou baiano

Sebastião Nery

Magalhães Pinto saiu pelo interior de Minas, em 1960, fazendo sua campanha para governador do Estado, pela UDN, disputando com Tancredo Neves, do PSD, que derrotou. Com ele, assessor de imprensa, o jornalista Toninho Drummond, depois diretor da TV Globo em Brasília. Magalhães chegou a Santo Antonio do Monte. Começou o discurso:

– Esta é a minha cidade. Aqui… (e continuou).

Terminou, foi embora. Desceu em Lima Duarte:

– Esta é a minha cidade. Aqui…

Parou em Formiga:

– Esta é a minha cidade. Aqui…

Entrou carregado em Juiz de Fora :

– Esta é a minha cidade. Aqui…

Toninho não entendeu:

– Doutor Magalhães, de que cidade afinal o senhor é?

– Depois da campanha eu lhe conto.

E foi para Belo Horizonte. Sua cidade era Santo Antonio do Monte.

***
ALCKMIN

O governador Alckmin, ilustre paulista de Pindamonhangaba, descendente dos árabes Alkmin de Bocaiúva, em Minas (em São Paulo, acrescentaram um charmoso “c” para parecerem quatrocentões do Viaduto do Chá), descobriu agora que não é nem paulista nem mineiro. É mais. É baiano:

– “Eu sou nordestino, sou baiano, disse em Recife. Quando a minha família veio de Portugal, da Espanha (podia ter dito também: “das Arábias”), ela veio para a Bahia, para Carinhanha, lá nas barrancas do rio São Francisco. Nasci em São Paulo, mas minhas raízes são nordestinas. Eu sou baiano” (Folha).

Assim, o conterrâneo Alckmin acaba ganhando meu voto. E o de Caimmy.

 

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