Ao indicar Fachin ao STF, Dilma exibe menosprezo ao Congresso

Ficou na dúvida, escolheu o pior e agora não sabe o que acontecerá

Carlos Newton

Quando surgiram as primeiras informações na internet sobre a indicação do professor Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal, ficou difícil de acreditar. Pareciam especulações, que podem ser desmentidas ou não. Diante do silêncio do Planalto, logo ficou patente que a notícia era verdadeira, embora só viesse a ser confirmada muitas horas depois, o que demonstrou que a presidente Dilma Rousseff ainda estava na dúvida e demorou até se decidir.

Ao escolher Fachin, ficou claro que a chefe do governo não estava apenas em busca de um jurista de notório saber e reputação ilibada. O que ela verdadeiramente pretendia era peitar o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que há duas semanas havia alertado que os senadores não aprovariam um nome com “DNA do PT”.

Esta declaração de Renan foi indevida e importuna, não há dúvida, mas refletia o pensamento dos senadores. Esperava-se que a presidente da República, que precisa desesperadamente recuperar parte do prestígio perdido, desta vez indicasse para o Supremo um jurista de notório saber, reputação ilibada e isento, sem vinculação com qualquer partido político.

Mas Dilma bateu pé, fez beicinho e encaminhou ao Senado justamente o nome de um advogado muito ligado ao PT, que já chegou a ponto de pedir votos para o partido. Portanto, não tem a menor isenção, jamais poderia ser ministro do Supremo. Se fosse um simples juiz, jamais poderia participar de um julgamento que envolvesse o partido ou seus membros, pois teria de se considerar suspeito. E se Dias Toffoli não tem essa grandeza, como esperar que Fachin a tenha?

REPUTAÇÃO ILIBADA?

Não se trata de questionar seu notório saber, mas sim a neutralidade e a imparcialidade que se deveria exigir de um ministro do Supremo. Portanto, cabe uma reflexão sobre o que seja reputação ilibada. Afinal, que conceito é este? Fachin teria mesmo reputação ilibada? Para sabê-lo, certamente será necessário averiguar e analisar os contratos de seu escritório de advocacia, para saber quem eram seus clientes, com objetivo de apurar se prestava ou não serviços ao governo federal.

Chama a atenção o fato de ter participado de última campanha política, dando nítida impressão de compromissos político-partidários, inclusive quando atacou governos de FHC e defendeu os governos Lula, pedindo votos para Dilma. Terá este jurista a reputação necessária para manter a imparcialidade em seus votos? Sabemos que já houve indicação de advogado do PT, no caso, Dias Toffoli, mas agora estamos falando de um militante partidário.

APOIO DE RENAN?

Os jornais divulgaram que a presidente Dilma teria consultado o senador Renan Calheiros, que concordara e até se prontificara a defender o nome de Fachin. Será que Renan realmente mudou de opinião? Ou simplesmente deu força a mais erro político da presidente, para que ela seja novamente humilhada no Congresso?

Com apoio ou sem apoio de Renan, a perspectiva é de que Fachin deverá ter problemas na sabatina do Senado. Não é a primeira vez que um nome indicado pelo governo enfrenta resistências no plenário. O presidente Jânio Quadros, por exemplo, indicou o empresário pernambucano José Ermírio de Moraes para embaixador, mas o Senado recusou. Moraes ficou furioso, entrou na política e também se elegeu senador. Muitos anos depois, no leito de morte, fez os dois filhos (José e Antonio Ermírio) prometerem jamais entrar na política.

Agora, Dilma Rousseff se arrisca a repetir Jânio Quadros e ser derrotada no Senado. Ela hoje reina, mas não governa. E parece ter se tornado uma espécie de Rei Midas ao contrário, pois tudo o que Dilma faz acaba dando errado. Vai ficar na História como encarnação da célebre Viúva Porcina, criada por Dias Gomes, “aquela que foi sem nunca ter sido”.

24 thoughts on “Ao indicar Fachin ao STF, Dilma exibe menosprezo ao Congresso

  1. Hummmm …. Por esta lógica, Joaquim Barbosa não deveria ter ido para o STF. Observe-se que até a oposição local não faz restrições à indicação. Patrulhamento ferrenho, hein ? More balance, please.

  2. NA VERDADE É UMA TENTATIVA DA ANTA PRESIDANTA DE TENTAR SE FORTALECER, PASSANDO POR CIMA DO SENADO!
    SUA AMBIÇÃO E APEGO AO CARGO NÃO TEM LIMITE, SE CONSEGUIR VAI PROCURAR SE IMPOR CADA VEZ MAIS, JÁ PASSOU POR CIMA ATÉ MESMO DO SEU CRIADOR O NOTÓRIO 9 DEDOS! VAI QUERER DESTROÇAR SEUS INIMIGOS TEMER, CALHEIROS E CUNHA!
    VAI QUERER FICAR NO CARGO DE PRESIDENTE INDEFINIDAMENTE, ATRAVÉS DE NOVAS REELEIÇÕES FRAUDADAS CLARO, TAL QUAL SEU COLEGA MADURO DA SOFRIDA VENEZUELA! E PARA ISSO É IMPORTANTE APARELHAR O SUPREMO CADA VEZ MAIS!
    É COMO DIGO, ESSA MULHER SÓ SAI DO PALÁCIO DO PLANALTO DE UMA DE 2 MANEIRAS:
    – DENTRO DO CAIXÃO DE PÉS JUNTOS OU AMARRADA NUMA CAMISA DE FORÇA!

    • Caro Willy! Não vamos dar fôlego para Lula, desvinculando Dilma dele. Os dois estão juntos, mas como as coisas apertaram, querem ocupar as duas posições: situação (ela) e oposição (Elle).

      Se der certo na situação (dificílimo), o bebum, sem a menor vergonha na cara, volta para a situação. Se der errado, continua onde está, indicando que ela foi desobediente às suas ordens.

      Fiquemos espertos! Dilma é a continuidade de Lula, na verdade, Dilma é o seu chaverinho!!!

  3. Por sua lógica CN, Gilmar Mendes não devia estar no STF, fez o mesmo em relação aquele
    que o indicou, FHC.,
    Não me lembro de nenhum chororo na época.
    “Es um jornalista imparcial.”
    Cuidado com o figado.

  4. Peter,

    Você não entendeu nadica de mada. Se indicam um dos meus, ótimo, sensacional.
    Se indicam um dos teus, é um absurdo, va de reto satanas. Atribuem-lhe todos os pecados
    do mundo.

  5. Não sei se na epoca do Gilmar Mendes existia Tribuna da internet ,Peter Museu e Luis Museu, não sou defensor do PSDB antes que vcs pensem em “meus” e “teus “, e alem disso, Joaquim Barbosa não era ligado a nenhum partido ( favor pensar antes de falar ). Boa sorte a vcs dois defenderem o indefensavel.

  6. Carlos Newton, por favor, estou corrigindo o nome do pretendente :

    Dinaca (palavra composta por aglutinação), entenda que não se trata de defesa de outrem (não, não é expressão mineira, ok ?) mas de intolerância. A menos que fosse Béja, qualquer outro seria apedrejado.

    Quando Jorge Mario Bergoglio foi escolhido papa, Helio Fernandes caiu de pau em cima dele, alegando ser uma pessoa sem sal (?!?) , sem graça, sem carisma e – além de tudo – ARGENTINO, a ponto de um leitor lhe perguntar por que ele não pediu para participar do conclave para indicar e votar em outro candidato. Mais tarde, HF rendeu-se ao carisma de Francisco.

    Da mesma forma que Joaquim Barbosa foi ao STF através de Lula e fez seu trabalho, por que não esperar pelo comportamento deste Fachin, caso seja aprovado pelo Senado ? Recorde-se que JB assumiu que votou em Lula e em Dilma.

    Alguma dúvida Sr João Dinaca ? Prefere graficamente ?

  7. Museu é quem vive no passado. Sim Joaquim Barbosa votou na Dilma e no Lula, mas não era ligado a nenhum partido, como o Sr Edson Fachin é ligado ao PT. Sim, prefiro graficamente.

  8. Valeu, pensei que era Diniz+ Panaca, faria mais sentido para quem tem raciocinio logico. Infelizmente eu preciso da Dilma para viver, enquanto ela ainda for a Presidente do Pais onde moro e vivo ,as escolhas que ela faz podem influenciar na minha vida.

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