Aécio sai da casca e intimida tucanos

Carlos Chagas

Mudou o panorama político a partir da iniciativa do senador Aécio Neves de lançar  sua candidatura presidencial em 2014, “mesmo que precise enfrentar o Lula ou Dilma”. O ex-governador de Minas quebrou a casca por dentro do ovo, botou o bico para fora e sinalizou estar  disposto à disputa. Seu gesto obriga outros hipotéticos candidatos a se mover.  José Serra, para começar. Geraldo Alckmin também. Até Fernando Henrique.

Percebeu Aécio Neves estar ocupada a metade do quadro sucessório. Definiram-se,  faz muito, o governo, o PT e forças afins, as lideranças sindicais e   boa parte das cúpulas empresariais. Será Dilma a candidata, se seu governo prosseguir como vai, chegando aos 81%  de popularidade. Ou será o Lula, caso a sucessora malogre diante de algum obstáculo.                                                        

Quanto mais o tempo decorresse sem um gesto inicial  do senador pelo  PSDB, pior seria   para o partido. Menos pela guerra surda entre seus  possíveis  pretendentes ao palácio do Planalto, mais pela distância crescente entre eles e   os companheiros,  que sabem o que  querem. Por que os tucanos, até  agora, querem o que não sabem. 

Caso Serra, Alckmin, Fernando e outros mantenham-se em silêncio, estarão favorecendo Aécio. Não poderão ignorar impunemente sua entrada no palco. E se começarem a admitir   pretensões proprias, reconhecerão ter o neto de Tancredo Neves saído  na frente.

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O MAL DAS PROLIFERAÇÕES

Ganha uma viagem ao Afeganistão, ainda que só de ida, quem traduzir as siglas dos 29 partidos políticos  autorizados pela Justiça Eleitoral  a funcionar.  Como até agora ninguém venceu concurso parecido, de dar o nome dos 39 ministros do governo Dilma, a conclusão é de que brasileiros não viajarão tão cedo  a Kabul. Também, não há  notícia de proliferação tão grande de partidos e de ministros em nossa História.

De obras públicas supérfluas,  cujo preço se multiplicava por conta de comissões, propinas e malfeitos, recomendava o então ministro Mário Simonsen que constassem do orçamento apenas os recursos para as maracutaias, a ser religiosamente pagos. As obras não seria feitas, ficando mais barato para o erário e para o país. Assim estão os partidos: melhor deixar que recebam apenas o dinheiro do Fundo Partidário, desobrigados de disputar eleições.

Quanto ao vertiginoso número de ministros, bem… (deixa para lá).

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PRÉVIA NECESSÁRIA 

Caso algum instituto de pesquisa decidisse consultar os paulistanos para saber se já ouviram falar em Fernando Haddad ou em Henrique Meirelles, os resultados certamente surpreenderiam. Um jogou no Corintians, nos anos setenta, outro está sendo contratado pelo Palmeiras. Depois,  resolvem lançar o Tiririca para prefeito, e acontecerá  o quê, se ele ganhar a eleição? Nada. Toma posse e começa a nomear.

COMPETIÇÃO ÀS AVESSAS

Discute-se qual  a mais nefasta das exigências das Fifa para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil: se a extinção da  meia-entrada para velhinhos e para jovens, nos jogos de futebol,  ou se a obrigação de  ser vendida nos estádios apenas uma marca de cerveja, aliás, abominável se não estiver gelada. Bem que o Congresso poderia engrossar,   agora  que começa a votar a Lei da Copa.

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