Agosto

Tereza Cruvinel (Correio Brazileinse)

Agosto, mês de desgosto, diz a superstição que já se confirmou algumas vezes na política brasileira. O mês começa com augúrios ruins, que o governo poderá esconjurar com ações efetivas para recompor a base parlamentar, buscando, ao mesmo tempo, responder à insatisfação das ruas (como Dilma fez, levando a São Paulo R$ 8 bilhões para investimento em transportes), melhorar a aprovação do governo e as intenções de voto na presidente. 

Deixemos as ruas, que ninguém governa, e foquemos a política institucional. Os congressistas voltarão sob forte impressão do que viram e ouviram nas respectivas bases, no recesso, buscando salvar a própria pele, vale dizer, a renovação dos mandatos na eleição que promete elevada renovação. Se isso não ocorrer, os protestos terão sido inconsequentes. E com essa disposição, vão continuar esticando a corda com o governo, derrubando vetos e aprovando propostas que contrariam o Executivo. No recesso, ao contrário do que alguns esperavam, Dilma não mexeu no ministério nem reformulou a coordenação política. Mas alguns sinais está dando de que compreendeu a natureza do presidencialismo de coalizão. Se os aliados não levam os anéis, mordem os dedos. E o resto. 

EMENDAS

Nesse sentido, o governo começou a peneirar as emendas de parlamentares que podem ser liberadas para aplacar um pouco do ressentimento, especialmente no maior partido aliado, o PMDB. O Planalto deve convidar para uma reunião hoje todos os líderes da coalizão governista, para tentarem acertar os ponteiros, repassando as contas do rosário de queixas.
Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, devem participar pessoalmente, pelo menos de uma parte desse encontro sem precedentes no atual governo. Pode ser o começo de uma restauração das relações que já vinham tensas e acabaram de se esgarçar após o início dos protestos: as propostas unilaterais da presidente, como a do plebiscito, desagradaram o Congresso, e a queda nas pesquisas deixou todo mundo à vontade para reclamara e atacar.
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