Aécio ultrapassa Serra e dá a partida para sucessão 2014

Pedro do Coutto

Com a entrevista à repórter Cristiane Samarco, “O Estado de São Paulo” de domingo, ao afirmar que está pronto a enfrentar  a presidente Dilma ou ao ex-presidente Lula, nas urnas de 2014, com três anos de antecedência o senador Aécio Neves ultrapassou o ex-governador José Serra na corrida pela escolha do candidato das oposições. Foi este claramente seu objetivo, partindo do princípio de que a ofensiva antecipada é melhor que uma defensiva prolongada. A foto é de Ed Ferreira.

Não se pode prever, hoje, o quadro de 2014, mas é necessário levar em conta que, no momento, até agora, não existia oposição no país. Oposição política, porque oposição administrativa é feita pelo Diário Oficial. Os números estatísticos colidem com os índices dos tecnocratas e da tecnocracia. Basta dizer que há coisa de dezoito meses a Fundação Getulio Vargas editou um estudo do economista Marcelo Nery sustentando que os que ganham três salários mínimos passaram a integrar a classe média…

De um lado ausência de oposição, de outro um expresso de luxo lotado pelos que desejam aderir. E, com a adesão, influir. Tentativa vã num quadro institucional estatizado e dominado pelo PT. Não há mais lugar para ninguém no governo. No lado oposto, sim. Aécio Neves partiu para preencher esse espaço, aliás o único disponível para ele. Senador com mandato de oito anos, disputa sem risco de sair da tela, escolheu o único caminho existente para tentar chegar ao poder.

O êxito é difícil, sobretudo porque na entrevista colocou-se ao lado do ex-presidente FHC, arcando com a impopularidade deste. Nas ruas. Mas não na convenção do PSDB. Sem passar pela convenção, não pode cruzar o sinal verde para ir às urnas. Jogou certo. Sem dúvida.E de forma oportuna. Iniciou a maratona em 2011 para terminar nas convenções de 2014.

Disse convenções e explico: não é só a do PSDB, partido ao qual está filiado. Há também as do PPS e DEM. Não é provável o alinhamento do PSD de Kassab na oposição. Se fosse, ele não teria deixado o DEM e formado a nova legenda. Aliás uma sigla antiga, fundada em 1945 e que levou três presidentes à vitória: Eurico Dutra, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Alguns vão estranhar a inclusão de Vargas, que disputou a sucessão de 50 pelo PTB. Mas quem examinar os desfechos estaduais vai encontrar nitidamente a aliança PTB-PSD. Em Minas, enquanto Vargas vencia para presidente, JK elegia-se governador. No antigo Estado do Rio de janeiro, enquanto Getúlio era o mais votado, Ernani do Amaral Peixoto elegia-se governador.  Vários outros exemplos poderiam ser citados. Estes dois são suficientes.

Porém, a legenda PSD 2011 é muito diversa do Partido Social Democrático que emergiu da redemocratização de 45. É uma dissidência dupla do PSDB e do DEM. O PSD de Benedito Valadares e Amaral Peixoto representava o conservadorismo predominante numa sociedade que era rural. Agora o Brasil é 80% urbano. O PSD é uma ponte construída para levar os desiludidos oposicionistas no rumo do Palácio do Planalto.

O panorama visto da ponte, de 2011 a 2014, não inclui muitas alternativas. Marina Silva, pelo que se sabe, até o momento não decidiu seu futuro político. O quadro assim polariza-se exatamente como Aécio Neves colocou. Não parece haver dúvida. Hoje. Amanhã, não se sabe. Mas o senador mineiro jogou o lance certo. Fez o que deveria. Se não colar, não colou.

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