AGU investiga desvio de conduta de José Eduardo Cardozo ao defender Dilma

Denunciar golpe foi crime de responsabilidade, diz Osório

Robson Bonin
Veja

Principal defensor da presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment, o ex-ministro José Eduardo Cardozo é formalmente investigado pelo governo do presidente interino Michel Temer. Na última quarta-feira (18), o novo advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, que substituiu Cardozo no cargo, determinou a abertura de uma sindicância para apurar os atos do antecessor.

O principal argumento para a abertura da investigação é o fato de Cardozo ter sustentado formalmente perante o Congresso e o Judiciário a tese de que a presidente Dilma Rousseff estava sendo alvo de um golpe de Estado. Como a AGU tem entre as suas atribuições representar os interesses do Legislativo e do próprio Judiciário, na avaliação de Medina Osório, Cardozo jamais poderia ter usado o cargo para atentar contra a imagem dos poderes constituídos, acusando-os de participarem de uma conspirata contra o chefe do Executivo.

CRIME DE RESPONSABILIDADE

“A defesa de Cardozo foi criminosa. Esse discurso jamais poderia ter sido feito por um advogado da União. Ele acabou com a dignidade do órgão e cometeu crime de responsabilidade ao forjar o discurso do golpe”, diz Medina Osório.

Determinada a abertura da sindicância, os integrantes da comissão vão intimar formalmente Cardozo a apresentar defesa sobre os fatos investigados. O ex-ministro petista, que ainda atua como advogado da presidente Dilma Rousseff no processo que tramita no Senado, terá de prestar depoimento aos investigadores e poderá até ser alvo de ação por improbidade administrativa, ficando proibido de voltar a exercer cargos públicos.

Durante todo o período em que exerceu o cargo de advogado-geral da União, Cardozo ainda teria ignorado a agenda do órgão e concentrado seu trabalho apenas em defender a presidente.

3 thoughts on “AGU investiga desvio de conduta de José Eduardo Cardozo ao defender Dilma

  1. O Dr. Cardozo representa o que há de mais pernicioso na atividade jurídica, a saber: justiça sem ética. Transformou a atividade de advogado de defesa em cúmplice do acusado. Falseia e manipula conceitos jurídicos através do dom do sofisma e da lógica perversa de uma hermeneutica obscura e radicalizadora. Neste sentido, fico muito preocupado se voltar às suas atividades docentes na PUC em SP.

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