Milagre de Natal. Europeus fogem da crise apostando no Brasil, e este ano o aumento dos investimentos diretos já é de 120%.

Carlos Newton

Embora muitos comentaristas aqui do Blog tenham criticado duramente a entrevista de Gustavo Franco, na qual ele previu que a crise econômica mundial atingirá o Brasil com menos força, tudo indica que desta vez o ex-presidente do Banco Central está com a razão.

Enquanto Estados Unidos e Europa enfrentam uma crise aguda de endividamento, investidores e grupos empresariais norte-americanos e europeus têm ampliado o volume de recursos aplicados no Brasil, na forma de Investimento Estrangeiro Direto (IED), em busca de melhores opções de retorno e proteção contra a turbulência financeira que afeta o bloco econômico.

Os dados do Banco Central mostram que, no período de janeiro a outubro de 2011, houve um crescimento de 120% nos recursos investidos no Brasil pelo grupo de 17 países que utilizam o euro como moeda única. Nos dez primeiros meses do ano, foi computado pelo BC um total de US$ 30,9 bilhões em Investimentos Estrangeiros Diretos realizados pelos países do bloco. No mesmo período, em 2010, esse volume totalizou apenas US$ 14 bilhões.

A forte entrada de recursos externos no País, principalmente da Europa, está ligada diretamente ao bom desempenho da economia brasileira, que, apesar da recente desaceleração, ainda cresce mais que as chamadas economias maduras, como a zona do euro, os Estados Unidos e o Japão.

Parte desse movimento de fortes investimentos no Brasil também está relacionado com as obras de infraestrutura para o País realizar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 no Rio de Janeiro.

Entre os destaques, a lista de países que mais investiram este ano no Brasil tem a Holanda na liderança com investimentos totais de US$ 15,8 bilhões este ano até outubro, uma alta de 324% na comparação com o mesmo período de 2010.

Na segunda posição está a Espanha, com US$ 7,5 bilhões em investimentos no Brasil em dez meses, com um aumento de 761% em relação ao período de janeiro a outubro do ano passado. Esse movimento é explicado em grande parte pelo fato de o país ser um dos mais afetados pela crise e amargar a maior taxa de desemprego da Europa, que atinge 20,7% da população em idade produtiva. Com isso, as empresas daquele país procuram regiões com maior potencial de crescimento e farto mercado consumidor.

Em termos percentuais, as maiores variações de 2010 para 2011, observando o período de janeiro a outubro, foram verificadas nos investimentos diretos feitos pela Finlândia (5.400%), Irlanda (1.944%), Chipre (870%), Espanha (761%) e Bélgica (691%).

Nesse embalo, o Brasil já ganhou cinco posições no ranking global de competitividade. Já é a sétima economia do mundo, tem sinais de desaceleração, mas deve crescer este ano cerca de 3,5 % sobre uma base forte de 7,5%, que foi o PIB em 2010.

O Banco Central não divulga os dados conjuntos por país de origem e a área de destino dos investimentos no Brasil para não comprometer o sigilo de estratégias de negócios de grandes empresas multinacionais com alto volume de recursos aplicados no País. Mas sabe-se que setores como energia elétrica, comércio varejista, produção de alimentos, metalurgia, petróleo e gás, farmacêutico, educação, serviços financeiros e bancários, tecnologia, transportes, infraestrutura aeroportuária e telecomunicações estão no foco dos investidores estrangeiros.

Nada mal. Como diz o velho ditado, “o Brasil cresce à noite, enquanto os políticos e economistas estão dormindo e não atrapalham”. É a mais pura verdade. Se houvesse investimentos do governo em infra-estrutura, reduzindo o chamado Custo Brasil, iríamos crescer muito mais. Mas quem se interessa por isso?

 

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