Anistia ao caixa 2 e restrições à ação do Judiciário são desafio à opinião pública

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Charge do Miguel, reprodução do Jornal do Comércio

Pedro do Coutto

Não bastassem os acontecimentos dramáticos que ocorreram na quarta-feira, o senador Renan Calheiros, ao marcar para o dia 6 a votação do projeto que visa restringir a atuação do Judiciário e do Ministério Público, e um grupo de deputados desejando imbuir no projeto anticorrupção uma anistia aos envolvidos anteriormente no crime de receber recursos via caixa 2, sem dúvida, estão efetivamente desafiando a opinião pública e fomentando diretamente outras manifestações com base na reação popular.

Os dois temas, que convergem para uma faixa extremamente perigosa, foram muito bem focalizados nas reportagens de Isabela Bonfim, Igor Gadelha e Isadora Peron, O Estado de São Paulo, edição de quinta-feira. Incrível a falta de sensibilidade política, e até moral, em ambos os casos. Os autores de ambos os lances não estão levando em consideração a atmosfera tensa e densa que está se impondo no país.

NUMA TEMPESTADE – Bastaria parar um momento para pensar sobre as prisões de Eduardo Cunha, Sérgio Cabral Filho e Anthony Garotinho, para concluir que nos encontramos em meio a uma tempestade cujos rumos são difíceis de prever em todas as etapas.

É fácil identificar o momento atual, extremamente complicado em todos os planos e sentidos. Vejam os leitores deste site a situação de calamidade pública, em dose dupla, no Estado do Rio de Janeiro. O governador Luiz Fernando Pezão praticou erros em cima de erros, seguidos de recuos, revelando incerteza nos atos que pratica. Enviou proposta absurda elevando terrivelmente as contribuições do funcionalismo para com o Rioprevidência.

A iniciativa foi tão ruim que seu próprio partido, o PMDB o rejeitou. E a confusão e os distúrbios violentos aconteceram. O governo foi derrotado.

ANISTIA AO CAIXA 2 – Derrotados também serão os autores e articuladores da anistia ao caixa 2 e da pressão contra o Judiciário e o Ministério Público, neste caso atingindo Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, portanto chefe do Ministério Público. Inclusive, nos dois casos, para tais leis entrarem em vigor é imprescindível que os projetos sejam sancionados pelo presidente Michel Temer.

A bomba será colocada em suas mãos ao alcance da caneta do poder. Ele não poderá se omitir. Se houver aprovação, a onda popular vai correr na direção do Palácio do Planalto. Poderá nem sancionar ou vetar e, com isso, devolverá as matérias para promulgação pelo presidente do Congresso, o senador Renan Calheiros, autor e inspirador das iniciativas, especialmente a que desarma poderes do Judiciário e da Procuradoria Geral. Será, portanto, a mesma coisa que assinar as duas leis que colidem com a sociedade brasileira. Um clamor percorrerá o país. A posição do PMDB é conhecida. Mas qual será a do PSDB diante do aumento da impopularidade do presidente da República?

OPÇÕES DIFÍCEIS – A base parlamentar do Planalto poderá explodir pelos ares, deslocando seus estilhaços para as outras legendas que formam a aliança que sustenta o Executivo. Diante da encruzilhada, Michel Temer terá que fazer algo que, no fundo, não gosta: decidir entre opções difíceis.

Aliás governar é isso, como definia o presidente Juscelino. Porque se a lei, em sua essência, é a conciliação entre os contrários, o exercício do poder oscila entre vontades. A mais importante delas é a opinião pública. Sem ela, não há futuro nem para o governo, nem para o país.

Michel Temer terá que pensar bem no assunto.

6 thoughts on “Anistia ao caixa 2 e restrições à ação do Judiciário são desafio à opinião pública

  1. Caro Couto, ótima análise, assino em baixo, a culpa do Renan colocar o País em risco de uma revolução civil, é do stf, que é conivente com os politiqueiros, com seus sinistros imorais, e a Presidente Drª Carmen Lúcia, está a DEVER ao povo a ação de suas palavras de posse, em não por os crimes do Renan em Pauta.
    Este stf, honre a Srª Justiça, para ser STF, ou vai continuar conivente com o roubo do cofre de 200 milhões, roubado duas vezes, direto no cofre, e indiretamente nos Direitos Básicos da Cidadania: Educação, Saúde, Segurança, Emprego, Transporte, que estão no Caos.
    No Rio, Sergio Cabral, já está vendo o Sol nascer quadrado, falta Pezão e Dornelles, como “cabeças”.
    Drª Carmen, ponha em Pauta o Amoral Renan, para não ser conivente, com o crime, que infelicita 200 milhões, como religiosa, lhe lembro: “A Cada um segundo suas obras” e “Pagarás até o ultimo ceitil, Jesus, O Cristo, cujo Tribunal, que não tem foro especial para criminosos, é a Consciência, com a sentença no Além Túmulo, Luz e Paz, ou Ranger de Dentes.
    Que Deus proteja os Servidores que honram a Srª Justiça, tendo como exemplo o Juiz Dr. Sergio Moro e sua Equipe MPF e PF.
    Drª Carmen, cassar a liminar dos servidores estaduais, sendo massacrados pelos ladrões do Cofre público, que estão na luta do pão de cada dia, e proteger Renan, o Amoral, colocou a Srª Esperança na UTI, de forma terminal.
    Como acreditar, que estamos numa Democracia, creio, que estamos numa Republiqueta Democradura.
    Brasil, quando voltarás a ser Digno e Justo para seu povo trabalhador, vilipendiado pela corja pública e privada!?!???
    Rui Barbosa: A Fome é má conselheira.
    87 anos, nunca vi tanta hipocrisia e corrupção dos 3 poderes, estão mais que podres e irresponsáveis, viva a republiqueta Democradura, que massacra o Povo trabalhador. PSDB, virou sócio do PMDB, ~tá difícil o Zé povinho viver ou sobreviver, está escravo da falsa nobreza, que lhe tira o pão de cada dia,
    Falta um Estadista.

  2. Já estão lavadas e passadas minha camisa amarela e a calça azul. Às ruas, para acabar de vez com esta camarilha que assola o Congresso Nacional.

    CN – curiosidade: ao mandar uma primeira vez este comentário, foi recusado com a seguinte informação:
    “calma aí, você está encaminhando rápido demais”.
    Muito estranho.

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