Antecipação de quatro anos na sucessão presidencial

Carla Kreefft

A antecipação da campanha eleitoral de 2014 pode ser ainda maior do que parece. Os maiores partidos já começaram a se organizar com vistas à disputa presidencial, inclusive expondo seus nomes. Mas, provavelmente, boa parte do que tem se tornado público é apenas um ensaio. Trata-se de uma preparação já pensada para a eleição de 2018.

Excetuando-se os nomes do PT e do PSDB, que, mais uma vez, devem polarizar a corrida pelo Palácio do Planalto, os outros pré-candidatos já colocados trabalham com expectativas mais longínquas. Parecem ser esses os casos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e, até mesmo, de Marina Silva, que luta para registrar a sigla Rede Sustentabilidade.

Os socialistas, embora tenham sido donos do melhor resultado eleitoral nas duas últimas eleições, ainda precisam mesmo de mais estrada, como já foi dito por uma de suas principais lideranças: Ciro Gomes. O PSB carece de uma identificação com o eleitorado. Até o momento, o partido oscila entre o alinhamento com o PT e com o PSDB. Em meio a essa dualidade, ainda não conseguiu definir seu papel.

INDEFINIÇÃO DO PSB

Minas Gerais e, mais especificamente, Belo Horizonte são territórios em que a indefinição socialista se mostra muito clara. O partido, na primeira gestão do prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda, teve ao seu lado petistas e tucanos. Agora, neste segundo mandato, tem no PSDB seu principal aliado. A legenda é base do governador Antonio Anastasia (PSDB) e também da presidente Dilma Rousseff (PT).

Eduardo Campos, sem dúvida, está se consolidando como uma grande liderança nordestina, mas, com certeza, teria muita dificuldade, por exemplo, de registrar um bom desempenho no Sul e no Sudeste, onde os dois polos estão bem-consolidados. Já a ex-senadora Marina Silva, que foi uma grande surpresa em 2010, não tem mais o PV como guardião e terá que fazer muito esforço para colocar sua legenda em evidência. Além disso, ela poderá ter que dividir seu eleitorado com os verdes, que já não escondem que podem lançar Fernando Gabeira.

Em resumo, as chamadas terceiras vias terão problemas que, em 2018, poderão estar resolvidos ou não. Mas, certamente, não estarão solucionados em 2014. É óbvio que esse quadro não é desconhecido dos pré-candidatos. Mas a manutenção das pré-candidaturas é uma forma de fortalecer o nome para uma disputa futura, motivo pelo qual os alternativos vão insistir em fazer a encenação.

Ao contrário das terceiras vias, PT e PSDB não poderão se dar ao luxo de fazer campanhas artificiais. Para eles, o jogo é duro e vale campeonato que pode terminar no primeiro turno se os alternativos não ajudarem.

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