Adeus ao grande economista e jornalista Gilberto Paim

Pedro do Coutto
 
A morte, essa implacável inimiga, na semana passada levou meu grande amigo Gilberto Paim, notável jornalista e economista, para a eternidade onde foi se encontrar com uma legião de outros amigos que sempre soube formar e manter ao longo de sua vida. Nas redações, nas consultorias, nas salas de aula em que lecionou transmitindo o brilho de seu talento e sua cultura. Se esperasse mais seis anos, o desfecho inevitável o teria conduzido um século depois de seu nascimento. Seriam mais seis anos que acrescentaria à formulação das ideias, pensamento e lúcidas – como sempre – análise dos fatos. Gilberto Paim foi além de tudo um clarificador. Mudou através da vida em suas colocações políticas e ideológicas. Mas só não muda de pensar quem não consegue desenvolver ideias. E ideias ele as desenvolvia muitas.

Tive o privilégio de conhecê-lo em 1963 na redação do Correio da Manhã como editorialista e colunista. Privilégio maior foi tornar-me seu amigo, uma amizade somente desfeita há uma semana quando sua lembrança para mim substituiu nosso diálogo. Foi uma grande amizade, um diálogo construtivo que sempre acrescentava algo de novo principalmente para mim. Explicando ou indagando, Paim invariavelmente um homem de inteligência criativa, um clarificador importante como eu disse há pouco. Compreendeu plenamente e interpretou objetivamente a passagem do tempo, os fenômenos próprios e inerentes das transformações. Suas palavras, que hoje abrindo lugar a um silêncio, vão fazer muita falta.

E no adeus emocionado que dirijo a ele lembro que muitos pensamentos ficam em seus livros e muitas amizades que cultivou, como a nossa, se eternizam na névoa do tempo.
 
Dilma sobe também no IBOPE
 
Sábado que passou, O Globo e o Estado de São Paulo publicaram nova pesquisa do IBOPE assinalando que, de junho para julho, a aprovação popular a respeito do governo Dilma Rousseff subiu de 31 para 38 pontos. Este é o índice dos que consideram ótima e boa sua administração. A recuperação no período coincide com a encontrada pelo Datafolha. Na mesma faixa. Para o IBOPE, passou de 31 a 38%. Para o Datafolha subiu de 30 a 36 pontos. O IBOPE revela um aspecto interessante. Enquanto sua aprovação cresceu 7 pontos, sua rejeição desceu igualmente 7, recuando de 31 para 24%. Para o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, a parcela de 37% classifica o governo como regular. Uma forma de neutralizar a opinião. Para levantamentos focalizando conceitos, a meu ver, só valem as afirmações de ponta. Dividindo-se a maior pela menor chega-se a um coeficiente, que tanto pode ser positivo como negativo. No caso de Dilma Rousseff, como se constata, é positivo.

O Datafolha, pesquisa publicada há duas semanas pela Folha de São Paulo, divulgou também as intenções de voto para a sucessão de 2014. Rousseff atingiu 35 pontos, seguida de Marina Silva com 26, Aé3cio Neves com 13, Eduardo Campos atingindo 8%. Registrou inclusive uma tendência para o segundo turno. Lula venceria no primeiro se candidato fosse. Mas esta é outra questão. O fato é que a melhora nos percentuais de aprovação administrativa conduz naturalmente a um avanço em matéria de intenções de voto. Exceto Marina Silva, que não se sabe conseguirá ou não formar seu próprio partido, ou então por qual legenda poderá concorrer, os demais adversários encontram-se muito distantes. Vamos esperar as próximas pesquisas.

 

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2 thoughts on “Adeus ao grande economista e jornalista Gilberto Paim

  1. Gilberto Paim, conhecedor de Economia, reconheceu o valor de Roberto Campos na história Econômica do Brasil. No aniversário de 80 anos de Campos, foi Paim que fez o discurso.

  2. Gilberto Paim foi um admirável talento. Tinha a capacidade de simplificar assuntos tidos como de extrema complexidade. Desfrutou do senso da objetividade. Seus livros de História e Filosofia não têm competidores.
    Foi desses mestres que ensinaram muito mais com os livros do que a maioria dos professores em sala de aula.
    Intelectual como ele, enriquecido de formação humanística, não teremos mais. Seus livros, em pouco tempo, tornar-se-ão raridades.
    Sem qualquer força de expressão, por tratar-se da pura realidade: estamos mais pobres!

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