Agora, não tem desculpa. Pela primeira vez, a corrupção atinge diretamente um ministro da cota pessoal da presidente Dilma Rousseff.

Carlos Newton

Desta vez, não se pode culpar o ex-presidente Lula, que foi responsável pela formação de praticamente todo o ministério da atual gestão, que até chamamos aqui no Blog de “governo Lula Rousseff”. No caso de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha de Dilma, foi realmente ela quem o nomeou para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Os outros cinco ministros (Alfredo Nascimento/Transportes, Wagner Rossi/Agricultura, Pedro Novaes/Turismo, Orlando Silva/Esporte e Carlos Lupi/Trabalho) eram nomeações atribuídas ao ex-presidente Lula, com apoio do senador José Sarney e do vice-presidente Michel Temer, assim como dos respectivos partidos da base aliada – PR, PMDB, PCdoB e PDT.

No caso de Pimentel, repita-se, a indicação foi mesmo da presidente Dilma, até porque o Ministério do Desenvolvimento, durante as duas gestões do governo Lula, sempre esteve sob comando de empresários – primeiro, Luiz Fernando Furlan (Sadia) e depois Miguel Jorge (Volkswagen).

Trata-se de um ministério de pouca importância, que tem sob sua jurisdição apenas a Superintendência da Zona Franca de Manaus; o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI); o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro); e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, embora até as paredes do Planalto saibam que nenhum ministro jamais teve a menor autonomia sobre o BNDES, que possui praticamente status de ministério e seu titular é nomeado diretamente pelo presidente da República.

A “consultoria” de Pimentel é exatamente igual à de Palocci e de outros ministros ainda não submetidos ao pelourinho da imprensa, como José Eduardo Cardozo (Justiça), Moreira Franco (Assuntos Estratégicos), Leônidas Cristino (Portos) e Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional).

Representa tráfico direto de influência, não tem justificativa e o ministro foi apanhado em flagrante delito, porque uma empresa que pagou R$ 400 mil à consultoria do ministro Fernando Pimentel manteve contrato com a Prefeitura de Belo Horizonte no período em que o petista administrou a capital mineira. Como se diz na linguagem policial, isso é “batom na cueca”.

O ministro pode emitir quantas notas oficiais quiser, pode dar declarações diárias, porém jamais conseguirá explicar por que a empresa de informática QA Consulting Ltda. firmou contrato de R$ 173,8 mil com a Prodabel, empresa municipal de processamento de dados, em agosto de 2005. E após Pimentel deixar a prefeitura, em 1º de janeiro de 2009, a QA contratou a consultoria do petista por R$ 400 mil, valores pagos em duas parcelas de R$ 200 mil.

O contrato de 2005 com a prefeitura foi assinado com uma empresa do grupo QA, a Techwise Solutions Soluções em Softwares Ltda., segundo a administração municipal. Esse contrato vigorou até agosto de 2009 e foi feito por concorrência pública, na modalidade carta-convite.

O ministro declarou que não há nenhuma irregularidade nas consultorias que prestou e classificou como “pequena” a QA. Detalhe final: um dos donos da QA é filho de Otílio Prado, sócio de Pimentel na P-21, e que hoje trabalha no gabinete do prefeito Marcio Lacerda (PSB). Não é preciso dizer mais nada.

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COMISSÃO BLINDA O MINISTRO

Por 13 votos a 5, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara rejeitou ontem requerimento de convocação do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial) para que ele explicasse a atuação de sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, entre 2009 e 2010.

Deputados da base aliada argumentaram que o assunto não deve ser debatido na Câmara, “por se tratar da vida pessoal de antes de Pimentel ser ministro”, vejam só a que ponto chega a desfaçatez do Legislativo, que disputa com o Judiciário e o Executivo qual é o poder mais apodrecido da União.

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