Aliados aconselham Bolsonaro a substituir Wassef por advogado com influência no Tribunal do Rio

Wassef faz questão de mostrar a proximidade com a família Bolsonaro

Naira Trindade
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro tem sido aconselhado a não apenas se afastar de Frederick Wassef como também substituir o advogado no caso do filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado por transações suspeitas envolvendo seu então assessor Fabrício Queiroz quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Queiroz foi preso nesta quinta-feira, dia 18, em um imóvel no interior de São Paulo de propriedade de Wassef, que defende Flávio no caso.

A ideia é trocar Wassef por um advogado que tenha trânsito e influência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No caso do TJRJ, o objetivo é enfraquecer a investigação ainda na fase inicial.

INTERLOCUÇÃO – Foram levantados nomes de advogados que também teriam influência no STJ já considerando a possibilidade de a investigação subir para a instância superior. Nessa situação, aliados alertaram Bolsonaro que seria importante ter um advogado com boa interlocução entre os ministros da Corte. Bolsonaro tem sido aconselhado a convencer Flávio a fazer a troca de sua defesa. O presidente já chegou a conversar com outros advogados sobre as investigações do caso Queiroz que envolvem o filho.

Em 22 de janeiro, o presidente recebeu em seu gabinete no Palácio do Planalto o criminalista Eduardo Carnelós. Mas as conversas não avançaram. À época, Wassef negou qualquer possibilidade de ser trocado dos processos e afirmou que, a pedido do próprio Flávio, seria mantido à frente do caso.

INTIMIDADE – Com quem conversa, Wassef faz questão de mostrar a proximidade com a família Bolsonaro. Ele é advogado também do próprio presidente no caso da facada que recebeu de Adélio Bispo durante a campanha eleitoral de 2018 e se tornou um frequentador habitual do Palácio do Planalto, onde Bolsonaro trabalha, e do Palácio da Alvorada, residência oficial.

Desde setembro do ano passado, Wassef já esteve ao menos 13 vezes em um dos dois locais, sendo sete vezes no Palácio do Planalto e outras seis na residência oficial. A última ida ao Planalto ocorreu na quarta-feira, véspera da prisão de Queiroz, quando Wassef participou da posse de Fábio Faria como ministro das Comunicações. Nem todas as visitas a Bolsonaro constam da agenda oficial do presidente.

ESTRATÉGIA – Aliados de Bolsonaro traçam ainda a estratégia de reforçar a narrativa de que ele não tem nenhuma relação com as investigações que envolvem Queiroz. A ideia é distanciar ao máximo as apurações do ex-assessor do filho e amigo próximo da família do chefe do Executivo para evitar que o caso contamine o governo. Na estratégia, interlocutores do presidente vão frisar que a advogada de Bolsonaro é Karina Kufa e tentar construir uma explicação de que Frederick Wassef forçava uma aproximação com o presidente para se valorizar dessa relação.

13 thoughts on “Aliados aconselham Bolsonaro a substituir Wassef por advogado com influência no Tribunal do Rio

  1. Não vai demorar muito e Wassef se verá abandonado pela família Bolsonaro, que não tem amigos mas somente cúmplices.

    E talvez esse próprio advogado revolva colocar a boca no trombone.

    Será eletrizante.

  2. Folha de S.Paulo
    Sábado, 20 de junho de 2020

    Queiroz era monitorado por advogado, indicam áudios. O policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e preso na quinta-feira, era monitorado e sofria restrições de movimentação impostas pelo advogado Frederick Wassef. É o que indicam mensagens apreendidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo os promotores, o ex-assessor buscava omitir as saídas que fazia do imóvel onde morou nos últimos meses, em Atibaia (SP). O MP-RJ diz ainda que Queiroz e familiares desligavam os telefones para evitar monitoramento da polícia quando se aproximavam da casa, de propriedade de Wassef, também advogado do presidente Jair Bolsonaro. A presença de Queiroz na residência contrariou todo o discurso do advogado e da família Bolsonaro ao longo de um ano e meio, segundo o qual não havia ocorrido mais contato entre eles e o ex-assessor de Flávio. Queiroz é apontado como operador financeiro da suposta “rachadinha” no antigo gabinete do filho de Bolsonaro na Assembleia do Rio, onde exerceu mandato de deputado.

  3. Bom dia , leitores (as):

    Naira Trindade ( O Globo ) . Senhores Carlos Newton e Marcelo Copelli , ou seja , um advogado ” corrupto e bandido ” que faça parte , tenha trânsito e influência junto aos ” AGENTES PÚBLICOS ” ( advogados, juizes , desembargadores e ministros ) corruptos e bandidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No caso do TJRJ, o objetivo é enfraquecer , neutralizar e aniquilar as investigações em curso mesmo na fase inicial.
    Prestem atenção nos conselheiros do Presidente Jair Bolsonaro, e vejam a que nível o país chegou em termos de ” HONRADEZ , CARATER , HONESTIDADE ” .

  4. A luta recomeça. Temos de localizar um novo “combatedor de corrupção”
    E tudo começou em 1989 com o Collorido.
    Depois FHC, Dilma e Temer foram na mesma linha. Bolsonaro veio como Collor-2.
    Puxa, temos de acertar uma vez, uma vezinha só!
    Fallavena

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