Algumas reflexões sobre a subida do Brasil para a sexta colocação no ranking da economia mundial.

Carlos Newton

O ministro Guido Mantega, da Fazenda, demonstrou um bocado de otimismo ao comentar a projeção da CEBR (sigla em inglês para Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios), que aponta o Brasil como a sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido. A seu ver, o país tende a consolidar a posição diante da crise que atinge economias de países desenvolvidos, mas prevê que pode demorar de 10 a 20 anos para ter o brasileiro um padrão de vida europeu.

A notícia é auspiciosa e era esperada, porque o Brasil tem a sexta maior população, ou seja, hipoteticamente deveria ter o sexto maior mercado interno. A subida do Brasil no ranking das maiores economias já era prevista desde outubro pelo Fundo Monetário Internacional e pelas consultorias EIU (Economist Intelligence Unit) e BMI (Business Monitor International).

Como disse o então “presidente” Médici, nos anos 70, durante a fase do chamado milagre brasileiro, quando o Brasil era o país que até então mais havia crescido no século passado, “a economia vai bem, mas o povo vai mal”.
De lá para cá, nesse particular não mudamos muito, pois ainda continuamos na 84ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pela ONU, com apenas 0,718, enquanto o Reino Unido está na 28ª colocação, com 0.863, na escala de 0 a 10.

Outra diferença enorme é a renda per capita, que no Reino Unido ainda é mais de 3 vezes superior à do Brasil. Assim, para chegarmos ao padrão europeu de qualidade de vida, segundo o próprio ministro Mantega, “nós vamos ter que continuar crescendo mais do que esses países, aumentar o emprego e a renda da população”, porque o país ainda precisa investir mais nas áreas social e econômica. E isso não será conseguido em 10 a 20 anos, este otimismo de Mantega não se justifica, infelizmente.

O município de Duque de Caxias, por exemplo, na Baixada Fluminense, está entre os 12 de maior arrecadação do país, à frente de muitas capitais e estados inteiros, com arrecadação anual de R$ 32 bilhões, mas continua com graves problemas de abastecimento d’água e saneamento básico. Se um município rico está assim, imaginem os pobres.

Quanto ao desenvolvimento do país, não há como estancá-lo, em função de seu invulgar potencial na agricultura e na agroindústria, num mundo de população crescente. Como diz o velho ditado, o Brasil cresce à noite, quando os políticos e governantes estão dormindo e não conseguem atrapalhar.

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