Almirante corrupto chegou a administrar uma conta secreta

Quem imaginaria que o cientista militar iria se corromper?

Ricardo Balthazar
Folha

Pouco depois de se reformar da Marinha, em 1994, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva foi surpreendido por uma pergunta da plateia ao concluir uma exposição sobre o programa nuclear brasileiro, em Viena, na Áustria.

Um americano disse que considerava duvidosas as informações disponíveis sobre os custos do programa e provocou: “Acho que o senhor está escondendo o que gastaram”. Othon fez um comentário irônico e desconversou.

Na semana passada, quando foi acusado de corrupção pelos procuradores da Operação Lava Jato e levado preso para um quartel militar em Curitiba, o almirante se viu obrigado a enfrentar perguntas embaraçosas novamente.

Os procuradores querem saber por que a firma de consultoria que Othon criou ao passar para a reserva ganhou R$ 4,8 milhões de empreiteiras que trabalham para a Eletronuclear, a estatal que ele presidiu nos últimos dez anos.

TUDO EM FAMÍLIA

Na sexta-feira (31), o almirante de 76 anos disse à Polícia Federal que se desligou da consultoria ao assumir o comando da Eletronuclear, e que o dinheiro pago pelas empreiteiras remunerou serviços prestados pela filha tradutora e pelo genro engenheiro.

Durante o interrogatório, Othon disse que “possui conhecimento que lhe permitiria ganhar muito mais do que os valores que lhe acusam de ter recebido”, mas não convenceu ninguém. O juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, prorrogou sua prisão até a próxima quinta (6), para que ele apresente provas do que alegou.

Nas décadas de 70 e 80, o almirante chefiou um programa secreto da Marinha que deu ao Brasil o domínio de uma das tecnologias mais cobiçadas do mundo, o processo que transforma o minério de urânio no combustível necessário para que uma usina nuclear produza eletricidade.

CENTRÍFUGAS

A parte mais sensível do programa, o desenvolvimento das centrífugas de enriquecimento de urânio que aumentam a concentração do material radioativo encontrado no minério, é tratada como segredo de Estado desde a ditadura militar (1964-1985), e poucos detalhes sobre ela vieram a público até hoje, mesmo décadas depois da redemocratização do país.

A Marinha investiu nessa tecnologia por considerá-la uma etapa indispensável para realizar seu projeto mais ambicioso, a construção de um submarino de propulsão nuclear, que os militares desenvolvem atualmente em parceria com a França e uma das empresas investigadas pela Lava Jato, a Odebrecht.

 

Engenheiro com especialização no MIT (Massachusetts Institute of Technology), Othon dirigiu o programa da Marinha de 1979 até a aposentadoria em 1994. Ele conhece todos os seus segredos, e guarda vários deles com zelo.

CAIXAS DE DOCUMENTOS

Como confidenciou a um conhecido uma década depois de deixar a Marinha, Othon guardou dezenas de caixas com documentos do período nos fundos da propriedade de um parente, no interior do Rio, tudo classificado com ajuda de um ex-funcionário. Othon também guarda cadernos pessoais desde a época em que estava no MIT.

Os documentos preservados pelo almirante incluem cópias de contratos com fornecedores e informações detalhadas sobre os gastos do programa, que nunca foram contabilizados de maneira transparente pelo governo. De acordo com uma planilha guardada por Othon, o programa consumiu US$ 668 milhões (R$ 2,3 bilhões em dinheiro de hoje) no período em que ele esteve à sua frente.

Quase um terço do dinheiro circulou por contas secretas, incluindo uma que Othon administrava pessoalmente. A existência dessas contas foi revelada pela Folha em 1986, mas o destino dos recursos nunca foi tornado público.

OTHON SABE TUDO

Especialistas estrangeiros sempre desconfiaram que boa parte desse dinheiro foi usada pela Marinha para comprar clandestinamente no exterior equipamentos e materiais para o desenvolvimento das centrífugas, mas poucas pessoas sabem ao certo o que foi feito. Othon sabe.

No auge do programa, havia mais de 900 pessoas sob o comando do almirante. Othon e outros oficiais trabalhavam com roupas civis, para que a farda não intimidasse ninguém. Cientistas da USP e de outras universidades participaram do projeto.

Othon deixou a Marinha frustrado com a redução dos recursos destinados ao programa e disposto a mudar de vida. Abriu a consultoria para trabalhar em projetos do setor privado e tentou ganhar dinheiro com o desenvolvimento de uma turbina para pequenas centrais hidrelétricas.

DE VOLTA AO PODER

A sorte do almirante mudou de novo em 2005, quando o governo decidiu retomar os investimentos na área nuclear e os petistas entregaram ao PMDB o controle do Ministério de Minas e Energia.

À frente da Eletronuclear, Othon retomou as obras da usina de Angra 3, renegociando os contratos das empresas envolvidas com o projeto e comprometendo-se a entregá-la até 2018. Parecia a pessoa certa para a missão, até cair na teia da Lava Jato.

6 thoughts on “Almirante corrupto chegou a administrar uma conta secreta

  1. Senhores,

    Veja este artigo:
    CURRICULUM VITAE

    Vice-Almirante R1 Dr. Othon Pinheiro da Silva

    -Nascido em 1939 em Sumidouro (RJ), Othon formou-se pela Escola Naval em 1960, iniciando sua carreira na Marinha no quadro de Oficiais do Corpo da Armada.

    -Formou-se em Engenharia Naval pela Escola Politécnica de São Paulo em 1966, atuando como engenheiro naval do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) entre 1967 e 1974.

    -Em 1978, Othon obteve sua especialização em engenharia nuclear no Massachussetts Institute of Technology (MIT).

    -Foi Diretor de Pesquisas de Reatores do IPEN entre 1982 e 1984 e foi fundador e responsável pelo Programa de Desenvolvimento do Ciclo do Combustível Nuclear e da Propulsão Nuclear para Submarinos entre 1979 e 1994.

    -Exerceu o cargo de Diretor da Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha (COPESP), atual Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), de 1986 a 1994.

    -É o autor do projeto de concepção das ultracentrífugas para enriquecimento de urânio e da instalação de propulsão nuclear para submarinos.

    -Atingiu, na Marinha do Brasil, o mais alto posto para os Engenheiros Navais: o de Vice-Almirante.

    -Desde outubro de 2005 exerce a presidência da Eletronuclear – Eletrobrás Termonuclear, empresa sediada no Rio de Janeiro, responsável pela construção e pelo gerenciamento das usinas nucleares brasileiras.

    -Já recebeu diversos prêmios, entre os quais a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico por serviços prestados à ciência e à tecnologia, prêmio este oferecido em 1994 pelo então presidente da República Itamar Franco.

    OTHON, O PAI DO PROGRAMA NUCLEAR BRASILEIRO

    “Othon começou o projeto de separação isotópica do Urânio com muita criatividade, liderança e engenharia reversa”, disse o Dr. Spero Penha Morato, ex-superintendente do Ipen, em seu discurso em homenagem ao Dr. Othon, na cerimônia de entrega do título de pesquisador emérito.

    O projeto, que começou em 1979, produziu os primeiros resultados em laboratório já em 1982: a conversão do yellowcake (U3O8) em hexafluoreto de urânio (UF6), etapa que antecede o enriquecimento isotópico. O passo seguinte foi a produção de 24 toneladas de hexafluoreto de Urânio através do financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    Para o enriquecimento isotópico, Othon desenvolvia, paralelamente à conversão e de forma secreta, centrífugas de última geração, com mancais magnéticos que minimizam o atrito. A única forma de entender rapidamente o funcionamento destes mancais naquela época era serrando uma bomba de vácuo com o mesmo tipo de mancais que havia no IPEN. E Othon fez isso, irritando, claro, muitas pessoas no projeto. Mas, foi com lances ousados como este – acrescentou o Dr. Spero Morato – que Othon pôs o seu projeto para frente.

    O jornalista Lourival Sant’anna publicou, em 2004, uma reportagem no jornal O Estado de São Paulo revelando alguns fatos interessantes que marcaram o projeto. Reproduzo, abaixo, boa parte dessa matéria.

    Em 1974, Othon Luiz Pinheiro da Silva, então um capitão-de-corveta de 35 anos, foi escalado para acompanhar a construção de submarinos brasileiros da classe Tonelero num estaleiro da Inglaterra. O jovem oficial estava indo a contragosto. Um mês antes de sua sombria partida, no entanto, um almirante sugeriu ao então ministro da Marinha, Geraldo Azevedo Henning, que o enviasse para o Massachusetts Institute of Technology, nos EUA, para uma pós-graduação em engenharia nuclear.

    O ministro Henning, que havia feito uma viagem da Bahia para o Rio em um submarino nuclear americano e ficara entusiasmado, acatou a sugestão. Até então, o contato mais estreito de Othon com energia nuclear tinha sido uma visita ao reator do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em 1967, quando terminava o curso de engenharia naval na Politécnica da USP.

    PRESSÃO E AMBARGO AMERICANOS
    O Brasil já havia comprado em 1972 o reator de Angra 1, da americana Westinghouse, com a promessa de fornecimento de combustível – processado nos EUA – por 30 anos. Mas, em 1974, começou-se a levantar dúvidas sobre as garantias desse fornecimento. No ano seguinte, o general Ernesto Geisel firmava o acordo nuclear com a Alemanha, que incluía não só as centrais, mas também o ciclo de enriquecimento de urânio.

    Até a década de 70, o minério era enriquecido por “difusão gasosa”. Um novo método, mais eficiente e econômico, o da ultracentrífuga, vinha sendo desenvolvido, e o primeiro a dominá-lo em escala comercial foi o consórcio Urenco, formado por Inglaterra, Holanda e Alemanha. O Brasil queria essa tecnologia.

    Na última hora, no entanto, os alemães informaram que não poderiam incluí-la no pacote, porque a Holanda, por pressão americana, tinha vetado sua venda ao Brasil. Em seu lugar, os alemães ofereceram aos brasileiros o jet nozzle, um método “muito promissor”, segundo eles, de separação do urânio 238 do 235. Enriquecer urânio é aumentar o teor de 235. Na natureza, o urânio 235 representa apenas 0,7% do minério e o 238, os outros 99,3%. “Quem tivesse feito um curso razoável de física no ensino médio já não compraria esse método”, ironiza Othon. O professor Manson Benedict, um papa do MIT em energia nuclear, deu na época uma aula sobre o jet nozzle, concluindo: “Os brasileiros acreditaram e compraram isso”.

    DESBRAVADOR DO DESENVOLVIMENTO DO CICLO DE COMBUSTÍVEL NUCLEAR NO BRASIL
    Em 1979, quando Othon voltou ao Brasil, a Marinha não sabia o que fazer com ele. Depois de quatro ou cinco dias de hesitações, levaram o recém-promovido capitão-de-fragata até o diretor-geral de Material da Marinha, o almirante Maximiano da Fonseca. “Você, que cursou esse negócio, quais as nossas chances de ter uma produção nuclear aqui no Brasil?”, perguntou-lhe, de chofre, o almirante. Othon pediu três meses para redigir um relatório. O oficial ficou subordinado à Diretoria de Engenharia. Ao se apresentar, ouviu de seu novo chefe: “Evidentemente não pode ficar um oficial por conta só dessas coisas nucleares”. Othon passou a dividir sua carga horária com o cargo de gerente de um projeto de navio de apoio fluvial. Assim começava o programa de pesquisa nuclear brasileiro: com um oficial em meio expediente.

    Othon propôs que o Brasil desenvolvesse sua própria tecnologia. Em outubro de 1978, o então contra-almirante Mário César Flores, do Estado-Maior da Marinha, convocou Othon para dar explicações, depois de ouvir especialistas. A caminho de Brasília, Othon se encontrou no aeroporto com o comandante João Maria Didier Barbosa Viana, que também tinha feito engenharia nuclear no MIT. “Segui o seu caminho”, contou-lhe Othon. “Então você deve estar indo a Brasília pelo mesmo motivo que eu”, especulou Didier. “Tem um louco dizendo que é possível desenvolver o ciclo do combustível nuclear no Brasil.”

    Othon passou o dia inteiro respondendo às perguntas que um capitão-de-mar-e-guerra pós-graduado em Monterey (Califórnia) formulava, enquanto Flores fingia ler um jornal. O oficial saiu com a sensação de que tinha ido a Brasília à toa. Pouco mais de um mês depois, foi chamado de novo. “Vai ser outra chatice”, pensou. “Este oficial foi escalado para uma das missões mais importantes que um oficial da Marinha já teve no Brasil”, anunciou solenemente o vice-chefe do Estado-Maior da Marinha, Arthur Ricart da Costa, apresentando Othon ao seu chefe, o almirante Carlos Auto de Andrade. “Deus o ilumine.”

    Othon veio para São Paulo e começou a “costurar alianças” com instituições como o Ipen, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro Técnico Aerospacial (CTA), em São José dos Campos, que estava desenvolvendo um método de enriquecimento de urânio com raio laser. Depois de consultar especialistas, Othon constatou que a opção do laser não seria viável nos próximos 20 anos, e se fixou na ultracentrífuga.

    SUBMARINO A DIESEL X SUBMARINO NUCLEAR
    O objetivo último da Marinha era desenvolver reatores e todos os demais equipamentos da propulsão para submarinos movidos a energia nuclear. Se um submarino movido a diesel – como os que o Brasil usa – partir da Baía de Guanabara, em sua velocidade máxima, antes de chegar a Cabo Frio terá de se aproximar da superfície para o snorkel tomar ar, para pôr em funcionamento seu motor e assim recarregar as baterias. Navegando próximo à superfície, pode ser captado com facilidade por sensores infravermelhos. Para ficar no máximo dez dias no fundo, um submarino a diesel tem de se manter praticamente parado. O submarino nuclear projetado pela Marinha trocaria de combustível em dez anos. O limite de permanência no fundo seria de 45 dias.

    Entretanto, a Marinha concluiu que em primeiro lugar era preciso viabilizar o ciclo do combustível e adquirir capacidade de enriquecer urânio. “Autonomia é muito importante”, diz Othon, que aos 65 anos tem hoje uma empresa de consultoria na área de energia. “Inspirei-me na solução que eu imaginei que os americanos estavam desenvolvendo na época em que eu era aluno do MIT, mas com a qual nunca tive contato”, conta o almirante. “É óbvio que a centrífuga americana é muito mais espetacular que a nossa.” Mas, segundo ele, a brasileira sai muito mais barato e os materiais importados necessários para sua fabricação não entram no rol dos itens nucleares sensíveis, sujeitos a embargos internacionais.

    OTHON DEU INÍCIO À FORMAÇÃO DA EQUIPE DE CIENTISTAS E TÉCNICOS BRASILEIROS
    O programa capacitou indústrias brasileiras a fabricar as válvulas, sensores e medidores das centrífugas. Othon recrutou cientistas e técnicos do Brasil todo. “Onde tivesse alguém que pudesse ajudar, a gente ia conversar.” O sigilo era resguardado por um termo de compromisso. “Foram 14 anos da minha vida, cada dia um desafio”, lembra o hoje almirante da reserva, que dirigiu o programa entre 1979 e 94. Inicialmente, o projeto era secreto e ficou abrigado num departamento fictício, criado para isso, chamado de Coordenação para Projetos Especiais (Copesp), dentro da Comissão Naval de São Paulo.

    A primeira dificuldade de Othon foi formar equipe. Quando assumiu, em 1979, o general João Baptista Figueiredo baixou portaria proibindo contratações no setor público. Othon recorreu ao Estado de São Paulo – e a uma artimanha. Fez um memorando à Secretaria de Ciência e Tecnologia, solicitando a contratação de 20 engenheiros e 40 técnicos para trabalhar no Ipen, num “projeto de interesse das Forças Armadas”. Se assinasse sozinho, no entanto, ficaria fácil para a secretaria pedir a análise do Estado-Maior da Marinha, onde o memorando provavelmente pararia. Então Othon pediu a um tenente-coronel da FAB que também assinasse. “Assim, não vão saber para que Força perguntar.” Deu certo.

    De posse dessa contratação, Othon, na época capitão-de-fragata, atreveu-se a saltar a hierarquia e procurar o então ministro da Marinha, Maximiano da Fonseca: “Almirante, estou numa situação complicada. O Estado de São Paulo colocou 20 cientistas no projeto, liderado pela Marinha, e ela não colocou nenhum”. No fim, conseguiu convencer o ministro a contratar o dobro de cientistas e técnicos. “Fiquei com um exército de 60 engenheiros e 120 técnicos”, exulta Othon. No seu auge, no início dos anos 90, o programa chegaria a ter 680 engenheiros trabalhando internamente e outros 300 do Departamento de Pesquisa de Reatores do Ipen, do qual Othon era chefe.

    Mas nem tudo era ciência: habilidade e jeitinho também contaram. Othon lembra que uma centrífuga antiga, importada na década de 50, utilizada para treinar equipes e dissimular o esforço principal do projeto, havia parado porque tinha um eixo flexível que quebrava com freqüência e tinha de ser trazido da Alemanha. “Eu tinha um técnico, Zequinha, muito habilidoso, que fazia um eixinho novo em três dias. Levei para ele o projeto e fizemos o primeiro juntos”, conta Othon. “No Arsenal de Marinha, não precisava importar. Era só ligar para o Zequinha.”

    Em 1987, num gesto de distensão, o então presidente José Sarney decidiu trazer seu colega argentino, Raúl Alfonsín, para a entrada em operação de um conjunto de 48 centrífugas em Aramar. A inauguração estava marcada para 15 de março. Algumas semanas antes, o indiano naturalizado brasileiro Kesavan Nair, doutor em física de reatores mas também astrólogo, procurou Othon, com uma expressão preocupada: “Quinze de março ‘não bom’”, disse, mostrando uma listagem de computador, na qual uma nuvem negra cobria a data.

    Othon ligou para o então ministro da Marinha, almirante Henrique Saboia. “Você acredita nisso?”, perguntou o ministro. “Não”, respondeu Othon. “Eu também não, mas, por via das dúvidas, pergunte quando está bom para inaugurar.” A partir de 28 de março, informou o indiano. Saboia foi falar com Sarney. Mais tarde, ligou para Othon: “Não se preocupe. O presidente é mais supersticioso que nós dois juntos.” A cerimônia ficou para 8 de abril.

    COMPETÊNCIA A BAIXO CUSTO
    Othon guarda até hoje uma planilha de todos os custos do projeto, ano a ano. No total, foram gastos US$ 663 milhões. Aí estão incluídos: o desenvolvimento do ciclo de combustível (projeto Ciclone), da propulsão do submarino (projeto Remo), do submarino propriamente dito, e a infraestrutura.

    “Desafio a me mostrarem no mundo todo um desenvolvimento do ciclo do combustível e da propulsão nuclear com esse custo”, diz ele. Quando deixou o programa, havia quase 700 centrífugas na “colônia”, em Aramar, pelas quais o urânio vai passando e enriquecendo-se gradualmente. A centrífuga americana enriquece bem mais do que a brasileira. A diferença está no custo, que Othon ilustra assim: digamos que sejam necessárias 20 centrífugas brasileiras para produzir o que uma americana produz. Acontece que o custo de 20 brasileiras é menor que o de uma americana.

    Em 1994, o Vice-Almirante Dr. Othon Pinheiro da Silva, com 55 anos, teve de deixar o projeto ao completar seu tempo de serviço militar ativo. Os detalhes desse projeto ainda são mantidos a sete chaves, sob pena de prisão pelo vazamento de segredos científicos.

    O fato é que o desenvolvimento da tecnologia de ultracentrifugação de urânio é um marco de sucesso na história tecnológica do Brasil e o Dr. Othon teve um papel fundamental nisso guiado pelo lema do CTMSP: “TECNOLOGIA PRÓPRIA É INDEPENDÊNCIA”.
    Fonte: Revista Eletrônica Defesanet.

    • O Spero antes de ser superintendente foi diretor da Metalurgia Nuclear do Ipen cuja tecnologia foi transferida para a fabrica de estruturas da Odebrecht sabe – se la a que preco. Quanto ao dioxido de uranio deu o maior aue na epoca pois boa parte dele foi contrabandeado para o oriente medio. Vide dossie Baugarten.
      O presidente da CNEN era o Rex Nazareth Alves.

  2. Uma nao 4. ….3 Enquanto a COPESP ficava no IPEN/CNEN e a outra em Aramar. Esta ultima ( Delta 4 ) resultou em um processo que terminou arquivado pelo STF. As centrifigas nao foram trazidas por ele e sim pelo Romulo Ribeiro Pieroni.
    Devido ao acordo Atomos para a paz , essas centrifugas ficaram escondidas no IPT ate 1981.

  3. PS. As contas delta 1, 2 e tres ficavam na agencia Butantam do Itau na Av. Vital Brasil com Francisco Morato . Na espoca o superintendente do IPEN era o Coronel Amorim e do CTA o Coronel Amarante.

  4. Que papelão Almirante Othon !

    Vergonha para a família Pinheiro de Sumidouro/RJ, descendentes de Barões e Viscondes.
    Meu falecido avô, que era seu tio-avô (General Langleberto Pinheiro Soares) sempre teve você como referência ímpar de inteligência e capacidade.
    Esperamos de verdade que tudo isso tenha sido um lamentável equívoco.

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