Ainda há juízes em Berlim, ou melhor, no Brasil. E a ministra Eliana Calmon não está mais sozinha.

Carlos Newton

Demorou, mas aconteceu. Nem tudo é corporativismo e corrupção na Justiça brasileira. Ainda há magistrados que se envergonham com a situação a que se chegou e estão apoiando a ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, em sua cruzada para moralizar o Judiciário, um dos poderes mais apodrecidos da República.

É salutar saber que um grupo de juízes federais está coletando assinaturas para um manifesto público condenando as críticas feitas pela Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) à atuação da corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. “Entendemos que a agressividade das notas públicas da Ajufe não retrata o sentimento da magistatura federal. Em princípio, os juízes federais não são contrários a investigações, promovidas pela corregedora. Se eventual abuso investigatório ocorrer é questão a ser analisada concretamente”, afirma o manifesto, para realçar que “não soa razoável, de plano, impedir a atuação de controle da corregedoria”.

Como agora é moda, a ideia do manifesto surgiu na internet, em meio a uma discussão entre magistrados federais. Foi proposta pelo juiz Rogério Polezze, de São Paulo e ganhou força após a manifestação do juiz Sergio Moro, do Paraná, especializado em casos de lavagem de dinheiro, não convencido de que houve quebra de sigilo de 200 mil juízes.

“Não estou de acordo com as ações propostas no STF nem com as desastradas declarações e notas na imprensa”, disse Moro. “É duro como associado fazer parte dos ataques contra a ministra.”

“Não me sinto representado pela Ajufe, apesar de filiado”, afirmou o juiz federal Jeferson Schneider, do Paraná, em mensagem na lista de discussão dos juízes. Marcello Enes Figueira disse que “assinava em baixo do que afirmou o colega Sergio Moro”.

O juiz federal Odilon de Oliveira, de Campo Grande (MS), também aderiu, afirmando que “entregar” a ministra era um “absurdo” que a Ajufe cometia. “A atitude da Ajufe, em represália à ministra é inaceitável”, diz o juiz Eduardo Cubas, de Goiás

E a lista de adesões é igual ao cordão dos puxa-sacos – cada vez aumenta mais. Parece um milagre de Natal, no melhor estilo de Charles Dickens, e é verdade.

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Amanhã vamos explicar por que
a ministra Eliana Calmon recebeu 
o auxílio-moradia.

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