Ajuste fiscal de Joaquim Levy só beneficia o sistema financeiro

Luis Hipolito Borges

O ajuste fiscal do Joaquim Levy não contempla as necessidades de criação de empregos do setor produtivo. Segundo todas as análises que li sobre o assunto, o único setor realmente beneficiado com esse ajuste é o financeiro. Para pagamento de compromissos das dívidas do governo federal, o ajuste corta gastos sociais que penalizarão os trabalhadores e aposentados.

Uma coisa que me preocupa profundamente sobre o futuro do Brasil é como vai se comportar a economia daqui para frente. O que temos é crescimento do desemprego, inflação em alta, falta de perspectivas de investimentos que gerem empregos e a derrocada de toda uma classe social que ascendeu nos últimos 12 anos (a chamada nova Classe C, conforme reportagem publicada neste site em março).

O pior é que não existe perspectiva de quando tudo isso começar a mudar. A carga tributária é crescente todos os anos, mas vivemos em déficit público permanente porque o governo gasta mais do que arrecada e isso não muda.

PREVISÕES TENEBROSAS

O jornal Valor Econômico faz previsões tenebrosas sobre os índices de desemprego que poderemos ter ainda esse ano, dobrando o número de desempregados atuais. Afinal, para onde vamos? O que farão centenas de milhares de trabalhadores que perderão o emprego? Qual futuro teremos quando mais de 40% do Orçamento Federal são destinados à rolagem de dívidas e pagamento de juros sobre as dívidas interna e externa. E os bancos estão batendo recordes de lucratividade a cada balanço divulgado.

Isso tudo junto é muito preocupante. Não temos mais uma perspectiva de crescimento consistente nos próximos anos que gere os milhões de empregos que o Brasil precisa criar todos os anos para aqueles que ingressam no mercado de trabalho. Os juros daqui são os maiores do mundo e o real já completa 21 anos em julho sem que vejamos nada disso mudar, pois quem aplicou milhões de reais no mercado financeiro não investe no mercado produtivo, preferindo deixar o dinheiro no banco.

EM FEIRA DE SANTANA

Aqui em Feira de Santana, na Bahia, cidade de 600 mil habitantes e a maior do interior do Estado, a oferta de empregos já se reduziu à metade em relação ao ano passado, conforme reportagem exibida no telejornal local da afiliada da Tv Globo, a Tv Subaé.

A maior preocupação que vejo por parte dos empresários do setor produtivo é a inação do governo em fazer as coisas acontecerem. O Brasil desta década parece ter perdido a perspectiva de crescimento do PIB – o que pode continuar na próxima década. Teremos um PIB negativo este ano. E nos próximos anos poderemos ter um PIB medíocre, com crescimento de 1 ou 2 por cento, o que, repetindo o que já disse, não garante a geração dos empregos que nossa economia precisa criar para os milhões de jovens que tentam ingressar no mercado de trabalho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa condição de funcionário do Bradesco, que o licenciou para exercer a função de ministro (ninguém sabe se mantendo ou não a remuneração), Levy sabe muito bem a quem servir preferencialmente. E não adianta fazer como Francelino Pereira e preguntar que país é esse… (C.N.)

9 thoughts on “Ajuste fiscal de Joaquim Levy só beneficia o sistema financeiro

  1. O articulista aponta um problema mas não aponta caminhos para a solução. O déficit fiscal que estamos vivendo é resultado de anos de aumento de gastos do governo, cuja cobertura tem aumentado a nossa dívida pública e consequentemente o volume de juros que devem ser pagos ano a ano. A política de incentivo ao consumo sem melhoria da produtividade nem da infraestrutura esgotou os resultados que poderia trazer de aumento momentâneo do PIB e garantiu que a inflação não descesse e pelo contrário crescesse. O loteamento de cargos contribuiu para as perdas causadas pelo mau gerenciamento das empresas estatais e ineficiência das agências reguladoras. Sem falar da corrupçáo. Conseqüência, dinheiro jogado fora. Estamos todos preocupados com os fantasmas da estagflação demorada e do desemprego. Mas sem dinheiro e sem infraestrutura, como o articulista sugere que se aumente o PIB, se gerem empregos e portanto se evite a derrocada dessa “nova classe C” ? Faltam, é certo, na política agora adotada medidas mais agressivas para diminuir de forma equilibrada os gastos de custeio do governo, em vez de sacrificar os investimentos e aumentar a carga tributária. O equilíbrio receita/despesa das contas públicas é primordial para que se construa um caminho sustentável de crescimento.
    Que medidas concretas devem ser tomadas para sair do buraco em que o Brasil foi jogado? Poruqe preocupados estamos todos.

    • Em outras palavras: como a médica não deu um banho no doente para a remoção dos parasitas, quando o quadro econômico externo apresentou melhora e a febre da inflação estava baixa, está na hora dele tomar a dolorida Benzetacil…

      …e não será aplicada no braço!

  2. Os bancos deitam e rolam porque o governo deixa. Um exemplo disso é o que chamam ‘enxugar a liquidez’. Todas as vezes que um banco capta mais do que pode aplicar, o governo vai lá pega a grana e remunera com a Selic. Ou seja, ganhar ou ganhar. Por isso que a ‘concorrência’ entre os bancos nunca se dá pelo juros…..

  3. Gostaria de uma informação sobre um diálogo que presenciei com outras pessoas, onde, no período militar o BNDE(S), era para dar apoio e fortalecer as indústrias nacionais as empresas multinacionais, (exemp. .automobilísticas) teriam incentivos fiscais desde que exportassem x% de sua produção para que suas remessas de lucros (Dólares) fossem gerados por elas para não usar as reservas nacionais para isso. Acho muito estranho, hoje o BNDES é usado até por outros países.

    • Nossa cesta de moedas internacionais, isto é, nossas reservas servem para dar sustentação às transações comerciais com o resto do mundo, dar sustentação à remessa de lucro das multinacionais e honrar os compromissos da dívida externa.

      É muito importante termos uma cesta de reservas para dar sustentação a essas transações do Brasil com o resto do mundo.

      Quem controla este processo é o Banco Central.

  4. Tirar o poder de consumo da população através do aumento do custo de vida
    e o desemprego para combater a inflação e para o governo arrecadar mais e pagar os juros aos banqueiros, levará o país a uma recessão maior. Inibir o consumo é
    levar o país a uma recessão maior.

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