Acusadores do ministro Orlando Silva confirmam as denúncias e a presidente Dilma Rousseff exige explicações.

Carlos Newton

Agora a coisa pegou fogo. Antes de viajar à África, a presidente Dilma Rousseff telefonou para o ministro do Esporte, Orlando Silva, exigindo que as denúncias do soldado da Polícia Militar do Distrito Federal, que acusou o de participar de desvios de recursos do ministério, chamou-o no domingo de “bandido”, em mensagem postada em seu blog na internet.

O PM João Dias Ferreira diz que tem como provar as acusações: “O que falei pra revista está devidamente gravado e será apresentado às autoridades competentes”. E na mensagem dirigida diretamente ao ministro, Ferreira afirma: “Você está equivocado, eu não sou bandido, bandido é você e sua quadrilha que faz e refaz qualquer processo do ministério de acordo com sua conveniência e você sabe muito bem disso!”

Pior: o soldado da PM, que em 2006 foi candidato derrotado a deputado distrital pelo PCdoB em Brasília, também fez uma ameaça à direção nacional do partido, que sábado soltou uma nota em apoio ao ministro. “Sugestão: era bom o PCdoB nacional ficar calado antes de sair em defesa do Orlando sumariamente”, desafia o correligionário.

Conforme já publicamos, em entrevista publicada pela “Veja”, o soldado Ferreira afirma que Orlando Silva tinha participação direta num esquema de fraude do programa Segundo Tempo, que distribui recursos a ONGs para projetos de incentivo à prática de esportes por jovens.  

O PM Ferreira citou como suposta testemunha das irregularidades um funcionário de sua rede de academias de ginástica, Célio Soares Pereira, que afirmou à “Veja” ter entregue dinheiro ao próprio ministro na garagem do ministério, em Brasília, no final de 2008.

Localizado ontem pela Folha, Célio Soares Pereira também confirmou aos repórteres Rubens Valente e Renato Machado o teor das suas declarações à revista, mas limitou-se a isso, preferiu não conceder nova entrevista.

Ferreira foi preso em 2010 pela Polícia Civil do DF sob suspeita de envolvimento no desvio de recursos do programa Segundo Tempo. Segundo nota divulgada sábado pelo ministro para se defender do conteúdo da reportagem da “Veja”, atualmente o ministério “exige a devolução de R$ 3,16 milhões, atualizados para os valores de hoje”.

Ferreira presidia uma entidade de kung fu que recebeu recursos do ministério nas gestões de Agnelo Queiroz, hoje governador do DF, e Orlando Silva. Na manhã de domingo, o PM também afirmou em seu blog ter sido procurado na última sexta-feira, um dia antes da publicação da reportagem em “Veja”, pelo secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do ministério, Ricardo Leyser Gonçalves.

“E se tu [Orlando] não deves nada, porque mandou seu secretário nacional Ricardo Leiser [Leyser] tentar me localizar na sexta-feira, quando soube da matéria, o que ele queria comigo? Fazer mais um daqueles acordos não cumpridos?”

Leyser rebateu a denúncia de Ferreira e afirmou à Folha, por telefone, que viajou na quarta-feira para Guadalajara, no México, onde ocorrem os Jogos Pan-Americanos. “Em primeiro lugar que eu não estava lá [em Brasília], então não poderia ter ido procurá-lo. E depois que eu nem sei quem ele é, não sei como achá-lo, nunca tive contato com ele”, disse.

Leyser também disse que nunca atuou em nenhum contrato ligado às entidade de Ferreira. “Alguma coisa está errada. Assim como em relação às denúncias, ele não tem nenhuma prova que eu o procurei. Se ele diz a verdade, então poderia mostrar os registros de que recebeu uma ligação internacional”.

Ferreira não explicou, em seu blog, como teria sido a suposta tentativa de localizá-lo, se por telefone ou pessoalmente. Se ele fala a verdade ou não é fácil comprovar, através dos registros da ligações telefônicas dele, do PM Ferreira e de outras pessoas ligadas aos dois.

Por fim, em outra mensagem postada domingo no blog, Ferreira insinuou que novas denúncias poderão vir a público. “Não sei por que tanta gente aflita, desesperada, ‘as coisas’ nem começaram ainda!”, escreveu o soldado.

 Como dizia o compositor e publicitário Miguel Gustavo, o suspense é de matar o Hitchcok…

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