Ao criticar os Poderes da República, lembre-se de que é o próprio povo que vota para elegê-los

TRIBUNA DA INTERNET | Charge do Duke

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Antonio Fallavena

Dizem que o Brasil não merece os três poderes que tem! Aliás, poucas vezes teve algum deles que lhe faria justiça. Agora, o povinho safado, corrupto, omisso, inculto e sem vergonha… bem, este merece as três composições atuais e a maioria das que as antecederam!

Ontem, fui questionado por ter escrito coisa semelhante. Dizia meu interlocutor que a classe da elite e os governantes não respeitam o povo, exploram-no todos os dias. Ficou chateado quando lhe perguntei: “Quantos da elite temos no Brasil? E quantos são aqueles que votaram nos poderes executivo e legislativo, elegendo seus dignos representantes?”

O Brasil não merece os três poderes que tem! Mas o povo os merece e muito!!!

DIZIA O FILÓSOFO – Estou cansado de escrever sobre isso e muitas vezes, não ser compreendido. Assim, em homenagem àqueles que compreendem o que está acontecendo conosco, aqui vai algo que nos diz respeito:

“Ferrenho defensor do regime monárquico e crítico fervoroso da Revolução Francesa, o filósofo francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821) escreveu seu nome na história ao lançar a expressão “cada povo tem o governo que merece”. Datada de 1811, a frase registrada em carta, publicada 40 anos mais tarde, faz referência a ignorância popular, na visão do autor a responsável pela escolha dos maus representantes.”

UM BOM EXEMPLO – Dizem que a Lava Jato corre o risco de desaparecer por falta de vontade política. Correto, mas não só dos políticos.

Onde está o povinho para defendê-la? Está dividido entre defender a corrupção (esquerdopatas e direitopatas) e a parcela que sempre espera os outros! Se quem paga não tem cuidado com seu dinheiro, não é quem rouba que terá! Se a democracia é o povo no poder; se o voto é a arma do povo; se é o povo que elege executivo e legislativo, vamos cobrar de quem o ato cometido?

Nosso problema central é que escolhemos mal e não descobrimos as fórmulas de não errar tanto e de poder retirá-los de onde os colocamos, antes de do prazo concedido! Um dia, ainda não sei quando, a parcela consciente e consequente da sociedade criará juízo e assumirá o comando da nau dos insensatos!

36 thoughts on “Ao criticar os Poderes da República, lembre-se de que é o próprio povo que vota para elegê-los

  1. Falamos muito de podres poderes, de excesso de partidos, de políticos desonestos, de povo que vota mal e esquecemos de um dos maiores, senão o maior dos problemas atuais da humanidade: o excesso populacional. Faz tempo que a Terra já perdeu a capacidade de sustentar tanta gente e degradar tanto lixo ! Até o imenso oceano já está envenenado ! Daí as pandemias e o incalculável número de mortes, Isso é uma lei da natureza. Quando qualquer população, seja de que animal for, exacerba, ela se encarrega de eliminar os excessos. Mas não precisaria ser de forma tão violenta. Bastava o simples CONTROLE DE NATALIDADE !!! Mas aí entram as religiões e, algumas, baldeiam tudo. Não estou falando de pecado (essa coisa tão mal definida), nem de abortos. Estou falando de CONTRACEPTIVOS (camisinha, pílula, etc.) Homens e mulheres podem continuar a ter prazer sem se multiplicar tanto! Quando Deus disse “crescei e multiplicai-vos”, Ele não falou em excessivamente ! Pense nisso. Outro dia.dei carona a uma senhora que teve 25 filhos !!!

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    • Isso eu falo desde 1970. Estava no colégio, numa aula de filosofia, quando um professor abordou esse tema. Ele disse que olhássemos as casas com numerosas crianças e imaginássemos o futuro. Como arranjar empregos para todos, continuando com aquela taxa de natalidade? Haveria, no futuro, uma explosão de pobreza, de falta de moradias dignas. Não deu outra.
      Hoje, a taxa de natalidade entre os que têm mais renda diminuiu muito, mas ainda continua alta entre os que menos possuem.
      Os governos passam e não fazem campanhas sólidas pela redução. Algumas poucas iniciativas de alguns governos estaduais ou municipais são bombardeadas pela imprensa e, principalmente, pelas igrejas.

    • A Explosão Demográfica é a causa e o consumismo a concausa de quase todas as desgraças contemporâneas.
      Se não estivéssemos vivendo um processo de Superpopulação, o tsunami ocorrido em 2004, no Oceano Índico, não teria ceifado tantas vidas: porque o litoral não estaria densamente povoado.
      Cada indivíduo que nasce, constitui-se num agente multiplicador de problemas; nem precisa ele agir, basta existir. Onde surgiram as maiores pandemias? Qual é a posição da China no ranking populacional? Mais gente, mais vítimas/vetores, mais uma peste se dissemina com maior velocidade!

      • Antonio, José e Paulo, tem tudo de correto o que os tres escreveram. Nada contra ser pai/mãe mas com cuidados e qualidades necessárias. Para o que os tres levantaram, precisamos avaliar em vários textos. Obrigado pela contribuição. Será mais um item a ser tratado, com profundidade e responsabilidade, brevemente.
        Abraço fraterno em todos voces.

  2. Prof. gosto muito de ler os seus artigos, porque você
    é um dos raríssimos, que não usa daquela demagogia para deleitar a massa.
    No Brasil, há duas premissas cruciais, as quais a grande parte da sociedade se nega a discutir:
    1- A maioria da população não presta ou;
    2- Existe uma minoria “super imunda”, mas muito bem cartelizada, e representada no poder constituído e nas leis.
    Uma autoridade constituída pelo sufrágio popular, em última análise, representa, com a sua conduta, o suprassumo da comunidade votante que a escolheu.
    E não vale aqui aquele chororo de donzela deflorada: “Ah, o canidato pulico me inganô”. Ou aquela esquiva sem vergonha: “Eu hein, o diabo quem votô nele!” Esta sengunda é análoga à reação, em um grupo, quando escapa um pum mudo: “Cruz credo, quem foi esse desgraça; tu tá podre infeliz”. Pum mudo = voto secreto!
    Ora, se um mesmo candidato me engana a primeira……..a sétima vez e, ainda assim, eu insisto no mesmo erro, votando nele. Então sou burro ou conivente. Hoje eu não tomo um determinado veneno, porque ontem alguém o ingeriu e se deu mal.

    • Paulo III, agradeço comentário e a oportunidade de reiterar no que acredito. E pensas da mesma maneira! Errei, o erro é meu e não do outro. Verdade não é coisa que se compra mas que se enxerga! E é uma só.
      Abraço
      Fallavena

  3. A gente deveria ter empatia quando fala com desprezo do povo. Ora, dizer que o povo deveria votar melhor, ser altruísta quando lhe falta ou apenas tem o básico?

    Aqueles que detém o poder, que têm o pleno reconhecimento das mazelas existentes querem manter seus privilégios. A ganância, o egoísmo vão ao encontro da natureza humana, por isso o capitalismo foi a vertente econômica que prevaleceu.

    • Jose Vidal, lembra do ditado “quem não tem competência que não se estabeleça”, ele também vale para quem não sabe o que vai fazer! Se o poder emana do povo e a maioria não sabe o que faz, como poder será o que se precisa\? Entendo que o erro está em exigir-se algo que o outro não compreende!
      Como alguém pode votar se não sabe nada do candidato, do que sejam podres, estado, democracia e tudo mais? Estes conhecimentos não dependem da formação, dos recursos financeiros, da classe social do eleitor! Cada voto sem noção/conhecimento anula um voto de valor! É isto que falta a nossa democracia atual. Isto fica mais presente quando o eleitor vota por votar, de qualquer maneira ou interesses pessoais.
      Tomara um dia, pessoalmente, se possa debater estes temas. Agradeço ajudares no debate.
      Abraço
      Fallavena

  4. Quem conhece bem o povo brasileiro, não se surpreende com a qualidade dos políticos, que não caem do céu ou vem do exterior.
    Sabemos muito bem de onde saem os políticos, e um eleitorado que vota em troca de uma “dentadura”, apoia que lhe dá bolsa família e auxilio emergencial, ai vai ser difícil se conseguir mudar alguma coisa.
    Povo ignorante e miserável, é bem fácil ser manipulado.

    • Um bandido só consegue homiziar-se numa comunidade, quando ele encontra ressonância nela. Não é possível um camaleão vermelho se camuflar numa floresta verde, facilmente será enxergado pelo seu predador; assim como não será viável um barco ficar inerte sobre um mar revolto. Entenda-se Floresta e Mar com o matiz e a vibração do povo respectivamente.
      Essa pseudopiedade de achar que as pessoas são “coitadinhas”: pode ser ausência de discernimento, coexistência provinciana, ignora porque tira proveito da situação; ou as três cegueiras num só pacote.
      Se a polícia fosse ouvir todas as justificativas de uma gente cínica qual a nossa, prevaricaria a todo minuto ou não existia força policial.

    • Luiz R, tens razão. É preciso entender que aos espertos foi dado a condução do processo. Quanto mais espertos forem, mais perdas para a sociedade! O voto é uma moeda de troca, mas é muito mais uma moeda de compra e de enganação! Basta ver-se o que estão fazendo com as mulheres e adolescentes! Isto é um capítulo imenso a ser abordado. Alguma dúvida que vivemos o maior período de ignorância política? E como escolher melhor? A maioria escolhe a”bangu”. Os que estudam, analisam e pensa, além de minoria, veem seus esforços e votos jogados no lixo, a cada eleição. É preciso mudar e muito a forma de escolher nosso representantes. E não podemos ter medo de expor as mazelas da política e de boa parcela da sociedade!
      Abraço
      Fallavena

    • Armando, amigo, confesso pensei nisto também, centena de vezes! Só não assumi porque sempre me vinha a mesma mensagem: “se não votar, como cobrarás?” E lá me ia às urnas. Felizmente, por sorte ou juizo, ao longo de 50 anos, elegi poucos! Analiso muito o voto que darei e, acredite ou não, cada vez mais os eleitos são piores! Isto acalma meu coração. Parece que tenho votado bem, a vida toda! Alguns ajudei a eleger.
      Sugiro ao amigo fazer o mesmo, mas não deixar de votar.
      Abraço
      Fallavena

  5. Tem uma turma de gaúchos que abrilhanta a TI. Lamento não poder me incluir nessa lista por motivos óbvios.

    Fallavena mais uma vez levanta um debate interessante, que seria a culpa do povo pela situação que se encontra o país, e milhões de brasileiros que estão à margem da sociedade porque pobres, miseráveis, desempregados e analfabetos absolutos e funcionais – sei que estou sendo repetitivo, mas é o nosso maior problema há décadas, e que aumenta vertiginosamente a cada ano que passa.

    Em razão da cultura do articulista, seus conhecimentos sobre política e educação, a forma como escreve, brilhante, simples e direta, o meu caro amigo Fallavena vai na jugular da crise impiedosamente:
    A culpa é nossa, do povo!

    Sem qualquer contestação é aplaudido por comentaristas de renome, gente inteligente, que qualifica o blog, então sou um de seus admiradores.

    No entanto, por eu pertencer ao povão, à plebe ignara, pulo nas patas de trás para me defender dessa acusação, de ser culpado pelo momento caótico que vivemos há décadas politicamente, pois isentando, de certa forma, os políticos, o parlamentar corrupto, pelo fato de que foi eleito; não pediu para ir para a política; candidatou-se, e se não sabíamos quem era, temos que chorar na cama porque lugar quente.

    A grosso modo, o raciocínio e conclusão de Fallavena estão corretos. Aliás, a roubalheira que se instalou no Brasil há mais de três décadas tem como causa a permissão popular, reconheço.
    Mas, o meu amigo e conterrâneo esqueceu – todo sábio é distraído! – de mencionar as causas pelas quais votamos mal, elegemos corruptos e incompetentes, acreditamos em suas demagogias!

    Se o parlamento é a cara do povo como é dito “pela aí”, então nossos representantes são pessoas desqualificadas, desonestas, incompetentes, precisamos ter consciência dos motivos que teimamos em eleger bandidos, pessoas de má fé, má índole, corruptas, haja vista que não posso aceitar que TODA A POPULAÇÃO BRASILEIRA seja composta por bandidos, gente de má fé, má índole e corrupta!

    A minha defesa dessa acusação que me é feita reside no fato de circunstâncias, decisões, planos de governo, intenções dos poderes constituídos terem agido no sentido de nos deixar dessa forma, imbecilizados, apalermados, em face de alcançarem com mais facilidade seus objetivos!

    Ora, ora, não posso ser acusado pelos erros alheios; se elegi pessoas confiando que fariam um bom trabalho e depois decepcionaram, frustraram seus eleitores, a culpa até aceito como parcial, porém não que seja exclusiva minha, do eleitor!

    E me fundamento na educação, que hoje é deprimente, sofrível, abandonada completamente, ainda mais quanto aos Ensinos Fundamental e Médio.

    Se elegemos pessoas de baixo nível, com desvios de caráter, demagogas, desonestas, e continuamos nessa via crucis indefinidamente, das duas uma:
    Ou somos mesmo todos ladrões ou a maior parcela do povo está sendo iludida porque não tem referencial algum para julgar quem é quem, em face da sua ignorância, que decorre da sua extrema dificuldade em interpretar a política deletéria e mal intencionada que os eleitos edificaram!

    Vamos e venhamos:
    Duvido que alguém elegesse parlamentares que, instalados no congresso ou assembleias ou câmaras municipais, aumentassem seus proventos, privilégios, regalias, mordomias e penduricalhos, caso essas intenções fossem confessadas!

    Pais enganam filhos; filhos mentem para seus pais, em consequência, nas eleições temos de saber previamente quem é bom ou ruim?
    Competente ou incompetente?
    Honesto ou desonesto?
    Como saber com esse nível educacional fraquíssimo que temos e nos caracterizamos??

    E de quem é a culpa pelo ensino que temos?
    Não é do povo, mas do governo!

    Logo, se elegemos mal e é indiscutível essa falha do povo, a bem da verdade ela tem uma causa, uma razão, motivos suficientes que justifiquem e expliquem os porquês de agirmos dessa maneira que, a meu ver, encontra-se na falta de ensino/educação condizentes este defeito que nos é peculiar.

    E não é a população brasileira em geral que vota erradamente, não.
    Se a maioria coloca no poder gente ruim, temos uma boa parcela de cidadãos que os renegam, que são aqueles com estudos, que pensam por si mesmos, que sabem quem são os mal intencionados.

    Por exemplo, neste blog e nesta página, constato pessoas que não podem ser consideradas culpadas pelos péssimos e corruptos parlamentares eleitos:
    Fallavena, Vidal, Paulo III, Moreno, Armando, Luis R, Antônio … porque foram enganadas, iludidas, agiram com boa fé.

    Do jeito que Fallavena colocou, simplesmente elegeremos safados eternamente, até o fim dos tempos porque somos … IGUAIS!

    Não, não me considero da mesma laia que os ladrões do povo e do país.
    Se fui impulsionado para eleger desqualificados, deu-se em razão de que me faltam elementos para discernir, conhecer, saber, interpretar.
    Porém essa condição de ignorância, advém da omissão governamental de impedir que o povo tenha estudo, que saiba decidir, que não seja manipulado como tem sido covardemente!

    Mais a mais, se o meu caro amigo Fallavena conclui que a culpa é nossa, que não podemos sequer dividi-la com os criminosos parlamentares, então a solução para evitarmos essa repetição de erros clamorosos é, surpreendentemente, democrática:
    Que não sejamos mais obrigados a votar.
    Se os eleitos foram os mesmos corruptos de sempre saberemos quem acusar, sem cometer o pecado da generalização, convenhamos.

    Enfim, credito à má educação/ensino e a nossa relativa democracia, as causas de a política se encontrar desse jeito podre, fedorenta, asquerosa, corrupta, desonesta, incompetente e inútil!

    Agora, se Fallavena escrevesse que o povo é culpado pelo que o parlamento faz com ele e com o Brasil, eu o aplaudiria efusivamente, pois estamos sendo mais do que omissos e, sim, irresponsáveis com o país e conosco ao mesmo tempo.

    No entanto, me culpar porque elejo gente ruim, o meu caro amigo Fallavena deveria iniciar o seu artigo com um ato de contrição, menos apontar o dedo para analfabetos absolutos e funcionais, ignorantes, gente pobre e miserável, pessoas desempregadas e desqualificadas, como origem do parlamento nacional ser tão desmoralizado e ladrão!

    (Fallavena é meu amigo de longa data. Pessoas do seu nível intelectual me animam a debater, discutir, pelo fato que preciso aprender, então entendo que é através da contestação que vou conseguir o meu objetivo. Logo, desnecessário eu explicar o meu comentário ao articulista, onde coloco os meus argumentos, as minhas razões, as minhas desculpas pelo crime pelo qual sou acusado que, na minha ótica, tenho atenuantes para amenizar o meu castigo).

    Abração, meu caro.
    Saúde e paz.
    Te cuida, meu!

  6. É isso aí! Disse tudo!!
    Somos escravizados pela ignorância da imensa maioria e pela cagação mole dos que conhecem o caminho das pedras, mas não querem fazer nenhum esforço para ver o país melhorar.
    Ô povinho sem sorte! Ô paiszinho sem jeito!!

    Vade retro, ignaviae!!

  7. Sr José Vidal, é notório que não é minha praia discutir com o senhor, tão opostas e diferentes são nossas convicções, mas decorridas duas horas e não tendo ocorrido a manifestação do Bendl nem do Fallavena, arvoro-me, indevidamente, em defensor argumentativo dos dois.
    O senhor pode ter até razão quando defende a tese de que a corrupção monetária é efeito de uma propensão moral ou educacional e aí seria premissa basicamente psicológica do fenômeno.
    Mas, eu entendi que eles se referiam às consequências sócio-econômicas, dos crimes de corrupção continuamente praticados na Administração Pública, sobre os cidadãos, e aí, num sentido “lato sensu” não há como negar a identificação causa efeito com a relação corrupto/cidadão, ou PT/povo.
    A corrupção pública, inclusive, possui uma curiosa conformação, ela ao mesmo tempo que é causa, também é efeito, como diz o brilhante procurador Deltan Dallagnol, confirmando minha tese, “a corrupção é um sistema que se retroalimenta.
    Saudações

    • Caro F.Moreno,
      acho que diferimos no sentido de que a corrupção material é causa. Penso que ela é consequência.
      Assim como em acidentes: o visível é o acidente, as causas estão lá escondidas. Vemos e damos bola ao visível. Assim como o iceberg, onde a maior parte está lá submersa.

      Vejamos o caso das empresas e suas “doações”. Ela foram proibidas, porque as “doações” aos candidatos e partidos eram apenas a parte visível. O superfaturamento para permiti-las estavam escondidos. É preciso ainda aperfeiçoar mecanismos para que as doações físicas sejam realmente legais.
      E as empresas públicas porque são falhas? Devido a falta de mecanismos de controle (chamado de compliance ou conformidade que evitam ou minimizam as possibilidades de desvio).
      Enfim, poderia continuar citando vários exemplos para demonstrar o porquê de minhas convicções, mas acho que esse exemplo bastam.

      O importante, o essencial é que desejamos um país melhor, que tenha um caminho verdadeiro para um futuro mais digno ao seu povo. Divergimos apenas nos meios necessários para atingirmos essa meta.

      Saudações tricolores.

  8. Meu caro Vidal,

    Obrigado pela lembrança sobre a corrupção, onde afirmo que a material (mensurável, calculável, visível) é mais importante que a moral.

    Li os dois link que gentilmente postaste, que enfatizam o teu pensamento ser diferente do meu.
    Penso daqui, penso de lá, ambos os artigos me deixaram mais convicto quanto à minha razão nesse tema:
    A corrupção material, o dinheiro roubado, as propinas, legislação em causa própria, salários autoconcedidos, privilégios, mordomias, regalias, penduricalhos, impunidade, verbas generosas gastas com despesas dos poderes constituídos … tais crimes são reais porque traduzidos em danos e prejuízos, enquanto a corrupção moral seria apenas um pressuposto para o delito, não necessariamente que ele seja praticado.

    E onde me fundamentei mais ainda para manutenção do que entendo?
    No primeiro artigo, o autor pecou pela generalização.
    Se todos nós precisamos ser honestos, sérios, o articulista esqueceu que as autoridades além de necessitarem ser honestas, elas devem ser mais do que o povo, pois o exemplo vem de cima, e não da massa para as autoridades!
    Ora, acusar a falta de educação em casa como corrupção, os problemas de lares mal constituídos, o autor extrapola, exagera, e quer agradar os corruptos misturando-os aos honestos, e os honestos com os corruptos!

    Na esteira do que disse o próprio articulista, ele é corrupto, desonesto, mal intencionado.
    Acusar a população como forma de justificar a corrupção material é sofisma, falácia, haja vista que não se pode afirmar se a falha de caráter ou alguém imoral seria corrupto ou ladrão!

    Pode ser um exibicionista, mentiroso, criminoso, um mau pai ou mãe, egoísta, mau filho, dependente químico, traficante de drogas e/ou armas, um mau profissional.
    Mas essa pessoa não rouba dinheiro do povo, não rouba do erário público, não desvirtua as verbas locadas para os setores nacionais e as embolsa, toma para si ou para seu grupo.

    Essa é a diferença da corrupção moral para a material, que o articulista teima em qualificar a corrupção teórica, suposta, e nos acusando de corruptos, mesmo que sequer passemos perto de Brasília ou dos poderes judiciário, legislativo e executivo!
    Ou, da mesma forma, um empregador, que desconta do salário de seus funcionários os impostos que lhes cabem, e não os transfere para o Fisco.

    Não entendo essa corrupção moral, sinceramente.
    Se eu não posso aferi-la; se eu não tenho provas para definir uma pessoa como corrupta; se ele não prejudicou a sociedade como fazem os políticos que se unem a empresários corruptos; governos que roubam do povo para manter o sistema imune às crises; sentenças tendenciosas e parciais; benevolência com criminosos … se nada do que citei pode ser calculado, então a corrupção moral é meramente uma ideia, um pensamento, algo abstrato e não concreto!

    Vidal, meu caro, eu e tu não vimos ninguém ser condenado por corrupção moral!
    De modo que essa corrupção de berço, nas palavras do articulista seja alvo de acusações, julgamentos e condenações, precisa-se do delito, do ato desonesto, da concretização dessa imoralidade em objeto.
    Se alguém mata uma pessoa, sem o corpo e a arma, a sua condenação será quase impossível.

    Como acusar uma pessoa de corrupto moralmente, se nada ela concretizou para justificar a sua qualificação?
    Não traduziu a sua imoralidade em material?
    Não é possível mensurar essa corrupção moral se ela não aconteceu, trata-se de uma abstração, algo subjetivo.

    Agora, o prejuízo à estatal Petrobrás, as propinas, os preços superfaturados, o mensalão, o aparelhamento do Estado, tais atos corruptos não só existiram como foi possível calculá-los mesmo que aparentemente, pois houve a materialidade da corrupção moral.

    Quantos pensamentos impuros já tivemos, Vidal?
    Quanta vontade de matar alguém já nos passou pela mente?
    Quantas vezes imaginamos ter um dinheiro que viesse facilmente para nossos bolsos?
    Entretanto, jamais nos deixamos vencer pela tentação, seja pela falta de oportunidade, seja porque desistiríamos na hora “H” da intenção.
    Somos corruptos moralmente?
    Evidentemente que não.

    Mais a mais, se alguém é corrupto moralmente, pergunto:
    Como sabemos?
    Se nada existe para provar que a sua imoralidade é real, de que maneira poderemos classificar essa pessoa?

    A meu ver, essa generalização sobre o conceito de corrupção moral é retórica.
    Sem a materialidade não existe, sem o dano é irreal.
    Mais ou menos como colocar a carroça na frente dos bois.

    Abração.
    Saúde e paz.
    Te cuida, meu!

    • Claro, prezado Bendl,
      os pensamento divergentes sempre servem para refletirmos. Penso diferente a respeito da corrupção material. Acho que ela é consequência da corrupção moral, tu achas que é causa.

      Talvez até pensemos a mesma coisa quando dizes: “legislação em causa própria, salários autoconcedidos, privilégios, mordomias, regalias, penduricalhos, impunidade, verbas generosas gastas com despesas dos poderes constituídos … tais crimes são reais porque traduzidos em danos e prejuízos, enquanto a corrupção moral seria apenas um pressuposto para o delito, não necessariamente que ele seja praticado.”
      Talvez aí haja uma divergência. Isso citado por ti é o que chamo de corrupção moral, pois travestida de legal, não causa a indignação como a coisa ilegal. É a mesma coisa que os perdões das dívidas, procrastinação de pagamentos, isenções e outras coisas mais (tudo legal, mas imoral), etc.

      No fim e ao cabo, talvez pensemos o mesmo, só que vemos as coisas diferentemente. O legal pode ser imoral e é a isso que me refiro quando cito corrupção moral.

      Abraço, saúde e vida longa.

      • “O filósofo Immanuel Kant diz que o ser humano terá de agir corretamente ‘por dever’, não meramente ‘conforme o dever’. Isso quer dizer que a ação verdadeiramente moral é aquela que é motivada pelo dever e não a que tem a mera aparência de dever.”

        • Vidal,

          Devemos mesmo concordar com a essência, apesar de a apresentarmos em embalagens diferentes.

          Sobre o alemão Kant, um dos gênios da filosofia, ficou conhecido por ter formulado o que ele denominou ser uma “revolução copernicana na Filosofia”.

          Grande leitor do racionalista Gotfried Wilhelm Leibniz e do empirista inglês David Hume, Kant tratou de juntar elementos das duas correntes que mais movimentaram a Filosofia europeia moderna em uma teoria criticista, sem cair em qualquer tipo de relativismo.

          O idealismo transcendental kantiano construiu uma complexa teia de conceitos para explicar que nem o empirismo estava certo e nem o racionalismo explicava plenamente o conhecimento humano.

          Para Kant, o conhecimento é obtido com base na percepção do que ele chamou de “coisa em si”, que é o objeto.

          Esse processo dá-se pelo que o pensador denominou intuição, e é a racionalidade, por meio das faculdades mentais, que proporciona ao ser humano o conhecimento, pois a nossa mente é capaz de relacionar conceitos puros aos dados da percepção.

          Para Kant, há a coisa em si e o conceito transcendental, sendo a nossa relação com esses dois elementos estritamente pessoal e psicológica, mas o fato de haver um conceito universal, que serve de parâmetro, impede que a teoria kantiana seja relativista.

          No campo moral, Kant formulou uma teoria chamada Metafísica dos costumes, baseada no imperativo categórico, que tenta desfazer qualquer relativismo moral empregando forças para descobrir as máximas ou leis morais universais.

          Para Kant, existe um dever universal baseado em leis morais e esse dever está submetido ao estrito cumprimento das leis morais em qualquer situação racional.
          O ser humano ou qualquer outro ser racional deve cumprir aquilo que é estabelecido pela lei moral.

          No campo político, Kant escreveu o livro A paz Perpétua, em que ele elabora um tratado de paz e cooperação universal imaginário entre os Estados. Esse tratado, de inspiração iluminista e republicana, visava a garantir a paz entre as nações, o respeito aos Direitos Humanos e à vida.

          A obra kantiana, publicada em 1795, influenciou fortemente a consolidação da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 150 anos depois.

          Kant também escreveu um artigo denominado “O que é esclarecimento?” ou “O que é Iluminismo?”.
          A relação estabelecida entre iluminismo e esclarecimento dá-se na tradução dos termos para alemão (a palavra Aufklärung designa, simultaneamente, esclarecimento e iluminação) na obra de Kant.

          Elaborado em estilo de resposta à pergunta, o texto defende que o ser humano deve sair da “menoridade”, que seria o estado de desconhecimento que impede o desenvolvimento autônomo, e chegar ao conhecimento, que seria a garantia da autonomia e do esclarecimento.

          No campo estético, Kant desenvolveu uma complexa teoria, ligada à sua teoria do conhecimento, denominada estética transcendental. Essa teoria está presente na Crítica da Razão Pura, livro que trata, majoritariamente, de epistemologia, e no livro Crítica da Faculdade do Juízo, que fala especificamente dos juízos estéticos.

          Uma das máximas de Kant:
          “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.”

          Outro abraço, parceiro.

          • Prá completar um pouco mais o meu comentário acima, espia só o que é o tal do Imperativo Categórico:
            é a formulação de uma lei moral, máxima da ação ética em qualquer situação.
            O imperativo kantiano pode ser formulado da seguinte maneira:
            age de tal maneira a tornar a sua ação uma lei universal. Isso significa que a ação deve ser universalmente correta ou estar, em qualquer situação, em correspondência com o dever.

            Há também a máxima: age de tal modo a utilizar a natureza e as pessoas como fim e nunca como meio. Isso significa que há uma obrigação moral de não usar as pessoas como meio para que se consiga algo.

            Os caras eram fenomenais!

            Boa noite, Vidal.

          • “Esclarecimento é a saída do homem da menoridade pela qual é o próprio culpado. Menoridade é a incapacidade de servir-se do próprio entendimento sem direção alheia. O homem é o próprio culpado por esta incapacidade, quando sua causa reside na falta, não de entendimento, mas de resolução e coragem de fazer uso dele sem a direção de outra pessoa. […] Ouse fazer uso de teu próprio entendimento! Eis o lema do Esclarecimento. Inércia e covardia são as causas de que uma tão grande maioria dos homens, mesmo depois de a natureza há muito tê-los libertado de uma direção alheia, de bom grado permaneça toda vida na menoridade, e porque seja tão fácil a outros apresentarem-se como seus tutores. É tão cômodo ser menor.

            Possuo um livro que faz as vezes de meu entendimento; um guru espiritual, que faz às vezes de minha consciência; um médico, que decide por mim a dieta etc.; assim não preciso eu mesmo dispender nenhum esforço. Não preciso necessariamente pensar, se posso apenas pagar; outros se incumbirão por mim desta aborrecida ocupação. Que, junto à grande maioria dos homens (incluindo aí o inteiro belo sexo) o passo rumo à maioridade, já em si custoso, também seja considerado muito perigoso, para isso ocupam-se cada um dos tutores, que de bom grado tomaram para si a direção sobre eles. Após terem emburrecido seu gado doméstico e cuidadosamente impedido que essas dóceis criaturas pudessem dar um único passo fora do andador, mostram-lhes em seguida o perigo que paira sobre elas, caso procurem andar por própria conta e risco. Ora, este perigo nem é tão grande, pois através de algumas quedas finalmente aprenderiam a andar; mas um exemplo assim dá medo e geralmente intimida contra toda nova tentativa. É, portanto, difícil para cada homem isoladamente livrar-se da menoridade que nele se tornou quase uma natureza. Até afeiçoou-se a ela e por ora permanece realmente incapaz de servir-se de seu próprio entendimento, pois nunca se deixou que ensaiasse fazê-lo.”

  9. Bendl e Vidal, ainda não consegui ler tudo e desejo deixar mais claro o que digo quando me refiro ao povo.
    Povo é uma expressão utilizada para definir “uma porção de gente”! Quando tem muitas pessoas em um lugar, costuma-se dizer “aquele “povaréu”. A expressão povo utiliza em comentário, deve ser entendida como parcela significativa dos habitantes, jamais o todo! Crianças e adolescentes fazem parte do povo. Não dá para se escrever, a todo momento, a população (algo diferente) em percentuais! O texto viraria uma planilha de dados. Agora, quando se tem entre muitos, dificuldades de identificar alguém correto, é claro que a maioria absoluta dos eleitores votam errado, não sabem escolher os melhores!
    Atenção: a moral e/ou a falta dela é por atos praticados. Os “pensados e não realizados” não contam: só causam efeitos e prejuizos/ganhos em seu dono!
    Agradeço os comentários e, acima de tudo, as opiniões que servem para alargar o nosso conhecimento. Quanto mais conhecemos e entendemos, mais próximos estamos da VERDADE e das soluções.
    Abraço fraterno.
    Fallavena

    • “POVO: é o nome, concebido como um conjunto de indivíduos que, num dado momento histórico, constitui uma nação. … Na linguagem vulgar, a palavra “povo” pode referir-se à população de uma cidade ou região, a uma *comunidade ou a uma família; também é utilizada para designar uma povoação, geralmente pequena”……
      -Grafo meu: POVO como Substantivo Partitivo, ou como figura de inclusão, Sinédoque ( o todo pela parte e vice-versa); muito confundida com Metonímia.
      *Parte, porção, parcela….Exemplo: O povo carioca é constituído de várias comunidades!

  10. O povo sem educação de qualidade não tem como discernir quem presta ou não. É enganado pelas mentiras e corrupção dos políticos e vota para quem distribui a maior cesta básica. Portanto não é culpa do povo. Vamos parar de procurar bode expiatório.

    • Írio OLing
      Com o máximo respeito, educação não tem nada com voto. Seja a educação familiar ou a escolarização, o voto depende de conhecimento, análise. Pessoas semi-alfabetizadas, muitas vezes tem raciocínio da vida. E mais: nunca tivemos tantos meios de informação como nas últimas décadas!
      Por fim, é preciso ter responsabilidade com o ato de votar. Se não sabe o que é política e desconhece como é o candidato escolhido, não vote! Um voto errado anula um voto certo.
      Por fim, quem vota é o eleitor; a escolha é dele; se for enganado, aprenda. O que não dá mais para aguentar e colocar a culpa no divino!
      Abraço.
      Fallavena

  11. Prezado Írio,

    Pensamos igual nesta questão.

    Podemos ter uma parte de culpa neste caos político instalado no Brasil há décadas, porém recai sobre as autoridades constituídas a parcela maior de responsabilidade sobre a corrupção reinante.

    Abraço.

  12. Amigos, antecipadamente agradeço os comentários e as contribuições. Eu e um grupo estamos trabalhando em algumas “propostas malucas” buscando o aperfeiçoamento do processo de eleições. Se humanidade avançou tanto, em tantas áreas, quem sabe descobrimentos outras regras para o indispensável ato de votar e eleger que nos servirá!
    O desafio está posto. Muitos são os problemas, mas, o ato de votar é um dos mais simples.
    Os fundamentos do voto e as responsabilidades deste ato são intransferível! Não saber votar, vender o voto, votar errado, votar certo, são circunstanciais!
    O que tento demonstrar é que, por incapacidade de conhecimentos, má fé, manipulação ou enganação, nada muda a responsabilidade do autor pelo ato praticado.
    Votar não é escolher algo para si, apenas. Quando muitos optam pelas mesmas escolhas, certas ou erradas, elas impactarão em todos! Cada um tem um voto.
    A maioria elege os seus escolhidos. A minoria fica nas mãos da maioria. Quando a maioria erra, todos sofrem. Quando acerta, todos ganham. Assim é a democracia. Quanto mais qualificado o eleitor e maior número de eleitores qualificados, mais qualifica é a administração e a representação: melhor é a democracia. Não tem milagre! Isto é a lógica. Quem se deixa enganar, vende o voto ou pouca importância dá a ele,
    Em todos os casos, o eleitor é o que comanda, é o que escolhe. Portanto, é o responsável direto pela democracia e pelos resultados.
    Respeito a opinião de todos. Mas se o eleitor não é responsável pelo seu voto, quem o é?
    Se não for, adeus democracia.
    Fallavena

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