Ao afastar Cunha, Supremo ajudou Temer a ganhar confiança da sociedade

Charge do Nani (nanihumor.com)

João Domingos
Estadão

O maior beneficiário do afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do cargo de deputado federal e, consequentemente, da presidência da Câmara, é o vice-presidente Michel Temer. Seu eventual governo ganhará muito em credibilidade sem a presença de Cunha, que no cargo de presidente da Câmara passaria a exercer o papel de vice-presidente. Réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, por ter se beneficiado do esquema na Petrobras e em outros órgãos da administração federal, a presença de Cunha na condição de virtual vice-presidente era desaprovada pela ampla maioria da população, conforme as recentes pesquisas de opinião pública.

MEDIDA LIMINAR

Como se sabe, o afastamento de Eduardo Cunha do cargo de deputado federal foi decidido liminarmente pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso Lava Jato no STF. Ele atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), feito ainda no fim do ano passado.

O procurador Rodrigo Janot alegou que Cunha criou um “balcão de negócios” na Câmara, “vendeu” atos legislativos e “tumultuou” a elaboração de leis. Janot acusou Cunha de agir com a intenção de proteger a “organização criminosa” da qual faz parte.

O PRIMEIRO RÉU

Em março, Cunha foi o primeiro congressista a ser tornar réu na Lava Jato. A Corte investiga se ele cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema de desvios de dinheiro da Petrobrás. De acordo com o que foi apurado pelo Ministério Público, o agora afastado presidente da Câmara recebeu propina de lobistas de pelo menos US$ 5 milhões. Em troca, ele teria viabilizado o contrato de navios-sonda pela Petrobrás.

Desde o julgamento do escândalo do Mensalão do PT, o Supremo tem se pautado muito pela opinião da sociedade. Justamente por isso,  decidiu afastar Cunha em definitivo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A situação era interessante, instigante e inquietante. Sob a égide de Lewandowski e em meio à bagunça institucional reinante nos extertores da Era do PT, o Supremo estava com duas questões simultâneas com idêntico objetivo – o afastamento de Eduardo Cunha – e cada uma delas tinha um relator. Tecnicamente, iria entrar em julgamento quinta-feira a ação da Rede de Marina Silva, com Marco Aurélio na relatoria. Mas idêntica questão já estava julgada, em sede de liminar, pelo outro relator Teori Zavascki. A situação era patética e até ridícula.  Zavascki deu um xeque-mate em Lewandowski, sob fogo cerrado de outros ministros que se preocupam com a crescente desmoralização do Supremo. Foi simples assim. Lewandowski acompanha seu querido PT e também está em baixa. (C.N.)

2 thoughts on “Ao afastar Cunha, Supremo ajudou Temer a ganhar confiança da sociedade

  1. Três is, interessante, instigante e inquietante. E sobre o Lewandowski, ele é a prova de que o PT não teve talento para aparelhar a corte, pois o ministro é do início do governo Lula, quando a agenda do PT ainda começava. Mas na sorte conseguiram um aliado.
    Também é triste ver a figura ridícula que o Lewandowski se tornou pois nem o Dias Toffili é tão fiel ao partido

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