Agricultura e agroindústria precisam ser mais valorizadas no Brasil, para gerar uma classe média verdadeira

Flavio José Bortolotto

O recente artigo de Martim Berto Fuchs, colocando em pauta o tema “Políticas erradas que prejudicaram a agricultura e a agroindústria no Brasil”, honra a Tribuna da Imprensa virtual.

Para a produção de grãos, três regiões são as melhores do mundo, gerando as maiores produtividades, sem adição de adubos químicos: as terras da Argentina, como Fuchs bem frisou, o Corn Belt (Cinturão do Milho) nos USA, com centro nos estados de Ohio/Iowa, e as terras pretas da Ucrânia/Sul da Rússia.

Os solos do Brasil são médios, exigindo correção e grande adição de adubos químicos (NPK). Apesar de tudo, o esforço, a inteligência e a capacidade de inovação do agricultor brasileiro venceram os enormes desafios, e nos colocou numa boa posição.

Uma agricultura produtiva gera uma dinâmica agroindústria, que cria empregos de classe média verdadeira. Digo verdadeira porque ultimamente está se considerando classe média quem ganha dois salários mínimos.

O próprio Fuchs fez a sua carreira na agroindústria (tratores, colheitadeiras e implementos para agricultura) e sabe que sem industrialização nacional, o Brasil não supera seus problemas. Das calorias consumidas pelo homem, metade vem diretamente dos grãos, principalmente trigo, arroz e soja, e a outra metade obtém-se dos produtos animais que consomem ração à base de milho.

Em 2011 o mundo produziu cerca 2,3 bilhões de toneladas de grãos e o Brasil chegou a 150 milhões de toneladas. A Argentina produziu em torno de 120 milhões de toneladas. O governo ajudou em algumas ocasiões, atrapalhou em outras, e nos casos em que Fuchs citou no artigo, causou estrago enorme.

Temos muito que fazer ainda em termos de irrigação, pesquisa, produção de insumos (adubos e pesticidas), seguro agrícola etc. – quase tudo nas mãos de multinacionais. Essa parte estratégica de nossa economia deveria ser olhada com muito cuidado, e o que se vê é “pouca valorização” do enorme trabalho dos nossos agricultores e agroindustriais.

Com essa miopia econômica, estamos literalmente dando “um tiro no nosso pé”.

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