Ameaça ao Supremo reflete contra Bolsonaro, une o Tribunal e o isola na extrema direita

Indo fechar o STF — Indo fechar o STF — Alô Notícias - Com Lucio ...

Ilustração reproduzida do Google

Pedro do Coutto

Esta é minha opinião sobre os episódios no palco político refletidos pelos jornais. A ameaça do presidente da República desferida contra o Supremo transformou-se num fator amplamente contrário a ele mesmo. A ameaça sintetiza um apelo as Forças Armadas, utilizando-as como instrumento de seu poder e não como um sustentáculo da Democracia brasileira.

O ministro Marco Aurélio respondeu diretamente, acentuando não acreditar que o poder das Forças Armadas funcione para virar a mesa, acrescentou. Creio que ele tem razão. Até porque o isolamento de Bolsonaro na extrema direita vai de encontro aos princípios tanto militares quanto democráticos.

ORDENS ABSURDAS – O presidente da República, voltando-se contra o despacho monocrático de Alexandre de Moraes, citou um Item do regulamento disciplinar do Exército, o RDE. Lá está escrito que, de fato, ordens absurdas não se cumprem. Mas é preciso notar que um dos pontos do RDE impõe aos subordinados terem de pedir licença aos autores das ordens para representar contra eles. Aprendi isso quando estive servindo o Exército. A norma, portanto, é difícil de executar. Mas esta é outra questão.

Bolsonaro, ao exclamar sua ameaça, na realidade revelou tacitamente encontrar-se na defensiva. Em primeiro lugar, porque se trata de tarefa impossível a defesa do ministro Weintraub. Em segundo, porque levou a uma união dos ministros da Corte Suprema, ameaçados por ele como um todo. Em terceiro lugar, porque desejar suspender as investigações sobre as fake news assinala no processo uma confissão de culpa pelo silêncio. Se as mensagens que resultam da investigação fossem legais não haveria motivo para tentar obstruir as ações investigadoras.

PRINCÍPIO ABSOLUTO – A liberdade de expressão constitui um princípio absoluto. Mas não impede que os atingidos não possam recorrer contra eles. Como é o caso de situações que envolvem calúnia, injúria e difamação. Não significa portanto uma imunidade tão absurda quanto a prática dos atos. O que vai acontecer, e não pode ser de outra maneira, é a união do STF quando apreciar, segundo penso, brevemente o mérito da decisão monocrática de Alexandre de Moraes.

Hoje, a Folha de São Paulo publicou pesquisa do Datafolha sobre a posição do governo junto a opinião pública. Vamos por etapas. A rejeição ao governo Bolsonaro atinge 43% e a aceitação 33%, o que falta para completar 100 é a faixa dos que consideram regular o desempenho. Em todos os quesitos da pesquisa os empresários e os que ganham acima de 10 salários mínimos por mês são favoráveis ao presidente da República, mas entre os demais a insatisfação cresce.

SEM CONFIABILIDADE – Relativamente à respeito da confiabilidade que Bolsonaro inspira, 21% sempre acreditam. 44% não acreditam nunca. Sobre a forma se adequada ou não que envolve o desempenho de Bolsonaro na presidência do país, 25% acham que sim, 32% acham que não. Quanto à capacidade dele liderar o país, 45% responderam afirmativamente, 52% consideram que ele não tem capacidade.. Novamente a maior força do presidente está junto àqueles de renda mais alta. Acima de 10 salários mínimos.

Não são muitos, pois é preciso lembrar que, segundo o IBGE, 60% dos trabalhadores brasileiros ganham até 3 salários mínimos.

No que diz respeito ao desempenho do ministério da Saúde, 45% aprovam. 21% desaprovam. Para 43% Bolsonaro não tem responsabilidade pelo avanço da pandemia, enquanto 32% afirmam que ele tem responsabilidade. A mesma pergunta focalizando o governo de São Paulo conclui que para 56% o governador João Dória não tem culpa. 

AUXÍLIO EMERGENCIAL – Outro quesito refere-se ao auxílio emergencial de 600 reais por mês. O resultado surpreende pois evidencia que 52% não fizeram o pedido. O que na minha opinião não representa o não cumprimento de uma promessa e sim embute uma afirmação de que além de não terem direito não o solicitaram.

Finalmente uma observação importante. Escrevendo há mais de 60 anos sobre pesquisas, aprendi com o tempo a dar valor às tendências. A pergunta inicial do Datafolha, contida na reportagem de Igor Gielow assinala que a rejeição a Bolsonaro está se verificando em um movimento ascendente enquanto a aprovação mantém-se num patamar de 33%. 22% não acham nem uma coisa nem outra. Para mim 33% é o teto reservado às posições da extrema direita. Aliás não só no Brasil, mas em vários outros países. 

 O ministro Weintraub situa-se na posição mais radical possível. Ele quebrou os cristais de qualquer raciocínio lógico.

 

14 thoughts on “Ameaça ao Supremo reflete contra Bolsonaro, une o Tribunal e o isola na extrema direita

  1. Prezado Pedro de Couto. A direita não está mais com Bolsonaro, assim como boa parte do antigo partido. O centrão será sua grande base, desde que atendido em seus pleitos de sempre – cargos, cargos e mais cargos.
    Os progressistas e os liberais de verdade, apoiaram os projetos bons, mas não apoiam mais Bolsonaro.
    Bolsonaro está isolado no centrão!, e conta com o apoio do clã dos crentes direitopatas!
    Fallavena

    • Bolsonaro não é de direita, de esquerda, tampouco de centro. Bolsonaro é um infame caudilho sulamericano, oportunista, aproveitador, reacionário e neofascista.

      Ele vive na mendacidade (sempre mentindo, traindo, falseando tudo o que pode) e protagonizou o maior estelionato eleitoral já visto neste Brasil, aproveitando-se – de forma inteligente – do antipetismo, tendo em vista a derrocada da quarilha lulopetista perante a opinião pública.

      Hoje só está com Bolsonaro o que existe de PIOR e de mais IMUNDO na política brasileira.

      E um pequeno gado amestrado composto por seguidores alienados e hipnotizados.

  2. Acertou Pedro de Couto quando diz que a direita brasileira tem o tamanho de 33%, como a esquerda ronda por percentual igual. Mas caso se repita o embate entre os extremos a direita vence novamente, a esquerda não tem candidatos viáveis hoje, o que está aí só serve para eleger prefeito e vereador.

  3. Cientes de que estamos diante de uma cúpula de governantes CANALHAS, não tem que direita ou esquerda, têm é que torrar essa corja pra fora do cenário brasileiro. E só, risca e começa do zero.
    Incluindo alí os cientistas mais capacitados para gerir a crise que irá matar mais de 100.000 brasileiros até o fim do ano.

  4. Finalmente e após eu citar várias vezes, aparece o sargento Tainha e o Recruta Zero na charge.

    Como já sabemos as pencas, o Tainha é o Bozonauro e o Zero são os generais?! que o cercam.

    Veremos quem se manda primeiro, o Tainha ou os Zero.

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