Ao governo Dilma cabe tomar providências

Carlos Chagas

Conforme relatório encomendado pela Tax Justice Network, dos Estados Unidos, 520 bilhões de dólares foram enviados do Brasil para diversos paraísos fiscais, onde não se paga impostos. Não há indicação da origem desses fabulosos recursos, presumindo-se que a maioria se refira a dinheiro ilegal, fruto da sonegação de impostos, de operações criminosas, recebimento de propinas, superfaturamento, desvio de recursos de obras públicas e sucedâneos.

A informação caiu feito uma bomba, segunda-feira, confirmando o Brasil como um dos países mais corruptos de planeta, ressaltando-se que essas práticas foram desenvolvidas por brasileiros e por empresas nacionais e estrangeiras aqui sediadas.

Não se colocará a responsabilidade de tamanha lambança nos ombros do atual governo, pois essas remessas acontecem desde 1970, mas é ao atual governo que cabe tomar providências para o repatriamento de mais de um trilhão de reais. Ou, ao menos, para identificar os autores e os beneficiários dessa ladroagem, se possível aplicando a lei sobre eles.

Apesar de sua viagem, ontem, para a Inglaterra, espera-se que a presidente Dilma tenha dado antes o tradicional grito de “Mantega, venha já aqui!”. A pergunta em Brasília era sobre o que pode fazer o ministro da Fazenda, tendo em vista os meandros e a forma sinuosa que esse dinheiro deve ter seguido para afinal abrigar-se nos paraísos fiscais. Está provado que não adianta ser bonzinho, ou seja, prometer que quem trouxer seus dólares de volta não será punido e ainda poderá auferir 8% de juros anuais. Lá fora, o lucro é muitas vezes maior, sem falar quando o dinheiro vem e vai como capital-motel, chegando de tarde, passando a noite e indo embora de manhã, depois de estuprar um pouco mais nossa economia.

Enfim, depois que Dilma retornar da inauguração dos Jogos Olímpicos de Londres, vai querer respostas de sua equipe econômica. A primeira, certamente, será de que não sabiam de nada. A segunda, talvez, de que nada há que fazer, dado vivermos um sistema capitalista. Mesmo assim, alguma coisa precisará ser feita para nos livrarmos da acusação de país mais corrupto do mundo…

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VALÉRIO CORRE PERIGO

Por falar em corrupção, quem anda dando bandeira é o Marcos Valério. Não parece de graça que a mídia divulgou articulações recentes do publicitário, ansioso para ser defendido pelo PT das acusações do mensalão ou, como represália, jogar barro no ventilador. Tentaria atingir o próprio ex-presidente Lula se a blindagem não surtisse efeito até a próxima semana, quando o Supremo Tribunal Federal inicia o mais rumoroso julgamento das últimas décadas. Há quem suponha que o homem corre perigo, não apenas de parar na cadeia. Trata-se de um arquivo vivo. Se começar a falar, abala as estruturas da República, ainda que, como Carlinhos Cachoeira, tenha seus interesses maiores no silêncio, até como forma de sobrevivência.

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ESPERANÇAS EXAGERADAS

Definidos os cenários para a disputa pelas prefeituras das capitais, quer dizer, todos os candidatos já se encontram registrados, seria bom que alguns deles perdessem a esperança de virar o jogo a partir do dia 21 de agosto, quando começa o período de propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão. É claro que a alta exposição dos pretendentes influirá na decisão do eleitorado, mas jamais em condições de atropelar a natureza das coisas. A regra parece ser de que quem está nas profundezas não chega ao paraíso, senão como exceção. Até porque, a cada eleição que se verifica o eleitorado consegue aprimorar-se um pouquinho mais. E uma das formas desse aprimoramento recomenda desligar as telinhas, quando o horário eleitoral entra no ar…

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LEMBRAI-VOS DE POTSDAN

Logo depois da rendição da Alemanha nazista os três grandes reuniram-se em Potsdan, perto de Berlim, para acabar de definir o novo mapa da Europa. Joseph Stalin, Harry Truman e Winston Churchill buscavam acertar o mínimo de seus interesses, quando o primeiro-ministro inglês pediu para ausentar-se por uns dias. Havia eleições em seu país, que ele disputava sem preocupar-se muito com os resultados. Imaginava ser o Partido Conservador novamente reeleito. E ele também. Afinal, sua resistência salvara a nação e o mundo.

O diabo é que Churchill não voltou. Perdeu a eleição em seu próprio distrito, fazendo o Partido Trabalhista considerável maioria. Em seu lugar chegou Clement Atlee, para concluir os entendimentos com russos e americanos.

A história se conta a propósito das eleições de outubro. Tem gente certa da vitória, mas pode surpreender-se, como o velho Winston. Que por sinal, anos depois, voltou ao poder…

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