Ao anunciar que está contaminado, Bolsonaro tentou criar uma cena triunfal no Alvorada

O cena triunfal de Bolsonaro: Foto: Reprodução/TV

Para sair vitorioso, Bolsonaro diz que se curou com cloroquina

Rosângela Bittar
Estadão

A euforia com que o presidente Jair Bolsonaro anunciou ter conseguido o atestado médico de contaminação pela covid-19 só foi superada pela revelação final de que ficou bom com duas doses da cloroquina que, “como queria demonstrar”, é o medicamento mais adequado e prodigioso para o tratamento da doença pandêmica. Não importa se a ciência e o mundo civilizado tenham provado o contrário, o que importa é tornar a propaganda mais eficiente para baixar os imensos estoques.

Ao longo dos últimos cinco meses, Bolsonaro procurou demonstrar que todas as teorias que haviam lhe rendido protestos, críticas e o título de pior líder mundial no combate à pandemia estavam corretas.

BULA HOMICIDA – Ele condenou tudo o que a ciência recomendou e fez uma bula homicida, agravada por ser da lavra de um presidente da República que serve de mau exemplo; condenou o isolamento social, quis o fim da quarentena com a abertura do comércio, vetou o uso de máscaras e evitou usá-las, incentivou aglomerações, buscou a própria contaminação e levou risco aos próximos.

O presidente brasileiro submeteu os ouvidos da nação a considerações absurdas, como a que atletas são resistentes ao vírus e brasileiros não se contagiam facilmente porque estão acostumados a mergulhar no esgoto. Não foram poucas as escandalosas interferências, na marra, para impor sua vontade, entre elas a demissão de dois ministros da Saúde médicos que ousaram contestar sua conduta leiga.

TODOS VÃO MORRER – Aprendeu-se com Bolsonaro que, como todos vão morrer, um dia, não tem importância morrer agora, desde que esteja aberto o salão de beleza. Conseguiu o que sempre quis, o que procurou ao andar à beira do abismo, incluir-se no rebanho da contaminação ampla por desobediência às regras sanitárias.

Recusando a autoria da devastação do Brasil, Bolsonaro, covardemente, eximiu-se mais uma vez de responsabilidade pela crise sanitária avassaladora insistindo que as atribuições de combate à doença são exclusivas de Estados e Municípios.

Os últimos dias foram pródigos em transgressões: fez inauguração, viajou a Estados, reuniu-se com empresários, encontrou políticos, recebeu ministros, sempre sem proteção. Porém, a irresponsabilidade de Bolsonaro e a personalidade subserviente dos ministros e auxiliares atingiu o paroxismo no sábado, dia 4, data nacional dos Estados Unidos.

ALTA IRRESPONSABILIDADE – Uma foto do almoço na residência do embaixador americano Todd Chapman revela Bolsonaro abraçado ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ladeado pelos generais Fernando Azevedo (Defesa), Braga Netto (Casa Civil) Luiz Eduardo Ramos (secretário de Governo) no almoço da embaixada americana, em Brasília. Todos sem máscara.

Duvida-se que a cena, emblemática por todos os seus aspectos, tenha ocorrido na embaixada dos Estados Unidos no Japão, na Índia ou na Alemanha. Ou que, no 7 de setembro, Donald Trump compareça à embaixada brasileira com seu staff de guerra para erguer uma taça de caipirinha.

O presidente contaminado manteve o comportamento irracional que sempre teve com relação à covid-19, enquanto se mantém elevado também o número de mortes diárias pela doença.

17 thoughts on “Ao anunciar que está contaminado, Bolsonaro tentou criar uma cena triunfal no Alvorada

  1. É tão irracional as atitudes do nosso presidente, que fica difícil diagnosticar o motivo do seu comportamento. Mas uma coisa é certa, vamos sofrer cada vez mais, pela má escolha feita em 2018. Que os apoiadores sejam mais cautelosos em 2022. Até lá salve se quem puder.

  2. Mas o Presidente Jair Messias Bolsonaro já foi desmascarado , só não vê quem não quer , uma vez que ele é ” MENTIROSO DE CORPO E ALMA TODO ” , não duvido que não esteja mentindo quanto á contrair ” COVID-19 ” , uma vez que esta cercado de ” TÍTERES e LACAIOS ” , para servi-lo

  3. Se outrora, ele era um garanto-propaganda da Cloroquina, mesmo não sendo médico ou cobaia dela, agora o seu poder de convencimento deve ter-se reforçado. Vítima, Bolsonaro vai associar a sua “panacéia” a outros medicamentos eficazes: curado, credita a terapia à Cloroquina. Copiando os pastores taumaturgos: o médico cura, depois o fiel vai dar seu testemunho, com toda a papelada comprovando os procedimentos clínicos. Mas, no final da explanação, o reverendo atribui a façanha à intercessão que ele estabeleceu entre o paciente (ovelha) e Jesus.

  4. Como disse, antes, com sinceridade.
    Estou cético (!) quanto à contágio de Bolsonaro.
    Acham mesmo que Bolsonaro contraiu coronavírus (?)
    Fez toda essa cena agora.

    Não revelou exames quando supostamente deu negativo.
    Agora divulgou quando deu positivo.

    E ao contrário do primeiro exame, não identificado com seu verdadeiro nome, dessa vez usa o nome verdadeiro…
    Ué, cadê a alegação de questão de segurança nacional para preservar a identidade dele (???) coube antes e não agora (?)

    E tem ainda quer e ver direitinho esse laboratório (Sabin), que tal como o hospital (Einstein) da facada, gera muitas dúvidas…

    E mais. Isso num momento que estava o Bolsonaro para prestar depoimento à PF. Só para ter que fazê-lo por escrito (será?) e ainda no dia que o filho Flávio prestou esclarecimentos ao Ministério Público do RJ, sobre as rachadinhas. Tem ainda a possível tentativa de tirar o foco no Wassef (aquela contratação do advogado do Presidente e do seu filho por uma Concessionária que opera um aeroporto por 5 milhões e tendo ainda três aditivos tem muito ainda que averiguar)

  5. O verdadeiro motivo para que o seu Jair esteja fazendo propaganda da Cloroquina é esse abaixo, pois mandou produzir o medicamento em grande escala e esses estão encalhados.

    “A média da produção do laboratório do Exército era em torno de 200 e 250 mil comprimidos a cada dois anos, já que ela era voltada ao consumo interno e para combater a malária. A nova meta de produção, em meio à pandemia, é de 1 milhão de comprimidos por semana, e já superou os 500 mil a cada sete dias em abril.
    Em meio a isso, a produção em massa da cloroquina pelo Exército passou a receber até a ajuda dos laboratórios químicos da Marinha e da Aeronáutica. Sem demanda para a oferta gerada pela nova produção a conta começou a ficar cara demais.”  (Veja – 15/05/2020)

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