Ambição e talento

Ambição e talento
Tostão (O Tempo)

Na coluna anterior, escrevi que o futebol brasileiro, na maneira de jogar, começou a evoluir. Foi só elogiar, para São Paulo e, especialmente, Santos darem vexame. O Santos não jogou nem marcou contra o Barcelona. O São Paulo não jogou e só não levou uma goleada do Bayern porque fez uma retranca. O consolo é que Santos e São Paulo, individualmente e coletivamente, não representam hoje as melhores equipes brasileiras. Além disso, as boas atuações da seleção, na Copa das Confederações, em casa, não têm nada a ver com o futebol que se joga no Brasil. Foi um fato isolado.

Existe uma enorme expectativa se Neymar, em um tempo variável, vai brilhar intensamente no Barcelona e se tornar um candidato habitual a melhor do mundo, se vai brilhar, mas nem tanto, ou se será apenas um bom jogador, comum, o que seria uma decepção. Aposto na primeira hipótese.

Messi e Neymar têm tudo para dar certo. Neymar gosta de jogar pelo lado, da esquerda para o centro, e Messi atua mais pelo meio e/ou da direita para o centro.

Alguns acham que Neymar não vai dar certo porque é muito individualista e o Barcelona é um time coletivo. Mas o que o Barcelona mais precisa é de um craque pelo lado, individualista, capaz de, quando receber a bola mais perto da área, driblar e definir a jogada. Além de não simular faltas, Neymar terá de aprender, quando voltar para receber a bola até o meio-campo, a tocá-la mais rapidamente.

Uma jogada frequente do Barcelona é a troca de passes até próximo da área. Quando não há espaços para alguém penetrar, o que tem sido frequente, tocam a bola para os atacantes pelos lados, que costumam recebê-la livres, já que os laterais fecham para o meio, para fazer a cobertura. Nesse momento, Neymar será decisivo.

Em muitos momentos, Neymar poderá ainda atuar pelo centro, mais adiantado, como fez na seleção, com Mano Menezes, quando jogou ao lado de Kaká, Oscar e Hulk. Na seleção argentina, Messi tem um ou dois jogadores à sua frente (Agüero e Higuaín).

Os fofoqueiros e os desiludidos com o comportamento humano já disseram que Messi vai boicotar Neymar, que o argentino tem cara de santo, mas é diabólico, e que não há lugar para duas grandes estrelas tão próximas.

A maior dificuldade de Neymar será conciliar o jogo coletivo do Barcelona com sua ambição de se tornar um dos maiores jogadores da história. Negar a ambição humana é hipocrisia. Neymar não precisa dar todas as bolas para Messi fazer gols, como tem dito, nem ser excessivamente individualista.

O ser humano é ambicioso e, algumas vezes, inteligente. Os grandes craques desejam ser sempre os melhores, mas possuem consciência de que só vão brilhar intensamente se o time for forte coletivamente e se houver espaços para outros também se destacarem.

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