Alertado pela Controladoria-Geral da União, o governo sabe da corrupção, mas nada faz para punir os ministros envolvidos.

Carlos Newton

Reportagem de Karla Correia no Correio Braziliense, o jornal mais importante de Brasília, mostra que o governo do PT, desde os tempos de Lula, está sendo conivente e leniente com a corrupção. A Controladoria-Geral da União tem feito um trabalho extraordinário para moralizar a administração pública, mas nada acontece.

“Se o governo pudesse voltar no tempo até 15 de julho de 2008, acrise que hoje atinge o Ministério do Trabalho já poderia ser considerada assunto superado. Naquele dia, a Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu relatório, enviado ao gabinete do ministro Carlos Lupi, no qual apontava irregularidades em um convênio firmado entre a pasta e a Fundação Pró-Cerrado na área de qualificação profissional”, narra a repórter Karla Correia.

Da mesma forma, em dezembro de 2010, o secretário de Prevenção da Corrupção da CGU, Mário Vinícius Spinelli, esteve no gabinete do então ministro do Turismo, Luiz Barretto. Tinha em mãos um parecer mostrando falhas graves em contratos assinados para capacitação de mão de obra e realização de eventos. Mas não adiantou nada.

A repórter do Correio mostra que, depois de três anos acumulando poeira, sem que nada fosse feito, o primeiro relatório vem à tona no inferno astral vivido por Carlos Lupi, depois que sua relação com o dirigente da Pró-Cerrado, Adair Meira, foi revelada pela imprensa.

Hoje, Lupi contempla o mesmo abismo no qual o ex-ministro do Turismo Pedro Novais caiu, abatido por uma crise iniciada com uma operação da Polícia Federal sobre os mesmos problemas que já tinham sido detectados pela CGU e encorpada com uma saraivada de denúncias divulgadas no noticiário. O roteiro é o mesmo dos escândalos que derrubaram outros quatro ministros envolvidos em denúncias de corrupção.

“O governo sabia antecipadamente das irregularidades em praticamente todos os escândalos que foram divulgados pela imprensa”, afirma Spinelli, na estratpegica condição de secretário de Prevenção da Corrupção da Controladoria.

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ATÉ AGORA, SÓ SERVIDORES PUNIDOS

A repórter Karla Correia mostra que o problema é que esse conhecimento só resulta em algum tipo de penalidade contra um integrante do alto escalão do governo quando se torna alvo de denúncias apresentadas na imprensa. Equipados com estruturas de peso, órgãos de fiscalização, como a CGU e o Tribunal de Contas da União (TCU), produzem uma profusão de informações sobre irregularidades em obras e contratos que tornam difícil para qualquer governante afirmar que desconhece problemas desse tipo.

Sintomaticamente, um dado que a CGU tem orgulho de divulgar é o número de servidores federais que foram afastados de seus cargos nos últimos oito anos pelo governo, por evidências de envolvimento em corrupção. “São mais de 3,5 mil funcionários”, contabiliza o secretário Spinelli.

Mas as investigações prévias da CGU e do TCU ainda não abateram nenhum ministro. Tomem-se, por exemplo, as denúncias envolvendo o Ministério do Turismo. Sócio de uma das empresas beneficiadas pelos contratos com irregularidades apontadas pela CGU, a MGP Brasil, o servidor Luciano Paixão da Costa deixou o cargo tão logo o relatório chegou ao conhecimento do ex-ministro Luiz Barreto. Mais de nove meses depois, o ministro Pedro Novais só teve sua posição ameaçada quando o secretário executivo da pasta, Frederico da Silva Costa, foi preso durante a Operação Voucher da Polícia Federal, que prendeu quase 40 envolvidos.

Pedro Novais conquistou uma sobrevida por contar com apoio dentro de seu partido, o PMDB, e por padrinhos como o presidente do Senado, José Sarney, o vice-presidente da República, Michel Temer, e o líder da legenda na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). E só foi cair mesmo quando a imprensa divulgou que a mulher dele, Maria Helena de Melo, mantivera irregularmente um funcionário da Câmara como seu motorista particular, vejam a que ponto chegamos.

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