Ao fortalecer Janot, Michel Temer bloqueou a última saída dos acusados

Ao prestigiar Rodrigo  Janot, Temer deu uma lição de política

Pedro do Coutto

Ao afirmar não ver motivos para a saída do Procurador Geral da República – reportagem de Carla Araújo e Júlia Lindner, edição de quinta-feira, O Estado de S.Paulo – o presidente Michel Temer fortaleceu a posição de Rodrigo Janot e, por reflexo, bloqueou praticamente a última saída dos acusados pela Operação Lava-Jato de se livrarem dos processos e das prováveis condenações. A Folha de São Paulo, em matéria não assinada, reproduziu as declarações presidenciais. Inicialmente foram dadas numa entrevista à Rádio Jovem Pan e daí ganharam as páginas dos jornais, porque haviam sido apresentados no Senado surpreendentes pedidos de impeachment contra Rodrigo Janot.

Michel Temer marcou pontos no episódio, ao colocar-se ao lado, tanto faz se de forma espontânea ou forçada pelas circunstâncias, do temporal da legalidade desencadeado pelo Ministério Público, pela Justiça Federal do Paraná, jurisdição de Sérgio Moro, e também pelo Supremo Tribunal Federal.

DILMA NÃO VOLTA – Os pontos a que me refiro são os que tornam cada vez mais improvável o retorno de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. Hipótese tornada ainda mais distante com a prisão do ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, que foi ministro na administração Lula e se manteve no primeiro mandato da presidente reeleita.

Foi mais uma forte ducha contra o PT no curso da Lava Jato. Na medida em que atingiu, não apenas um ex-ministro, mas também marido da senadora Gleisi Hoffmann, que, vale lembrar, foi chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff.

Em matéria de insucessos, a quinta-feira foi marcante para os quadros do Partido dos Trabalhadores. Não deixa perspectiva de recuperação. Os ventos sopraram em favor de Temer, mesmo levando-se em conta a demissão de três ministros em seis semanas.

PT NÃO REAGE – Apesar de tal sequência política altamente negativa, não surgem sinais positivos do lado oposto. Pelo contrário. E é importante considerar, no meio das ondas visíveis pela opinião pública, que nem com o desastre chamado Eduardo Cunha, ponto de partida do impeachment e, portanto, da ascensão de Temer, nem mesmo assim a aceitação popular de Dilma Rousseff apresenta sinais de melhora. Encontra-se na faixa na qual sempre esteve desde o início de seu segundo mandato. O impasse permanece.

Tanto Dilma quanto Temer são impopulares. Mas o que fazer? Convocar novas eleições diretas este ano? Seria a melhor solução. Mas tal desfecho depende do Tribunal Superior Eleitoral, numa primeira etapa, e sua confirmação pela Corte Suprema, numa decisão definitiva e irrecorrível.

ANTECIPAR ELEIÇÕES? – Não funciona convocar-se novo pleito em 2017. Nesta perspectiva, pela Constituição, as eleições deverão ser indiretas, pois terá sido ultrapassado o prazo de metade do período presidencial iniciado em janeiro de 2015. Poder-se-á argumentar com a hipótese de uma reforma da Carta Magna. Improvável.

Os partidos que estão no poder com Michel Temer vão se opor forte, pois tal solução colide frontalmente com os interesses partidários. Somente uma grande mobilização popular poderia atingir esse objetivo. Mas quem a organizaria?

O PT? Não. Ele sonha com uma candidatura, a meu ver improvável, de Lula em 2018. O PSDB? Não. O sonho neste caso chama-se Geraldo Alckmin, já que Aécio Neves foi tragado pela poeira do tempo. José Serra? Não. Ele carrega a rejeição do eleitorado brasileiro à atual administração. Difícil escolher. Parece não haver saída. Pelo menos hoje. Mas na política, como em “…E o Vento Levou”, o amanhã será um outro dia.

5 thoughts on “Ao fortalecer Janot, Michel Temer bloqueou a última saída dos acusados

  1. Como diria o Chaves, do seriado, vocês não contavam com a astúcia da DEMOCRACIA DIRETA JÁ, que veio por intercessão de Deus e que, por isso, vai tratorar todos você$ corruptos. Não faz sentido nenhum Temer na presidência, enquanto representante da banda podre do governo PTMDB-agregados, senão para assinar a rendição à Democracia Direta Já. Só pelo fato de ser um carreirista bem-sucedido na plutocracia, Temer já é em si mesmo uma estrepitosa confissão de culpa.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, no Artigo acima nos mostra que o habilidoso Presidente Interino TEMER (75) PMDB, ao fortalecer o Procurador Geral da República Dr. RODRIGO JANOT (58), ameaçado de Impeachment se o Presidente do Senado RENAN CALHEIROS (60) PMDB acolher um dos +- 8 Pedidos pendentes, BLOQUEOU a última saída dos Acusados.
    Também que é “muitíssimo provável” que a Presidenta DILMA ( 68) PT, não volte ( seja condenada pelo Senado no processo de Impeachment em Ago/20126), que o PT não reage, e que as Eleições Presidenciais não serão antecipadas.

    É muito difícil prever o futuro antes que ele aconteça, mas ouso dizer que desde 2013 quando começaram os grandes Protestos do POVO exigindo um Governo que desse principalmente na Saúde/Educação/Segurança um “PADRÃO FIFA”, de lá para cá vimos numa turbulência Política, Ética, Econômica que nos levou a maior Recessão/Desemprego desde a Depressão dos anos 30´, Impeachment da Presidenta DILMA, etc.
    Isso não poderá durar eternamente. É muito provável que após a condenação da Presidenta DILMA em Agosto, se votem e se APROVEM grandes Reformas Econômicas, e em seguida uma REFORMA POLÍTICA para melhor, com o fim da re-Eleição p/ Cargos Executivos que terão Mandados de 5 anos como antigamente, rigorosa Cláusula de Barreira, Regulação de Doações de Campanha de Pessoas Jurídicas e Físicas, Recall de maus Eleitos, Regulação da Profissão de Lobbysta, Possibilidade de Candidatos Independentes, Concessão de +- 80 Votos extras para o Partido ganhador não depender tanto de Base Aliada, etc,etc.

    Acredito também que a próxima Eleição Presidencial Out/2018 será vencida por um Candidato não Político Profissional de tempo integral, mas por Independentes tipo Dr. JOAQUIM BARBOSA (61), Dr. SÉRGIO MORO (44), um Empresário, ou se tudo correr bem com o Governo TEMER, um Técnico-Político como o ministro da Fazenda HENRIQUE MEIRELLES (70) PSD.

  3. Eu escrevi aqui dizendo que o pedido de prisão de Renan, Jucá, Sarney e Cunha favorecia a Temer. Sem esqucer que Temer é amigo de Janot. “Nesse emaranhado político é preciso ter olhos de lince para ver as grandes jogadas dos que jogam o jogo bruto que vemos, impossibilitados de fazer alguma coisa”.

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