Aliados de Dilma sairão às ruas em São Paulo no dia 31 e pode haver confronto

Boulos, líder dos Sem-Teto, é um dos organizadores do protesto

Reynaldo Turollo Jr.
Folha

Movimentos de esquerda anunciam nesta quinta (14) uma manifestação para o próximo dia 31, um domingo, nos mesmos dia e hora em que grupos favoráveis à saída definitiva da presidente Dilma Rousseff farão ato, já agendado, na Avenida Paulista. A passeata da Frente Povo Sem Medo, composta por MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Intersindical (próxima ao PSOL) e setores da CUT e do movimento negro, entre outros, vai se concentrar no largo da Batata, em Pinheiros, às 14h.

No mesmo horário, ativistas do MBL (Movimento Brasil Livre), do Vem Pra Rua e de outros grupos pró-impeachment estarão na Av. Paulista.

PODEM SE ENCONTRAR… – A Frente Povo Sem Medo cogita caminhar até o centro pela avenida Rebouças e pela rua da Consolação —que passa ao lado da Paulista. O trajeto será informado à Secretaria da Segurança Pública até o fim da semana. Em outras ocasiões, o órgão vetou caminhos que possibilitassem o encontro dos grupos antagônicos, com a justificativa de evitar confusões.

“Ninguém é dono da rua. Nós temos direito de manifestação e vamos exercê-lo. Espero que a polícia nos trate da mesma forma que trata a turma de verde e amarelo na Paulista”, disse Guilherme Boulos, do MTST.

Será a primeira vez que a esquerda levará para as ruas uma manifestação pedindo nova eleição para presidente, segundo os organizadores. Eles consideram essa pauta capaz de agregar diferentes setores insatisfeitos tanto com Dilma como com o presidente interino, Michel Temer.

NUNCA AOS DOMINGOS – Também será a primeira “grande mobilização” da esquerda num domingo, ainda conforme a organização –à exceção de 17 de abril, dia da votação do impeachment na Câmara, quando os dois lados fizeram atos simultâneos.

A nova eleição para presidente – defendida pela frente, mas  que encontra resistência em setores fiéis à presidente afastada, como o MST – seria realizada após um plebiscito. Por isso, o mote será “O povo deve decidir”.

“Nós somos ‘Fora, Temer’. Eles [na Paulista] são pelo ‘Fica, Temer'”, disse Boulos.

PAUTAS – Os movimentos de esquerda levarão faixas contra as reformas da Previdência e trabalhista e contra as privatizações – com destaque para a “defesa da Petrobras”.

Do outro lado, o MBL, que trata o impeachment como um fato consumado, vai apresentar na Paulista “reivindicações que devem ser levadas à frente pelo governo Temer”.

São exemplos: a extinção do foro privilegiado na Justiça, a expulsão da Venezuela do Mercosul e a privatização dos Correios e da Petrobras.

A avaliação de parte dos manifestantes da esquerda é que, agora, o ônus de defender um governo impopular passou para o outro lado.

SEM ALINHAMENTO – Kim Kataguiri, do MBL, disse que o grupo não defende Temer, mas também não protestará contra seu governo.

“Nossas manifestações, de nenhuma maneira, foram uma espécie de ‘Vai lá, Temer, tome o poder’. O Temer é uma consequência constitucional [do processo de impeachment].”

“O ato será para pressionar por reforma”, disse Kataguiri.

17 thoughts on “Aliados de Dilma sairão às ruas em São Paulo no dia 31 e pode haver confronto

  1. Antigamente se dizia que macaco que muito coça,
    quer chumbo.
    Essa vagabundagem do sem alguma coisa, estão é a espera de uma surra.
    No dia que apanharem, deixam de perturbar a vida alheia.
    Esse Boulos, dizem ser um “bundinha” deslumbrado.
    Ficam dando cartaz, ele não para de inventar.

  2. A turma pré paga pelo PT, na iminência da Dilma ser definitivamente impedida, querem novas eleições, por que não pediram enquanto ela governava, considerando-se que levou o país a uma crise profunda, que segundo especialistas, para o país voltar ao normal levará 20 anos.
    Todos defensores do Lula, Dilma e PT por tentar subverter a ordem política e social, deveriam ir para a cadeia.

  3. A vergonhosa operação abafa do Temer ! Ao visto a visita do ministro da justiça à Curitiba deu certo !

    Moro espera que Lava Jato acabe até o fim do ano
    Brasil 14.07.16 17:18
    Sergio Moro, em Washington, disse que a Lava Jato dura mais seis meses:

    “A investigação ainda está em aberto. É difícil fazer previsões, mas espero acabar a minha parte na Lava Jato até o fim do ano”.

    Ele tem mais seis meses, portanto, para condenar Lula e denunciar o PT.

    Alguém da plateia perguntou se ele foi treinado pelo FBI, como disse Marilena Chaui.

    Ele respondeu ironicamente, arrancando gargalhadas:

    “Voltamos à Guerra Fria. Mas não vou comentar isso”.

  4. São todos sócios…

    Rodrigo Maia: “Tive 30 votos do PT”
    Brasil 14.07.16 18:43
    O Antagonista falou há pouco com Rodrigo Maia. Ele falou das visitas de agradecimento que fez a Michel Temer, Aécio Neves, José Serra e Renan Calheiros, e também a Fernando Coelho Filho, Marcos Pereira e Maurício Quintela.

    “Agradeci aos que ajudaram e aos que não atrapalharam”, disse.

    Maia também se reuniu com José Guimarães, que trabalhou internamente para convencer metade da bancada a apoiar o deputado do DEM.

    “Tive 30 votos do PT. Chamei os deputados para conversar. Estão dispostos a construir uma pauta comum para dar celeridade às reformas.”

    Ontem, comemoraram efusivamente a eleição de Maia os deputados José Guimarães, Carlos Zarattini, Arlindo Chinaglia e Vicente Cândito.

    ( O Antagonista ).

  5. E aí Janot ???


    Quinta-feira, 14/07/2016, às 18:38, por Matheus Leitão
    Pedido de investigação sobre Maia no STF só terá andamento após recesso

    O pedido de investigação feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o envolvimento do novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com suposto caixa dois de campanha só deverá ter prosseguimento no Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, após o recesso do Judiciário.

    Para pedir a investigação, Janot se baseou em mensagens trocadas entre Maia e o empresário Léo Pinheiro, dono da OAS, sobre uma doação de campanha em 2014. No entanto, apesar da mensagem, não foi registrada doação oficial na Justiça Eleitoral e a Procuradoria suspeitou de caixa dois.

    À época da divulgação do pedido de Janot, Maia afirmou, por meio da assessoria, que as doações da construtora OAS foram feitas ao diretório nacional do DEM e transferidas para a candidatura de seu pai, Cesar Maia, ao Senado. Ele também disse que todas as doações estão registradas e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

    O pedido de investigação foi enviado ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, mas ele entendeu que não havia nenhuma relação com o esquema de fraudes na Petrobras. Um novo sorteio foi realizado e o caso ficou com o ministro Luiz Fux.

    Em junho, o ministro Fux decidiu pedir informações aos envolvidos antes de decidir sobre o pedido de abertura de inquérito, que também citava o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) e o senador Romário (PSB-RJ). Romário e Jutahy negaram o recebimento de qualquer doação ilegal.

    Para o ministro, como as suspeitas estão em mensagens trocadas com empreiteiros, é preciso antes analisar os argumentos das partes sobre as conversas.

    Colaborou Mariana Oliveira, da TV Globo.

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