Afonso Arinos era senador, foi nomeado embaixador por Jango e não perdeu mandato

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Afonso Arinos pediu licença ao Senado e assumiu embaixada na ONU

Pedro do Coutto

O fato é singular na história da diplomacia brasileira e, ainda por cima, ampliou mais ainda o enfraquecimento de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores. Talvez até, em todo mundo, seja um caso isolado, com exceções em monarquias arcaicas.

O presidente da República foi bem assessorado por especialistas de fora do Itamarati. Primeiro levou o deputado Eduardo Bolsonaro para o encontro com Donald Trump. O chanceler não apareceu na fotografia. Segundo degrau. Bolsonaro aguardou seu filho completar 35 anos, idade mínima exigida em lei para alguém ser embaixador.  No terceiro lance de dados consultou especialistas para saber se o posto exige a renúncia do mandato parlamentar, ou se licenciamento seria suficiente. Ainda não houve resposta sobre este aspecto.

CASO DE ARINOS – Mas existe um precedente. O do senador Afonso Arinos em 1961. Arinos foi nomeado ministro das Relações Exteriores por Jânio Quadros. Quando Jânio renunciou e assumiu o vice João Goulart, este o nomeou embaixador junto a ONU.  Afonso Arinos licenciou-se e tomou posse seu suplente Venâncio Igrejas. A UDN tinha 3 cargos no governo Goulart: Ministério dos Transportes, Minas e Energia e a Embaixada na ONU. Virgílio Távora era Ministro dos Transportes e Gabriel Passos era Ministro de Minas e Energia.

O fato gerou dúvidas e elas permanecem até hoje. Entretanto, Eduardo Bolsonaro anunciou ontem que, se for esta a questão, ele renunciará ao mandato de deputado.

TRABALHO AOS DOMINGOS – Mas vamos a outro assunto. Uma nova comissão especial, além da que funcionou para a reforma da Previdência, entrou em discussão. Trata-se da medida provisória da liberdade econômica cujo relator é o deputado Jerônimo Gaergen, que aceitou a proposta original do Planalto de permitir que as empresas convoquem seus empregados para trabalhar aos domingos, na base de um domingo de folga por 3 de trabalho. Como se constata mais um passo extremamente conservador em discussão no Legislativo. A reportagem é de Marcelo Correa em O Globo.

DESONERAÇÃO – Paralelamente a esta iniciativa, projeta-se mais um sobrecarga para os assalariados. Na mesma edição o governo está propondo a desoneração das empresas para com o INSS. Esta matéria, que constava da reforma da Previdência, foi derrotada na Câmara. O projeto de liberdade econômica tem como autor Marcos Cintra, secretário da Receita Federal. Se tal ideia for transformada em lei será o fim do INSS e também da seguridade social brasileira.

Atualmente são 13 milhões de desempregados. Qual a providência concreta do governo para enfrentar tal problema? Até agora, nenhuma.

5 thoughts on “Afonso Arinos era senador, foi nomeado embaixador por Jango e não perdeu mandato

  1. Eduardo Bolsonaro para embaixador, não terá ganho político com isso, pois foi o mais votado de toda a história do congresso. Se deixar de ser deputado poderá desagradar grande parte daqueles que nele votou.

    Ademais, ser embaixador não lhe trará nenhuma empatia com o eleitor, pois é uma atividade burocrática e nisso ele ficará longe dos acontecimentos e perderá visibilidade.

  2. A estratégia traçada está correta e é infinitamente melhor ou menos pior do que a de “declarar guerra a matriz e se render antes do primeiro tiro; pois assim não precisamos nos render; só nos entregar”.
    Acredito na Lei do Progresso do LE.

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