Algumas coisas que me impressionam neste Brasil cada vez mais estranho e surrealista

Nani Humor: RICARDO SALLESVicente Limongi Netto

Completando 14 anos, a Lei Maria da Penha infelizmente não intimida covardes e assassinos. Não tem força para conter a avassaladora escalada de feminicídios. O destemido secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, enfrentou um assaltante em São Paulo. Com roteiro digno de série policial. Armado com revólver, o valente Fábio correu atrás do perigoso e desarmado meliante, berrando “pega ladrão”. Que caiu e acabou preso.

Depois de anunciar recursos para a fabricação de vacina contra o covid-19, um orgulhoso Bolsonaro tranquilizou os brasileiros: “Não preciso tomar porque já estou safo”. Completando com um candente e profundo “vamos tocar a vida”.

TUDO MUITO CONFUSO – Com sua insensibilidade, Bolsonaro deixa com inveja o milionário Paulo Coelho, mestre em clássicos que remetem à autoajuda. Bolsonaro tenta torna trivial mais uma horrenda estatística.

No Brasil, trabalhadores continuam confundidos com bandidos. Agredidos, humilhados, presos e até mortos, como aconteceu ontem no Rio de Janeiro.

Força, ministro Alexandre de Moraes. Combata sem trégua, com vigor, a escória das notícias falsas e irresponsáveis apoiadores.

OUTROS DESTAQUES – Parecer estapafúrdio do Senado praticamente isentando de punição Flávio Bolsonaro por irregularidades antes de eleger-se senador, é fruto do patético e risível regimento da Câmara Alta.

Não basta Bolsonaro manifestar pesar pela tragédia em Beirute. Precisa ir lá. O Brasil abriga, com satisfação, amizade e amor, a maior colônia de árabes e libaneses, no mundo, fora do Líbano.

Disputa para a presidência do senado ainda vai render muitos capítulos. Passando pelo crivo dos resultados das eleições municipais de novembro. É cedo para Davi Alcolumbre comprar terno novo. 

ETERNO DRUMMOND – Imagens e áudio de Carlos Drummond de Andrade, na GloboNews, embelezam e cativam mais do que as cansativas e desinteressantes chamadas de políticoS, magistrados, artistas,  empresários e militares.

Ministro e general Augusto Heleno (Correio Braziliense- 7/8) prestou mais um relevante serviço à Pátria e as instituições, demovendo o impulsivo Bolsonaro da colossal sandice de intervir no Supremo Tribunal Federal, conforme a revista Piauí.

Um balaio de políticos, médicos e empresários larápios precisa limpar o cérebro e o caráter com álcool gel. 

13 thoughts on “Algumas coisas que me impressionam neste Brasil cada vez mais estranho e surrealista

  1. Muito bom o seu artigo, Sr. Vicente Limongi Netto. Os exemplos são muito, praticamente inesgotáveis, e Vossa Senhoria precisaria escrever duas dúzias de páginas para citar todos, a dizer sobre os secretários e ministros do insensível presidente Bolsonaro, todos, como o Presidente, valentes e destemidos.

    Vou citar apenas mais um que poderia ter sido citado em seu artigo. Junto da insensibilidade de nosso presidente com os doentes e mortos devido à Covid-19, um orgulhoso Bolsonaro tranquilizou os brasileiros : “Não preciso tomar vacina porque já estou safo” , e arrematou : “vamos tocar a vida”, o que significa também “vamos tocar a boiada”, tarefa dada a seu Ministro do Meio Ambiente que defende “passar a boiada e mudar regras enquanto atenção da mídia está voltada para a Covid-19”.

  2. Se tivéssemos legisladores pensantes e sensatos, poderíamos cobrar deles: “Antes de concederem alguma garantia legal a nós, brasileiros, lembrem: somos um povo experts em fazer uso criminoso de um direito!” Se não fossemos assim, não teríamos os eleitos que temos.
    É justamente esta a contraface da Lei Maria da Penha. Embora saibamos que algo devia ser feito para atenuar a gana feminicida, arraigada em nossa cultura machista.
    Do outro lado, a regra parece ter sido elaborada para contemplar aquela “Amélia” dos idos feudais: tipo que apanhava, apanhava e ainda dizia: “O homem ficou pra bater e; a mulher, para levar taca!” A mulher contemporânea figura no comando de nações, exércitos, facções; passou de mera mula do tráfico, para cabeça etc.
    Ouço muito por aí, que depois dessa Lei, a galera feminina ficou mais petulante e autoconfiante: premedita uma provação contra o parceiro, na expectativa do coitado reagir e ela ferrá-lo, na polícia ou na justiça.
    Hoje, “dá uma fora”, ficou mais temerário. O sujeito acerta um preço “X” pelo programa, a biscateira responde: “Tá fechado, moooô!” Depois do “serviço feito”, a piriguete se recusa a receber o valor combinado, e triplica. Aí a coisa vai acabar na delegacia. Lá o xerife pegunta à garota: “Por que você multiplicou o preço combinado por três? “Doutor, é porque ele fez comigo “uma coisa” que não tava no script. Como eu resisti, ele ainda me deu uma palmada: ‘vira o disco fêmea’!” Ao delegado, não resta outra opção: senão obrigar o Mané pagar o valor cobrado pela queixosa, e enquadrá-lo na Lei Maria da Penha.

  3. Boa tarde, Limongi!
    Sobre a Lei Maria da Penha (ou pode citar qualquer outra), acaba sendo esvaziado o intento do legislador…
    Criminoso algum consulta as penas aplicadas antes de cometer crime!
    A punição é a exceção no mundo dos crimes, sendo a impunidade a regra. Isso todo criminológico sabe…
    Acontece que, em países como o Brasil, a impunidade é exageradamente maior se comparado com qualquer país da Europa e dos EUA, Canadá, Japão, Austrália… Falta celeridade no trabalho policial e judicial, investimento na Polícia, enquanto no Judiciário são mal empregados os recursos públicos e juízes pouco produzem.
    E em especial o tipo de crime (violência de gênero) encontra-se radicada questão de valores e educação – ou a falta deles (melhor dizendo).

    Já acerca da atuação do Min. Augusto Heleno (general é qualificação militar – não civil e seu emprego aqui é inoportuno como se depreende do estatuto dos militares) não foi nada heróico. Aliás, Heleno foi enxotado do comando da missão de paz da ONU no Haiti não trazendo nenhum orgulho sua passagem, pelo contrário, sendo motivo de vergonha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *