Alta dos juros provoca disputa dentro do governo

Vicente Nunes (Correio Braziliense)

O Banco Central já identificou no governo uma ala de assesores da presidente Dilma Rousseff disposta a pregar o fim do aumento da taxa básica de juros (Selic), que, desde abril último, passou de 7,25% para 8,50% ao ano.

Esse grupo vem disseminando, ainda com certa cautela, sobretudo no Palácio do Planalto, que não há mais porque o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a Selic, pois a inflação vem caindo há três meses e deve caminhar rapidamente para o centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%. Os donos desse discurso alegam que juros mais altos vão sacrificar demais o crescimento da economia em 2014, quando a presidente Dilma tentará a reeleição.

No BC, esse discurso está sendo visto com preocupação. Primeiro, porque a inflação não está sob controle. É verdade que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vem recuando mensalmente, cravando apenas 0,03% em julho, mas, no acumulado de 12 meses, está em 6,27%, bem próximo do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

INFLAÇÃO É PRIORIDADE

Os técnicos do BC ressaltam ainda que esse tipo de discurso antes de o Copom se reunir só gera ruídos nos mercados. Não se pode esquecer que, nas últimas semanas, o governo conseguiu unificar o discurso de prioridade no combate à inflação. Finalmente, os analistas parecem estar acreditando nesse compromisso. “Portanto, criar marola agora, ressuscitando a tal tensão pré-Copom, só prejudica o controle das expectativas”, diz um importante funcionário do BC.

Em conversa recente com deputados, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse que a autoridade monetária ainda manterá ativo o movimento de alta dos juros, porque a inflação no Brasil continua muito elevada. E, pior, há no horizonte a ameaça da alta do dólar, que, em algum momento, será repassada ao consumidor, mesmo que em menor grau que no passado recente.

As apostas dentro do governo são de que a Selic subirá entre 0,25 e 0,50 ponto no fim de agosto. O mercado, em sua maioria, acredita em aumento de 0,5 ponto, para 9%.  Vamos aguardar pelo próximos sinais do BC.

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2 thoughts on “Alta dos juros provoca disputa dentro do governo

  1. Até onde sabemos, nossa Presidenta Dilma Rousseff corajosamente determinou que os Juros Reais, que remuneram os Títulos do Tesouro de curto prazo, empréstimos inter-Bancários, etc, ( a Tx. Básica – Selic), fossem de 2%aa acima da Taxa de Inflação (IPCA-Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Como nossa Tx. de Inflação ronda os 7%aa, a Selic teoricamente poderia chegar a 9%aa, ou até mesmo 9,5%aa. O que parece certo é que nossa Presidenta não aceita Selic de 2 dígitos. Devemos nos lembrar porém, que a Tx. Selic, se por um lado pune o Governo Federal em maior Carga de Juros sobre a Dívida Pública, pune mais ainda os Fundos de Aposentaria/Pensões, FGTS, etc, e horror dos horrores os Velhinhos(as) poupadores que tem nesses Jurinhos, a justa complementação de suas parcas Aposentadorias. Abrs.

  2. Moradia é uma necessidade básica do ser humano. No RJ, hoje, tem Kitinete de 30m2 sendo vendida por um milhão. Acho que não preciso falar mais nada. Infelizmente, me vejo forçado a torcer pela colapso da economia. Só assim, poderei quebrar o meu “porquinho” e adquirir o direito de morar com dignidade. O resto a gente arruma, mesmo na recessão.

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