Amanh o ltimo debate. Intil e cansativo quando havia a iluso de que se disputava alguma coisa. Completamente desinteressado e desinteressante, quando j existe vencedor e vencido.

Helio Fernandes

o dcimo e felizmente ltimo encontro entre os dois candidatos nominais. Embora nos bastidores a guerra seja mais sangrenta e no to insuportvel. Enquanto na televiso enganam o cidado-contribuinte-eleitor (mentindo dupla e desvairadamente), nos subterrneos da politicalha se disputa verdadeiramente o Poder.

E a, muitos, vrios e variados participantes. No se restringem apenas a Dilma, j com maioria total, e Jos Serra, sem possibilidade de ultrapass-la. Os dois lados lutam para que a vantagem de Dilma no seja muito grande, assim a sua incompetncia congnita e adquirida ficaria difcil de alcanar.

Curioso que partidos (?) que esto na coligao a favor de Dilma, tentam restringir sua vitria a um mnimo de vantagem nas urnas. Por qu? Se Dilma ganhar por 2 ou 3 por cento de diferena, ser mais fcil e vantajoso conversar com ela. Se a vitria for esmagadora, a vantagem ser dela.

O PMDB, que deveria ser obrigado (como todos os partidos) a ter candidato prprio, prefere a ocupao do Poder, muito mais do que a conquista do Poder. Se o presidente fosse do PMDB, (e poderiam ganhar muito bem) em vez de receber gordas e suculentas fatias desse Poder, o PMDB teria que distribu-las.

Lula foi obrigado a ter 37 ministros, principalmente por causa da voracidade dos lobistas desse partido. Os ministrios no valem apenas por esse cargo, mas pelo fato de que cada um tem centenas e at milhares de lugares rotulados como de segundo e terceiro escalo, mas tambm altamente desejveis e ambicionados.

Serra e o PMDB, tambm lutam para perder por pequena diferena. Sabem que vo perder, mas no querem que seja por diferena estrondosa. Pela primeira vez na Histria republicana, se disputam duas eleies ao mesmo tempo: a sucesso de Lula e a sucesso de Dilma, se que ela governar mesmo.

Pelo menos nos ltimos 4 anos, Lula e Dilma dividiram e dominaram o Planalto-Alvorada. Muitos acreditam ou imaginam, que Lula permanea no Planalto, deixando o Alvorada para Dona Dilma. Ele ficaria satisfeito, ela teria foras, dinmica, credenciais, competncia para exigir o que pensa que conquistou? A vitria-cheia, o Planalto-Alvorada?

J existem colados nos 400 carros que entram em circulao diariamente no Rio e 800 em So Paulo, adesivos assim: 2014, Acio-Marina. Ha!Ha!Ha! Dona Marina teve um sonho fugaz de Poder, que s poderia ser prorrogado se tivesse jogado fora a neutralidade. E lanado manifesto positivo, contra os dois candidatos, j que nenhum deles tem projeto ou programa de governo, e a capacidade de cumpri-lo.

Para o PV, exata a palavra adesivo, existem poucos partidos to adesistas. E sem analistas. Deixaram Dona Marina acreditar que os 20 milhes de votos do primeiro turno, eram mesmo dela. E que dependia apenas dela, direcionar esses votos.

Quanto a Acio Neves, tem o que parece ser sua grande vantagem, a idade. (Completou 50 anos, Serra j caminha para os 70). Mas acontece que os futuros candidatos, sejam quais e quantos forem, se refugiam ou entrincheiram na longevidade, que para eles se parece at mesmo com eternidade.

Haja o que houver, Lula ser a grande estrela, que mostrar sua luz resplandecente, no em 2011, e sim a partir da proclamao da vitria de Dilma, no mesmo dia 31, por volta das 8 ou 9 horas da noite. A carreata de aplausos ser dirigida mais no caminho de Dilma ou de Lula? Estrategicamente podero estar juntos para no revelarem o jogo muito cedo.

***

PS No h mistrio na eleio. Dona Dilma j est vitoriosa (tanto para ela quanto para Serra, obrigatrio usar a palavra INFELIZMENTE), todo o mistrio ou incgnita passa a ser incorporado para o governo.

PS2 Entre as incgnitas, uma tratada quase que com desprezo, mas importantssima: a posio do PT. Fortssimo no primeiro mandato a partir de 2003, foi sendo desprezado, desconhecido, derrubado desde 2007.

PS3 Internamente o PT est em plena guerra. No a FAVOR ou CONTRA Dilma, mas pela sobrevivncia de seus membros mais importantes. Quase todos, por mais que apostem na longevidade, esto no limite, poltica e eleitoralmente.

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