Andrade Gutierrez complica Dilma, PT, PMDB e até Delfim Netto

Delfim, o corrupto de sempre, levou propina de empreiteiros

Valdo Cruz, Graciliano Rocha, Leandro Colon, Gabriel Mascarenhas e Márcio Falcão
Folha

Em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República, os executivos da Andrade Gutierrez revelam que as construtoras responsáveis pela obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte combinaram o pagamento de uma propina de R$ 150 milhões, 1% do valor que elas iriam obter pelos contratos firmados.

Os recursos seriam pagos ao longo da construção da obra e seriam divididos entre PT e PMDB. Cada partido ficaria com uma cota de R$ 75 milhões. Os recursos foram pagos, segundo a delação premiada, na forma de doações legais para campanhas de 2010, 2012 e 2014.

A informação foi divulgada pela GloboNews, e confirmada pela Folha. O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo disse aos procuradores que a empresa tinha um caixa único, formado por estes recursos oriundos da propina de Belo Monte e também dinheiro legal, que foi usado para fazer as doações de campanha, inclusive em 2014, quando a construtora doou R$ 20 milhões para a campanha da presidente Dilma.

CAMPANHA DE DILMA

Ou seja, segundo os executivos, o dinheiro não era carimbado, mas recursos de propina acabaram sendo usados para bancar as campanhas petistas e de peemedebistas na última eleição presidencial.

Os R$ 150 milhões foram divididos entre as empreiteiras de acordo com a participação de cada uma no consórcio construtor da usina Belo Monte.

O leilão de Belo Monte ocorreu em junho de 2010. Odebrecht e Andrade Gutierrez (autora de estudos iniciais), mais a Camargo Corrêa, desistiram de apresentar proposta por discordar da estimativa de R$ 19 bilhões feita pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Formado por oito empresas, algumas sem experiência na construção de hidrelétricas (Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Serveng-Civilsan, Contern, Cetenco, Gaia, Galvão e J.Malucelli), um outro grupo acabou ganhando a concorrência, mas logo depois permitiu a entrada das três concorrentes.

“Derrotadas” inicialmente, Andrade Gutierrez (18%), Odebrecht (16%) e Camargo Corrêa (16%) ficaram com metade dos contratos de construção da usina. O valor da propina paga a PT e PMDB, segundo Otávio Azevedo, seguia o percentual de cada uma no Consórcio Construtor de Belo Monte.

HOMOLOGAÇÃO

Nesta quinta-feira (7), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki homologou a delação premiada de Otávio Marques de Azevedo e do ex-executivo da construtora Flávio Barra.

Questionado pela manhã sobre a validação dos depoimentos, o magistrado, que é relator dos casos relacionados à Operação Lava Jato na Corte, indiciou que manterá o conteúdo em sigilo, ao menos no primeiro momento.

“Em matéria de delação premiada, a lei estabelece que tudo tem que ser mantido em sigilo. Enquanto as partes não abrirem mão do sigilo, eu vou manter a lei”, disse o ministro, sem confirmar a homologação.

A Folha apurou que a PGR (Procuradoria-geral da República) tende a não pedir a retirada do segredo de Justiça, uma vez que as informações prestadas por Azevedo e Barra devem embasar novas frentes de investigação da Lava Jato.

DELFIM NA JOGADA

Flávio Barra, alto executivo da Andrade Gutierrez disse em acordo de delação premiada que a empreiteira pagou propina de R$ 15 milhões ao ex-ministro Delfim Netto, 87, na fase final das negociações para a construção da usina de Belo Monte, em 2010. Teria sido uma “gratificação” por ele ter ajudado a montar consórcios que disputaram a obra, segundo Barra, que presidiu a AG Energia, braço da Andrade para esse mercado.

O montante teria chegado a Delfim por meio de contratos fictícios de empresas de um sobrinho dele, Luiz Apolônio Neto, com a Andrade Gutierrez, a segunda maior empreiteira do país, de acordo com Barra.

Não teria havido, porém, prestação de serviços, segundo o executivo da AG, o que caracteriza corrupção. Os contratos fictícios foram entregues aos procuradores pelo executivo como prova de seu relato.

A Andrade também fez um acordo de leniência, uma espécie de delação para empresas, no qual aceitou pagar multa de R$ 1 bilhão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDelfim Netto sempre foi corrupto, mas conseguiu escapar ileso. Virou deputado para ter imunidade parlamentar. Nunca fez um só discurso, nunca presidiu a Comissão de Economia, não aparecia em plenário, jamais apresentou um só projeto, foi um zero à esquerda, desfilando em Brasília num gigantesco Ford Galaxie. A imunidade acabou substituída pelo foro privilegiado, Delfim continua livre, leve e solto,  não pode ver um repórter que logo vai dando peruadas sobre tudo. Na mais recente entrevista, esculhambou Dilma Rousseff, sua ex-amiga. (C.N.)

9 thoughts on “Andrade Gutierrez complica Dilma, PT, PMDB e até Delfim Netto

  1. “Delfim Netto sempre foi corrupto, mas conseguiu escapar ileso. Virou deputado para ter imunidade parlamentar”

    Agora que não é mais deputado, conseguiu uma vaguinha de comentarista político-economia na Rádio Bandeirantes, é bem paparicado pelos entrevistadores…..

  2. Sr. Newton por falar em delfim Netto,
    Veja que interessante no blog do Ricardo Boechat….

    Memória
    Sr. Discreto

    Presidente da Petrobrás no governo do general João Figueiredo, e hoje dono de razoável fortuna, Shigeaki Ueki – tão discreto quanto os seus negócios – cultiva hábitos curiosos. Amigos contam, por exemplo, que para não chamar a atenção quando viaja para o Brasil com seu jatinho vindo dos EUA, onde mora, ele deixa a aeronave em Buenos Aires e completa o trajeto em voo de carreira, desembarcando no Rio de Janeiro ou em São Paulo.

  3. Preciso corrigir o Boechat quando diz : ” Shigeaki Ueki ” é hoje dono de razoável fortuna ?!?!? Fala sério Boechat ! Ou então o que ele considera razoável fortuna ? Ser um dos homens mais rico do Texas ( está entre os 5 mais ) com terras explorando petróleo e ainda ser considerado como dono de razoável fortuna é demais para minha inteligência.

  4. Procurem saber sobre o relatorio Saraiva, sobre o perodo que DELFIN NETO foi embaixador na França. O que O Coronel Saraiva apurou na epoca, motivou sua remoção para o Brasil e a colocação de panos quentes sobre o assunto.

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