Afinal, o “mensalinho” do PP existiu ou não?

Carlos Newton

A briga pelo poder no PP está muito interessante e reveladora. O grupo ligado ao ex-ministro Márcio Fortes conseguiu destituir da liderança do partido o deputado paranaense Nelson Meurer, aliado do ministro das Cidades, Mário Negromonte. Como líder, assumiu o deputado Aguinaldo Ribeiro, da Paraíba.

Para não perder o poder, Negromonte teria contra-atacado montando um bunker em uma sala anexa a seu gabinete, onde quatro aliados – os deputados João Pizzolatti, Nelson Meurer, José Otávio Germano e Luiz Fernando Faria – vinham tentando persuadir os deputados do PP a se alinharem novamente ao grupo do ministro, propondo até um “mensalinho” de R$ 30 mil.

De acordo com a revista Veja, três deputados que estiveram no ministério revelaram, sob a condição de anonimato, que ouviram a proposta de uma mesada de R$ 30 mil para apoiar Negromonte. “Muitos ficaram assustados com a pressão que sofreram no ministério. Quando os argumentos se esgotavam, vinha a proposta do dinheiro”, teria dito um parlamentar do PP à revista, mas a acusação permaneceu anônima.

O ministro Negromonte considerou a denúncia “um absurdo”. Ele negou a oferta de dinheiro e até as reuniões com os deputados do partido. Negromonte atribuiu as acusações a um jogo de intrigas e apontou Márcio Fortes, que foi recentemente nomeado para a Autoridade Pública Olímpica, como responsável pelas notícias, para tentar ser novamente ministro.

Marcio Fortes, que nunca foi eleito nada e entrou na política partidária como assessor do então ministro Pratini de Moraes, da Indústria e Comércio, é realmente o preferido do Planalto para voltar ao Ministério das Cidades. E assim o episódio foi se transformando numa espécie de novela de fofocas e baixarias.

Mas a tempestade parece que passou, porque o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), que é uma espécie de “dono do partido”, se posicionou a favor de Negromonte, dizendo que “o PP participa do Ministério das Cidades com um grande ministro, competente, sério, com grande ligação e afinidade com presidente Dilma, e nós queremos  cada vez mais fortalecer o ministro”.

Mas é claro que ficou a dúvida. O “mensalinho” do PP existe ou não?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *