Adélia Prado, entre a santidade e a loucura do amor

Adélia Prazo, eternamente inspirada

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “A Serenata”, pressente a chegada do desespero.

A SERENATA
Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que ele vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
– só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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