Agora, até a OAB já fala em defender o impeachment de Dilma

Carlos Newton

Com a implacável unanimidade no Tribunal de Contas da União, sinalizando que o Congresso não terá a mínima condição de aprovar as contas de Dilma, que segue dando pedaladas e cometendo crimes de responsabilidade também no exercício de 2015, segundo o ministro-relator Augusto Nardes, daqui para a frente a situação só vai piorar.

Não há como impedir o avanço do impeachment no Congresso, a retomada das ações na Justiça Eleitoral e o desenrolar da Lava Jato, com as novas delações premiadas de Renato Duque e Nestor Cerveró, que vão liquidar o que resta de Vaccari, Dirceu, Lula, Dilma & Cia. Ltda.

É tudo apenas uma questão de tempo, o governo já acabou e sua imobilidade está liquidando com a economia do país, que já caiu para o novo lugar no ranking mundial, vejam a gravidade da situação.

CLIMA INSUPORTÁVEL

Pode-se imaginar o insuportável dia-a-dia na rotina do Palácio do Planalto, o mau humor permanente que é irradiado do terceiro andar para todas as dependências. Quem escapou de fininho foram os ministros mutantes Aloizio Mercadante e Miguel Rossetto, que perderam prestígio, mas ganharam um mínimo de tranquilidade só pelo fato de não frequentarem mais o Planalto.

Os chamados ministros da casa vão trabalhar a contragosto. Não há mais boas novidades no governo, nada a comemorar. Pelo contrário, a cada manhã é uma tortura ler o clipping dos  dos jornais, sem falar no sábado, quando saem as revistas semanais, que, à exceção da Carta Capital, só trazem péssimas notícias. E hoje é mais um dia desses. Quem pode suportar tanta pressão?

OS RATOS ABANDONAM

Não há novidade alguma nessa situação. Todo governo que chega ao final totalmente fracassado enfrenta a mesma síndrome. No caso atual, foi muito pior, porque o governo nem chegou a começar, um verdadeiro fenômeno.

É hora de os ratos abandonarem o navio, como diz o velho ditado, que se confirma com a poderosa Ordem dos Advogados do Brasil a mudar de curso.

Recordar é viver. Em entrevista à revista Época, publicada em 26 de agosto deste ano, o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, posicionou-se contra o movimento golpista e defendeu o mandato da presidente Dilma Rousseff. “Até o momento, a OAB não tomou conhecimento da prática de ato criminoso por parte da presidente da República”, declarou.

“Até que sobrevenha um fato criminoso imputado à presidente, ela é titular do mandato e não se pode falar em impeachment. É a posição da OAB”, sentenciou, acrescentando: “A regra do estado democrático de direito é a preservação dos mandatos dos eleitos. Para cassá-los, é preciso haver prova cabal de fato criminoso. Tenho convicção de que as instituições democráticas serão mais fortes que qualquer crise e qualquer tentativa de restabelecer um regime ditatorial”.

MUDOU A OAB?

O tempo passa, o tempo voa, e menos de dois meses depois dessas declarações a favor de Dilma, o presidente da OAB diz que “é indiscutível a gravidade da situação consistente no parecer do TCU pela rejeição das contas da presidente da República por alegado descumprimento à Constituição federal”.

Furtado Coêlho anunciou que a OAB já criou uma comissão para decidir se apresenta ao Congresso pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff a partir da recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) pela rejeição das contas de 2014 do governo.

O grupo terá duração máxima de 30 dias para fazer estudos “técnicos” e avaliar se há embasamento jurídico para a própria OAB apresentar oficialmente à Câmara Federal o pedido de impeachment Dilma.

Mudou a OAB? E agora,. com quem o governo ainda pode contar? Ninguém responde? O silêncio realmente é ensurdecedor.

8 thoughts on “Agora, até a OAB já fala em defender o impeachment de Dilma

  1. Prezado CN,

    Você pergunta: “Mudou a OAB? E agora,. com quem o governo ainda pode contar?” – Eu respondo. O governo ainda pode contar, por tempo indeterminado, com o instituto do Presidencialismo.

  2. Prezado jornalista Carlos Newton.
    Inobstante o alto apreço que lhe penhoro, mercê de seu patriótico espírito de luta, praticando o bom jornalismo em meio à circundante selva de escribas interesseiros, não concordo em emparelhar a OAB ao exemplo dos ratos que abandonam o navio diante do soçobro. Veja, senhor jornalista, que o presidente da entidade bastonária afirmara que somente diante de fatos tomaria posição: e, quando o disse, fatos contundentes não havia. Agora, que estes surgem verossímeis, ele, coerentemente, se posiciona, vislumbrando as devidas corrigendas institucionais.
    Assim, salutarmente, revela fidelidade ao apotegma do “fumus boni juris”, que pauta a convicção, inerente ao pensamento jurídico escorreito.
    Dessarte, não há nos comparar àquele triste exemplo, data vênia. Abraços fraternos.

    • Bordignon, obrigado por duas palavras, mas desculpe manter minha opinião, porque em agosto deste ano a fumaça do bom juízo já podia ser vista do outro lado ao Atlântico. A OAB sempre esteve na linha de frente, desta vez se atrasou muito. Vamos ver se agora, com a propina para o filho fenômeno de Lula, os representantes dos advogados abandonam de vez o PT.

      Forte abraço,
      CN

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