Adriana Ancelmo não é filha de Jacob Barata, empresário dos transportes no Rio

, cuja família é sócia de 26% das viações de ônibus do Rio

Jacob Barata Filho diz que não é cunhado de Cabral

Cristina Grillo e Italo Nogueira
Folha

O sobrenome Barata virou sinônimo de problemas no transporte público do Rio e alvo dos protestos contra o reajuste da tarifa dos ônibus. À frente da empresa da família, sócia de 11 das 42 viações que operam no município, Jacob Barata Filho, 60, aproveitou-se do fato de ser pouco conhecido -são raras entrevistas e fotografias- para se infiltrar nos protestos e ouvir queixas. Sua conclusão: “Há total falta de informação”.

Barata se emocionou ao falar do protesto no casamento da filha, no Copacabana Palace, e se queixou do boato de que é cunhado do governador.

Como o sr. avalia o setor de transporte no Rio?
A relação institucional mudou, estamos nos adaptando. Temos pela primeira vez uma política de investimento de infraestrutura e contrato de concessão [de 2010] que deixa claro direitos e deveres.

Mas sempre se falou que as empresas decidem tudo.
Gostaria muito que tivesse sido assim um dia. Nunca mandamos no governo. A maior prova é o monte de vans que surgiu de 2000 para cá e pegou 30% do mercado.

O que o sr. acha de dizerem que há a “máfia do ônibus”?
Pejorativo. Naturalmente há políticos que ajudamos a eleger, com trabalho nas empresas. Como há bancada ruralista, há a do transporte.

Como é essa relação? A concessionária não pode doar.
É pessoal. Temos certa influência junto aos funcionários. São pessoas em cujo trabalho acreditamos e pedimos para que votem nelas.

Na CPI dos Ônibus, vereadores que não firmaram o pedido foram nomeados para a comissão. Eles são dessa bancada?
Não temos relação com essa turma. A bancada dos transportes atua mais nacionalmente. Só o fato de ter sido instalada a CPI mostra que não temos controle.

Mas a CPI aconteceu num momento que fugiu do controle, que depois se tentou retomar?
Ao contrário. Nós nos preparamos para ir à CPI para mostrar a transparência que dizem não existir. O que queremos é que, quando passar um ano sem ter reajuste, alguém pague a conta.

O governo estadual subsidiará tarifas. Já o prefeito Eduardo Paes (PMDB) diz que “não dará dinheiro para português”…
Nosso prefeito poderia ser um pouco mais carinhoso. O último português no negócio tem quase 80 anos [Jacob Barata, seu pai] e méritos de ter sido pioneiro no setor.

O que achou dos protestos contra aumento da tarifa?
A única coisa espontânea era o pedido de tarifa zero. Mas será que vale a pena o governo gastar dinheiro da educação e saúde para a pessoa não pagar R$ 3?

A tarifa zero subsidiada é o melhor para os empresários?
Lógico. Não tem confusão para aumentar, nem pressão.

O sr. esperava que as manifestações tomassem essa dimensão?
Não. Como não sou conhecido, até desci para acompanhar e falar com as pessoas.

Como se sentiu no meio de gente criticando seu trabalho?
Mal, aborrecido e muitas vezes injustiçado.

O que chamou sua atenção?
A falta de informação. A maior lenda urbana é que a Adriana Ancelmo [primeira-dama do Rio] é filha do meu pai. De repente virei cunhado do governador.

O que mais incomodou no protesto no casamento de sua filha?
A agressão aos convidados. Pode fazer o protesto que quiser, mas xingamento, agressões, quebra de carros é inadmissível. Estragou a festa da noiva e do pai dela.

O sr. anda de ônibus?
Às vezes, como controle de qualidade. Mas já andei muito de ônibus.

11 thoughts on “Adriana Ancelmo não é filha de Jacob Barata, empresário dos transportes no Rio

  1. Viva o empresário bem sucedido!
    Povo sem mérito, sem capacidade de gerir a própria vida fica manchando a imagem das pessoas de bem, que produzem. Lugar de viciados e dependentes da verba pública.
    Essa perseguição à vida das pessoas de bem. Bando de criminosos. Cadê a polícia que não desce a borracha nessa gentalha? Ah, lembrei, a polícia está indo prender o governador (es).

  2. As empresas de ônibus, sempre tiveram interesse e influência nas eleições do RJ.
    Em 1982, na primeira eleição do Brizola para governador, além da campanha do Globo contra o Brizola, no dia das eleições, as empresas de ônibus reduziram drasticamente o número de ônibus, para dificultar a locomoção da população mais pobre, que em sua maioria sabia-se que votaria em Brizola.
    Para se ter ideia: eu morava em Mal.. Hermes e como naquele momento estava sem carro tive que pegar ônibus para ir votar na invernada de Olaria. Saí pela manhã bem cedo, só consegui chegar em casa à noite. Os ônibus demoravam uma eternidade e passavam super lotados.
    Qualquer eleitor, que viveu aquele dia pode testemunhar o que digo.
    Logo no início do seu governo, Brizola criou pela primeira vez linhas de ônibus da CTC, que saia de S. Cristóvão e ia até os diversos bairros da zona sul, através do túnel Santa Bárbara (se não me engano) dando uma economia de tempo muito grande aos trabalhadores de todos os subúrbios que trabalhavam na zona sul.( São Cristóvão era parada obrigatória de todos os trens).
    .

  3. Barata: HÁ POLÍTICOS QUE NÓS AJUDAMOS A ELEGER. (Onde está a Lava Jato?). Pouca gente sabe: O Barata pai pertenceu a PIDE polícia secreta de Portugal. Veio para o Brasil quando o governador Lacerda era governador do Estado da Guanabara. Tendo a maioria da polícia sido transferida para Brasilia Lacerda fez esse pedido ao governo português que atendeu. Alguns dos que vieram receberam benesses. Barata recebeu a exploração de ônibus. Naquele momento o povo andava de lotação e bondes. Eram pouquíssimos os ônibus. Barata que é judeu português dominou tudo. Só ficou assustado com o governador Brizola que encampou diversas empresas. Barata até hoje manda e desmanda em qualquer governo. Outro da PIDE que recebeu de presente o direito de explorar empresa de táxi: Pascoal não sei se ainda está vivo. Teve um filho assassinado há dez anos. Mas ele se ainda não morreu, com a família, continua tendo no mínimo uns 700 táxis em nome de suas empresas e de laranjas. O outro da PIDE um tal Passarito ou coisa parecida. Explorava os ônibus refrigerados: Castelo Leblon. Outros da PIDE passaram a explorar restaurantes. Tinha um restaurante em Copacabana talvez o ‘Desgarrada” 1970/71)onde se reuniam alguns dos matadores da ditadura. Essa história é muito grande. Quem viveu e teve um mínimo de de informação sabe desses acontecimentos.

  4. Agressão?! Jogaram uma peça de cristal, do Copacabana Palace, onde ocorria a recepção, atingiu a cabeça de um manifestante e não foi agressão, verdade? Aliás, a polícia que deveria apurar o fato, resolveu fazer a segirança dos Batatas e convidados.

  5. Cabral recebia ‘prêmios’ por reajustes em tarifas de ônibus, segundo MPF – 03/07/2017

    Apenas Cabral recebeu R$ 122 milhões em propina, segundo o MPF. Um dos benefícios concedidos pelo ex-governador e investigado pelo MPF é a autorização para um reajuste de 7% nos preços das passagens em 2009, quando ele deveria ter sido de 2%.

    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/pf-detalha-operacao-para-prender-cupula-do-transporte-rodoviario-do-rj.ghtml

    TJ-RJ cassa liminar que autorizava aumento da passagem de ônibus

    tvbrasil – 27/07/2017

    https://www.youtube.com/watch?v=QFXfHeyNnv8

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