Além do sentimento de vergonha

Carlos Chagas

Razão mesmo tem mestre Helio Fernandes, que há mais de 50 anos sustenta ser o dia seguinte, no Brasil, sempre um pouquinho pior do que a véspera. Basta fazer as contas: são 513 deputados, dos quais 233 votaram pela cassação do presidiário Natan Donadon. Eram necessários 257 votos para a perda do mandato, mas 131 votaram contra, 41 se abstiveram e 108 faltaram. Resultado: 280 optaram por manter o mandato do colega. Maioria absoluta…

É de vergonha o primeiro sentimento diante desse absurdo de um deputado estar na cadeia  preservando seu mandato, quer dizer, sua representatividade. Logo, porém, surge raciocínio mais linear: a Câmara dos Deputados declarou guerra ao Supremo Tribunal Federal. Porque se a mais alta corte nacional de justiça condenou um indivíduo a 13 anos de cadeia, sem dúvida suspendeu seus direitos políticos, inclusive o de exercer mandatos populares, impossibilidade física flagrante.  Como a Constituição estabelece que apenas o Congresso pode cassar mandatos, Suas Excelências ignoraram o Direito,  a lógica e o bom senso, deixando de cassá-lo.

O presidente Henrique Eduardo Alves botou panos quentes, considerando Donadon afastado de suas atividades  e convocando o suplente. Adiantará pouco ou nada. Solução eficaz para a contradição seria apenas a aprovação de emenda constitucional considerando automaticamente cassado o parlamentar que for condenado. É isso o que a maioria dos deputados não quer. Afinal, o voto  estaria subordinado a uma sentença judicial, mas num regime de independência entre os três poderes, não poderia ser diferente, a menos que o Legislativo se pretenda acima do Judiciário.

Entram em pauta as consequências desse desatino. Em termos de opinião pública, o Congresso não poderia ficar pior. Revela a tendência para deixar as coisas como estão, sem reforma alguma. Mais do que votarem, ou não votarem, com o coração, a solidariedade e o corporativismo, por maioria os deputados apresentaram-se ao repúdio popular. Demonstraram pretender-se como ente isolado, acima do bem e do mal. E o pior é que  boa parte deles voltará, após as eleições do ano que vem.

VEXAME

Podem dar quantas explicações quiserem: incêndio no mato abaixo das  torres de transmissão, raios e tempestades,  urubus voando baixo, vingança dos deuses. Adianta pouco lembrar ser assim no resto do mundo, mas justificativa não há para o nono apagão verificado no governo Dilma. Apesar dos 17 bilhões injetados este ano  nas concessionárias de energia elétrica a luz  continua sendo cortada nas diversas regiões do país, com ênfase para o Nordeste.

Os açodados reclamam contra o congelamento das tarifas e até diante da mágica feita pouco tempo atrás pela  redução nos preços das contas,  artifício apregoado como em favor do consumidor comum, mas, na verdade, manobra para premiar as empresas privadas. Só que não adiantou nada.

Na verdade, o sistema elétrico nacional entrou em parafuso desde que Fernando Henrique Cardoso começou a privatizar usinas e linhas de transmissão e distribuição de energia. Certas atividades públicas não podem existir para dar  lucro, mas para servir à população, mesmo com prejuízo. Se faltam recursos, que se tribute mais o lucro dos bancos ou das empreiteiras. Diante do desgaste político que seria o aumento de tarifas, mas obrigado a  atender as concessionárias privadas, ao governo resta aceitar os apagões. Não há  coragem para reestatizar o sistema.

VÃO  INVADIR?

O presidente  Evo Morales, da Bolívia, insiste em que o governo brasileiro deve devolver  o senador Roger Pinto Molina, contrabandeado para o  Brasil em rocambolesca aventura diplomática. Seria descermos ao fundo poço caso atendêssemos à exigência. Resta então imaginar  o próximo passo: vão nos invadir?

NÃO SE EMENDA

O ministro Ricardo  Lewandowski continua o mesmo. Quer ganhar tempo nos julgamentos dos embargos dos mensaleiros. Esta semana ocupou 40 minutos na defesa de uma tese já vencida pela maioria de seus colegas. Depois, argumenta o desejo de apenas fazer justiça.

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7 thoughts on “Além do sentimento de vergonha

  1. VAMOS PRIVATIZAR TUDO E NÃO RECLAMAREMOS DE NADA POIS AFINAL DE CONTAS NÓS O POVO DEVEMOS FICAR DE JOELHOS PARA OS PODEROSOS POIS AFINAL ELES ROUBAM NUNCA IRÃO PRESOS AS AGENCIAS REGULADORAS FORAM FEITAS PARA PROTEGER QUEM DEVERIA FISCALIZAR O BOM DE TUDO É QUE TODOS ESSES SUPOSTOS INVESTIDORES NÃO ENTRAM COM ZERO REAL,TUDO TIRADO DA POPULAÇÃO VIA BNDES VERGONHA NA CARA GENTE.LOGO OS A MÍDIA ADESTRADA DIZ É QUE HOUVE REDUÇÃO NAS TARIFAS E OS POBRES COITADOS DOS EMPRESARIOS NÃO TEM COMO INVESTIR,DURMAS COM UM BARULHO DESSE.

  2. Caro Chagas, permita assinar embaixo, e os comentaristas estão de parabéns, esse Congresso, envergonha até “santo de pedra”. Que o “Zé e Maria Bagaço”, não reeleja ou vote nulo, para não compactuar co a safadeza, de falsos representantes do “Zé”.
    To”fora e Levauisque”, envergonham o STF, tofora, não se considera impedido por empréstimo do banco que deve, vota a favor com o levauisque a favor dos mensaleiros.
    Rui Barbosa certíssimo” Tenho vergonha de ser honesto” e De Gaulle, o País não é sério!.

  3. Oh Carlinhos, to surpreso. Mas nao e essa GRANDE ORDEM que vc tanto defende nas suas rascunhadas???? Esse pais de merda so vai com guerra civil, jornaleiro!!! Nao existe respeito entre os Brasileiros. O que existe e uma robalheira generalizada, um certeza assustadora na impunidade, uma falencia total das instituicoes que geram caos total. Juiz to SUPREMO TRIBUNAL pegando dinheiro emprestado a juros abaixo do valor de mercado. E por coincidencia o tal Bandido de tonga e o relator dos processos contra o mesmo banco seu credor!!!! A matematica da criminalidade e foda de engolir. O que o filho da puta paga de emprestimo corresponde a 90% do salario que recebe como bandido de tonga do Supremo. Ate o dia em que o Brasileiro acordar e invadir um desses palacios onde os gangsters organizam suas falcatruas, ou o congresso, ou uma camara de vereadores e enforcar uma meia duzia desses putos criminosos, essa porra nao vai mudar nunca!!!!!!

  4. O caso Donadon apenas mostrou, mais uma vez, que republiqueta de merda tem Legislativo de merda.
    A respeito de Evo Morales, o que salta aos olhos é que o “cumpanhêro”, desde que o PT assumiu os destinos do país, cagou e se acostumou a cagar, impunemente, na cabeça do Brasil e dos brasileiros. Portanto, temos também um Executivo de merda, que coloca suspeitas ideologias graneiras acima dos interesses do Brasil.
    Quanto ao Judiciário, a televisão e os jornais mostram …

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