Antes de anunciar plano para paz na Síria, a ONU teve de pedir autorização à Rússia e à China.

Carlos Newton

Interessante e revelador o trabalho da agência de notícias IranNews. Muitas horas antes de começarem a circular as informações do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a agência iraniana, mostrando a estreiteza das relações entre Irá e Síria, já havia divulgado que o governo sírio aceitara uma proposta de paz da organização internacional para um cessar-fogo .

Aqui no Brasil, o site Pátria Latina, do jornalista Valter Xéu, imediatamente retransmitiu a informação da IranNews, relatando que o governo sírio estava disposto a aceitar o plano da ONU, que tem apoio da Liga Árabe.

O mais interessante é que Kofi Anan foi a Pequim para pedir a benção da China ao plano de paz. Como se sabe, China e Rússia estavam usando seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para impedir que se repetisse na Síria a mesma invasão/ocupação militar ocidental verificada no Iraque, no Afeganistão e na Líbia.

Annan disse ao premiê chinês, Wen Jiabao, que enfrentou uma longa e difícil tarefa em sua missão de acabar com o conflito na Síria, mas que a cooperação global com a China e outros países foi a única maneira de fazê-lo.

“Indiquei que havia recebido uma resposta do governo sírio e que a tornaria pública hoje (terça-feira), que é (uma resposta) positiva, e esperamos trabalhar com eles para traduzi-la em ação”, disse Annan a jornalistas em Pequim após reunião com Wen.

“Tenho um plano de seis pontos apoiado pelo Conselho de Segurança, que inclui questões de discussões políticas e retirada de armas pesadas e tropas de centros populacionais, acesso livre de assistência humanitária, libertação de prisioneiros, liberdade de circulação e permissão para entrada e saída de jornalistas”, disse ele. “Então teremos que ver como vamos avançar e implementar este acordo que eles aceitaram.”

“E eu sei que você já tem sido útil, mas isso vai ser uma tarefa longa e difícil e tenho certeza de que juntos podemos fazer a diferença”, disse Annan a Wen.

Detalhe importantíssimo: a viagem de Annan à China acontece depois de uma visita à Rússia, onde pediu ao governo Putin apoio para a sua missão de acabar com conflito na Síria. Portanto, fica comprovado que o mundo não vive mais sob hegemonia dos Estados Unidos, e hoje o poder já está sendo dividido novamente com a Rússia e agora também com a China. Muito interessante e revelador.

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