Anistia Internacional acusa o novo governo da Líbia de torturar os presos políticos.

Carlos Newton

Em meio às apressadas negociações para a exploração de petróleo na Líbia, começa a surgir a realidade do novo governo, conhecido como Conselho Nacional de Transição, que já está sendo denunciado pela Anistia Internacional, devido a prisões arbitrárias, torturas e outras violações dos direitos humanos.  

Depois de visitarem 11 centros de detenção no oeste da Líbia e colher os depoimentos de 300 prisioneiros, entre 18 de agosto e 21 de setembro, os analistas da Anistia Internacional elaboraram o relatório “Detention abuses staining the new Libya” (Abusos de detenção maculam a nova Líbia).

Coordenado pela egípcia Diana ElTahawy, responsável pela atuação da Anistia Internacional no norte da África, o documento de 27 páginas aborda o tratamento a 2,5 mil presos políticos detidos pelo novo governo líbio, sob acusação de apoiar o ex-ditador. Entre os presos, há grande número de supostos mercenários oriundos de países da África Subsaariana.

“Estamos preocupados com o fato de a milícia armada de oposição a Kadafi ter realizado milhares de prisões arbitrárias. Os indivíduos estão detidos em instalações não supervisionadas pelo Ministério da Justiça”, afirmou Diana ElTahawy ao repórter Rodrigo Craveiro, do Correio Braziliense, por e-mail.

Segundo a autora do relatório, vários prisioneiros se queixaram de tortura. “Os métodos frequentemente relatados a nós incluem pancadas por todo o corpo com cintos, varas, coronhas de fuzis e mangueiras de borracha; socos; chutes e ameaças de morte”, contou a especialista. “Antes das torturas, os detidos eram obrigados a deitar no chão, ajoelhar-se ou ficar de frente para a parede”, acrescentou. Prisioneiros relataram aos representantes da Anistia Internacional que os guardas apagaram cigarros na pele deles.

“Parece-me que eles têm sido abusados para ‘confessar’ crimes”, disse, acrescentando que a vulnerabilidade à tortura é maior nos primeiros dias após a captura, especialmente antes de os suspeitos serem transferidos para os centros de detenção formais.

Diana ElTahawy cobrou uma iniciativa do governo provisório (que ameaça se tornar permanente) para pôr fim aos abusos, “antes que eles se tornem comuns na nova Líbia”. “Eles precisam enviar uma clara mensagem de que tais comportamentos não serão tolerados, como eram no antigo regime”, salientou, revelando que as entrevistas com os detentos foram feitas sem a presença dos guardas. “Os presos nos mostraram cicatrizes consistentes com os depoimentos. Dois guardas admitiram que batem nos detentos para extrair deles a confissão rápida”, emendou.

Traduzindo; durante 40 anos, os líbios foram obrigados a se curvar à ditadura de Muamar Kadafi. Torturas, prisões arbitrárias e outras violações dos direitos humanos eram práticas comuns em seu governo. O regime se esfacelou, os chamados rebeldes assumiram o poder informalmente, mas quase nada parece ter mudado. Ou seja, só mudou a exploração das riquezas do país.

 

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