Aguinaldo Ribeiro, o novo ministro das Cidades, é um fenômeno em matéria de aumentar o patrimônio pessoal sem explicação.

Carlos Newton

Reportagem de Gabriel Mascarenhas e Guilherme Amado, no Correio Braziliense,  mostra que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Ministério das Cidades, aumentou seu patrimônio em mais de duas vezes e meia entre 2006, quando era deputado estadual na Paraíba, e 2010, ano em que foi eleito para o primeiro mandato na Câmara dos Deputados.

No período, segundo as declarações de bens que ele entregou ao Tribunal Superior Eleitoral, o futuro ministro teve uma variação patrimonial de 164,6%: o total de seus bens saltou de R$ 1,35 milhão para R$ 3,57 milhões.

Para efeito de comparação, a reportagem mostra que a média de valorização do patrimônio dos deputados federais entre 2006 e 2010 foi de apenas 5,2%. Neste mesmo período, Aguinaldo recebia somente R$ 12,4 mil por mês como deputado estadual da Assembleia Legislativa de seu estado.

Ainda assim, ao longo de apenas quatro anos, o parlamentar comprou dois imóveis, entre eles uma casa de R$ 410 mil, além de dois terrenos e três carros de luxo, sendo um modelo Frontier, ano 2007, por R$ 127 mil. No mesmo período, o então deputado estadual investiu em cabeças de gado, ações, aplicações em renda fixa e até poupança, em que manteve singelos R$ 133,49.

Agora vem a Folha,  em reportagem de Breno Costa e Silvio Navarro, anunciando que o novo ministro das Cidades ocultou da Justiça Eleitoral nas últimas eleições o fato de ser dono de quatro empresas. Duas delas têm atuação na área da construção civil e incorporação de imóveis, atividades ligadas ao ministério que ele comandará oficialmente a partir de hoje. O Ministério das Cidades tem como um de seus carros-chefes as ações na área da habitação social. Nada mal, não é mesmo?

31.mai.11/Agência Câmara
Futuro ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP)
Futuro ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP)

 Depois de desmascarado pela imprensa, o ministro Aguinaldo Ribeiro afirmou, por meio de sua assessoria, que não declarou à Justiça Eleitoral, mas declarou à Receita Federal ser sócio das empresas e disse que irá se desligar delas para chefiar o Ministério das Cidades.

Ele não explicou, entretanto, o motivo de ter omitido as informações em sua declaração à Justiça Eleitoral quando se candidatou a deputado federal nas eleições de 2010. Mas o motivo é óbvio – as informações à Justiça Eleitoral são públicas, qualquer pessoa pode acessar, enquanto as informações à Receita Federal são sigilosas, só acessáveis mediante autorização judicial.

Com tamanho talento, Aguinaldo Ribeiro está indo para o ministério errado. A presidente Dilma Rousseff melhor faria se o nomeasse para o ministério da Fazenda, para que ajudasse o governo a multiplicar o desenvolvimento do país, com a mesma rapidez com que ele consegue aumentar seu patrimônio pessoal.

 

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