Acusações a Temer, Padilha e Serra mostram a força da delação da Odebrecht

Serra, Padilha e Temer, atingidos diretamente pelas delações

Carlos Newton

Um fim de semana incendiário. Enquanto a pira olímpica mantinha acesa no Rio de Janeiro a esperança de um futuro melhor, Brasília pegava fogo, com labaredas que parecem incontroláveis e ameaçam destruir a reputação de grande parte da elite política nacional. O fogo começou quando a Veja divulgou que Marcelo Odebrecht, em seu depoimento de quinta-feira, contou que teve um encontro em Brasília com o vice Michel Temer e o deputado Eliseu Padilha, em maio de 2014, no Palácio Jaburu, quando ficou acertada uma doação em dinheiro vivo para o PMDB, ou seja, no caixa dois.

No sábado, o presidente e o chefe da Casa Civil imediatamente tentaram apagar o fogo e repeliram com veemência a denúncia, mas a reportagem de Daniel Pereira deixou claro que a doação ilegal poderá ser comprovada, porque ocorreu entre agosto e setembro de 2014 e está registrada na contabilidade do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, também conhecido como “Departamento da Propina”.

LANÇA-CHAMAS – No domingo, o incêndio se alastrou e atingiu as bases do ministro José Serra, com a Folha de S. Paulo divulgando em manchete a revelação de que houve doações ilegais da Odebrecht para a campanha presidencial dele em 2010, no valor de R$ 23 milhões (corrigido pela inflação do período, o valor atualmente equivale a R$ 34,5 milhões).

No caso de Serra, a acusação partiu de executivos da Odebrecht, que na semana passada deram depoimentos aos procuradores federais da Operação Lava Jato. A denúncia é gravíssima. As testemunhas revelaram que existem provas materiais contra o atual ministro do Exterior, porque uma parte da doação ocorreu em dinheiro vivo, mas foram arquivados recibos de depósitos bancários no Brasil e no exterior, em contas indicadas por Serra.

O clima em Brasília está sufocante, porque as revelações da Odebrecht envolvem outros ministros, governadores, deputados e senadores. Todos agora dependem de Marcelo Odebrecht, que vai detalhar o envolvimento de cada um dos 316 políticos cujos nomes constam das planilhas apreendidas em fevereiro pela Polícia Federal na casa do então presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior, no Rio, durante a fase Acarajé da Lava Jato.

CONTROLE PESSOAL – Já se sabe que Marcelo Odebrecht dispõe dessas informações, porque supervisionava pessoalmente o “Departamento de Propinas”. Em recente depoimento ao juiz Sergio Moro, o executivo Marcos Paula Sabiá disse que o estratégico setor era dirigido por Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho (preso em março na 26ª fase da Lava Jato), que se reportava diretamente ao diretor-presidente Marcelo Odebrecht.

Na relação, surgem nomes de ministros do governo Dilma, senadores e deputados da antiga base aliada do PT e também da antiga oposição, que hoje é situação. Como esses 316 políticos estão filiados a 24 partidos, fica comprovado que a Odebrecht conseguiu comprar ou conquistar apoio e influência em todas as legendas hoje representadas no Congresso Nacional.

Mas existe a possibilidade de que nem todos os 316 políticos estejam envolvidos. Nos próximos depoimentos, Marcelo Odebrecht vai identificar quem é corrupto e ganhou propina, quem só levou dinheiro em caixa 2 de campanha e quem apenas recebeu patrocínio eleitoral, sem favorecimento aos negócios da empreiteira e suas subsidiárias.

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PS Detalhe final: na lista dos 316 políticos, não constam os nomes de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mas eles serão devidamente contemplados na delação de Marcelo Odebrecht, que também vai destruí-los – Lula, pelo conjunto da obra, incluindo palestras que jamais proferiu, além do sítio de Atibaia, BNDES e manutenção do Instituto Lula; e Dilma, pelo BNDES e caixa 2 da campanha de 2014. (C.N.)

17 thoughts on “Acusações a Temer, Padilha e Serra mostram a força da delação da Odebrecht

  1. A delação da odebrecht simplesmente terá o caráter de reforçar a candidatura de lula em 2018, que diga-se de passagem, diante do quadro atual de presidenciáveis, é extremamente viável. A comandita corrupta não joga para perder; só quem perde é o povo

  2. Mas essa delação não iria acabar com o PT ?
    O Soninho Todo Puro se deu mal, pois parece que o Lula encontrou uma alma menos honesta. Como digo só colocaram a plaquinha Sob Nova Direção na Casa de Noca.
    Machado nelles !

  3. Não confio mais na Veja e muito menos na Folha.
    Marcelo protege Lula sempre!
    Enfim… bla bla bla.
    A Odebrecht continua contribuindo muito pouco. O capo continua solto e aprontando.

  4. Matemática simples :
    A está no poder há X anos , B há Y , então R 1 = … R 2 =…
    O povo não é mais idiota de cair nessa falsa polarização, como mostra os 14% do Temer.

  5. Quem é que vai acreditar na balela de que as doações foram desinteressadas? O fato é que o escopo/abrangência da operação Lava Jato, que deveria ficar circunscrito ao PT, à destituição de Dilma e à inelegibilidade do Lula, acabou extrapolando, transbordando para atingir o sistema político partidário inteiro corrupto e apodrecido do PT ao DEM, passando pelo PMDB e pelo PSDB. Será que o PGR depois desta não vai denunciar os próceres políticos das outras legendas que não o PT? Ou será que só os corruptos do PT são denunciados, processados, sentenciados, condenados e cumprem as respectivas penas?

  6. O PIXULECO DA FOME ! kkkkaaass

    Odebrecht é dona da empresa que falha na comida da Olimpíada
    Publicado em 08/08/2016, 08:30 /Atualizado em 08/08/2016, 09:05Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
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    Os problemas enfrentados pelo público para se alimentar nos parques e arenas da Olimpíada têm nome e sobrenome: Emílio Odebrecht Peltier de Queiroz, neto do fundador da construtora Norberto Odebrecht. O empresário, conhecido como Emilinho, é um dos sócios da empresa contratada pelo comitê Rio 2016 para prestar o serviço de alimentação. Desde o primeiro dia dos Jogos, o torcedor que vai assistir às competições tem de enfrentar imensas filas para comer e beber. Tanto no primeiro, quanto no segundo dia, os produtos acabaram no meio da tarde. Neste domingo, food trucks foram acionados às pressas para amenizar os transtornos.
    O Blog não teve acesso ao valor do contrato da prestação de serviço. Mas o Rio 2016 afirma que todos os seus fornecedores são escolhidos por critérios técnicos e por concorrência. A empresa da família Odebrecht _ que também construiu as arenas olímpicas, pagas pela Prefeitura _ chama-se FT Rio Restaurante LTDA e o nome fantasia é Food Team. Foi criada há três anos, no dia 13 de maio de 2013, mesmo dia em que foram abertos os envelopes da controversa licitação do Maracanã. Vencida por quem? Odebrecht.
    As coincidências não param na vida da empresa de Emilinho. O primeiro cliente da Food Team foi justamente o Maracanã. O segundo cliente foi a Arena Fonte Nova, na Bahia, e o terceiro, a Arena Pernambuco, em Recife. Ambas sob administração da Odebrecht e construídas pela empresa da família, com recursos públicos. Ao todo, a Food Team explora os serviços de 111 bares, 238 camarotes e 23 lounges.
    Na fase de preparação da Olimpíada, os responsáveis pela operação elegeram três pontos onde não se podia ter problema: instalações para atletas, serviços nas arenas e equipamentos para a imprensa. Os serviços de alimentação e bebida, cruciais para satisfação do público, não passaram no teste.

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