“Ao invés de destruir a Lava Jato, Bolsonaro deveria honrar as promessas de campanha”, diz Moro

Sergio Moro rompe com Bolsonaro e deixa o governo após tentativa de  interferência na PF | HuffPost Brasil

Moro dá uma aula de política e defesa dos interesses nacionais

Ana Dubeux, Ana Maria Campos e Carlos Alexandre
Correio Braziliense

Sergio Moro não se surpreende com os ataques à Lava-Jato. Considera uma reação esperada o sistema político se voltar contra operações de enfrentamento à corrupção, a fim de restabelecer a lei da impunidade. Ele cita como exemplo a Operação Mãos Limpas, na Itália, defendida e depois golpeada pelo governo de Silvio Berlusconi, político populista que caiu em descrédito após ser associado a ilícitos.

Moro considera Lava-Jato a maior operação anticorrupção efetuada no país, e por essa única razão, deveria ser mantida. Representa um marco no Brasil porque mostrou que é possível modificar a realidade política nacional.

AVANÇO E RECUOS – Moro já vê avanços éticos no setor privado, mas não observa a mesma transformação no meio político. Nesse sentido, afirma que o governo Jair Bolsonaro abandonou a agenda anticorrupção, deixando de lado questões importantes como a prisão de um condenado em segunda instância.

Dedicado ao ensino de direito em Brasília e em Curitiba, Sergio Moro se mantém reticente sobre projetos políticos. “Estou focado em 2020”, diz, atarefado em recompor a vida profissional após a passagem por Brasília e o abandono da magistratura. Mas o ex-ministro e ex-juiz não se furta a tomar posições contundentes, com recados a diversos atores na capital da República.

“Não existe lavajatismo”, esclarece, e sim servidores que prezam o “respeito à lei e ao contribuinte”.

A Lava-Jato chegou ao fim?
A Lava-Jato foi a maior operação contra a corrupção na história no Brasil e, infelizmente, tem sofrido reveses neste momento. A continuidade e as condições de trabalho das forças-tarefas do Ministério Público estão ameaçadas. Reverter esse quadro depende muito da Procuradoria-Geral da República.

Com a saída do procurador Deltan Dallagnol da coordenação da Operação Lava-Jato em Curitiba, o trabalho será prejudicado?
O procurador Deltan Dallagnol fez um excelente trabalho na Operação Lava-Jato. É um brasileiro que merece respeito e reconhecimento por sua dedicação e comprometimento com a causa pública. O procurador Alessandro Oliveira, que deve substituí-lo, é um profissional sério. Espera-se que dê continuidade ao trabalho.

Dallagnol alegou um assunto de família, com a questão do tratamento da filha. Acredita que, em outras circunstâncias, seria possível para ele continuar na Lava-Jato?
A questão familiar deve ter sido central. Mas acredito que as dificuldades de trabalho da força-tarefa e os vários procedimentos injustos abertos contra ele no CNMP tornaram sua permanência cada vez mais penosa.

Está se repetindo no Brasil o que aconteceu com a Operação Mãos Limpas, na Itália?
Estamos vivendo um processo semelhante. O sistema está reagindo com o intuito de dificultar a investigação e a punição dos crimes de corrupção e para tentar que tudo volte a ser como antes, tendo a impunidade como regra. Mas acredito que a Lava-Jato mostrou aos brasileiros que as coisas podem ser diferentes, a depender da pressão social. O setor privado brasileiro, aliás, já mudou bastante.

Não é uma ironia que a Lava-Jato seja bombardeada justamente no governo de um político eleito com a bandeira do combate à corrupção?
É bem peculiar, mas não é incomum. Na Itália, o governo de Silvio Berlusconi foi eleito com essa bandeira e agiu contra a Operação Mãos Limpas. Berlusconi é, hoje, um dos políticos com a imagem mais associada a irregularidades. Aqui o atual governo também foi eleito com a bandeira de defesa da Lava-Jato e do combate a alianças com políticos envolvidos em irregularidades, mas tudo indica que tenha sido apenas uma promessa de campanha.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que é hora de “corrigir rumos” para que o “lavajatismo não perdure”. O que achou dessa declaração?
Não existe “lavajatismo”. O que existe são servidores públicos que respeitam o salário pago com dinheiro público e tiveram o cuidado de fazer bem seu trabalho, levando os responsáveis por graves crimes de corrupção a serem punidos de acordo com o devido processo legal. O nome disso é “respeito à lei e ao contribuinte”.

Como avalia a investigação da PF até o momento sobre suas denúncias acerca da interferência de Bolsonaro na corporação?
Não cabe a mim avaliar o trabalho da PF. O Judiciário vai se manifestar sobre isso. Cabe lembrar que essa apuração foi aberta a pedido do Procurador-Geral da República e não por mim.

A decisão do STF de suspender a produção do dossiê antifascista, sem a punição dos responsáveis pela investigação ilegal, foi correta?
É preocupante que o Ministério da Justiça esteja associado à produção de um levantamento com parâmetros que soaram político-ideológicos. Mas não tenho detalhes e não acompanhei o caso a fundo para tecer comentário a respeito.

Foi um erro fazer parte do governo Bolsonaro?
Minha participação no governo trouxe resultados efetivos e concretos para a sociedade, como uma integração efetiva entre as diferentes forças de segurança. Essa mudança resultou em um combate sem precedentes contra o crime organizado e na diminuição da criminalidade em 2019. Políticas de minha gestão, como o controle rigoroso das fronteiras pelo programa Vigia e o fortalecimento do Banco Nacional de Perfis Genéticos, continuam a render frutos depois de minha saída.

Arrepende-se de ter encerrado a carreira de juiz?
Minha escolha foi acertada e os bons resultados que consegui no Ministério, apesar das dificuldades, reforçam isso. Nem tudo saiu como planejado, mas a vida é assim. É preciso persistência. Tomei aquela decisão com o objetivo de contribuir ainda mais para combater a corrupção, o crime organizado e a criminalidade violenta. Essa causa ainda é minha.

Sua vida profissional mudou totalmente depois que decidiu largar a magistratura. Tem algum arrependimento?
Não foi a primeira nem a última vez que encontrei obstáculos em minha vida. Servi o Brasil de forma correta e sempre buscando um resultado de excelência. Isso não me causa arrependimento. Pelo contrário, tenho orgulho de ter me dedicado ao Ministério e ao ofício de distribuir justiça.

Bolsonaro foi uma decepção?
Ele deveria honrar as promessas de campanha, seria o correto a ser feito. Para isso, ele deveria, por exemplo, retomar a agenda anticorrupção. Isso demanda não só operações da Polícia Federal, mas também reformas legais que melhorem a estrutura de prevenção e de repressão. É fundamental, por exemplo, retomar o projeto da execução após condenação em segunda instância. Não tenho visto o governo apoiar ou trabalhar por essas medidas.

Quando o senhor realmente percebeu que sua permanência no Ministério da Justiça e Segurança Pública seria insustentável e a relação com o presidente estava ruim?
Foi um processo progressivo ao longo de 2019 e 2020, até que chegou a um ponto insustentável.

Os filhos do presidente Bolsonaro fazem críticas públicas a seu trabalho. Eles atrapalham o governo?
Não conheço essas críticas, mas é muito possível que sejam passionais. Críticas são sempre possíveis e, quando construtivas, são bem-vindas. Da minha parte não fiz e não pretendo fazer críticas pessoais ao presidente ou aos seus filhos.

Mandetta e o senhor são alvos constantes de críticas diretas do presidente. Ele mudou ou vocês não enxergavam quem é Bolsonaro?
O debate público tem se deteriorado de forma grave e acelerada. Ao invés de se discutirem ideias ou políticas, não raramente se parte para críticas pessoais. Não entro nesse jogo de ofensas. Quanto ao ministro Mandetta, penso que ele fez um grande trabalho, sobretudo porque teve que agir sob condições adversas, com o próprio governo adotando uma postura negacionista em relação à pandemia.

Acredita que a PF trabalhou bem no inquérito sobre a facada no presidente Jair Bolsonaro? Houve muita pressão para a conclusão do inquérito?
A PF fez um trabalho técnico, com autonomia e independência. No primeiro semestre de 2019, o delegado responsável pelo caso fez, inclusive, uma apresentação para o presidente de toda a investigação e das conclusões acerca do atentado e do possível envolvimento de terceiros. A investigação foi exaustiva e não apontou provas de que haveria cúmplices. O fato de eu ter saído do Ministério da Justiça e Segurança Pública nada mudou quanto a essas conclusões até o momento. Também não vi o novo ministro que assumiu já há algum tempo discordar das conclusões da PF.

Com a licença médica do ministro Celso de Mello, decisões da Segunda Turma do STF têm beneficiado o réu em razão do empate na votação dos ministros. Foi o que aconteceu na sua sentença sobre o caso Banestado. Como avalia essa situação?
Apesar da anulação da decisão por empate, nada houve de irregular na sentença. Apenas determinei antes da sentença a juntada de alguns documentos, como a lei expressamente autoriza no artigo 234 do Código de Processo Penal. Esse trecho do Código diz que “se o juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa, providenciará, independentemente de requerimento de qualquer das partes, para sua juntada aos autos, se possível”. Eu havia também tomado o depoimento de um colaborador na fase de investigação, isso a pedido da defesa dele mesmo e do Ministério Público Federal, já que havia dúvidas, na época, sobre a validade de diligências probatórias feitas diretamente pelo MPF. Isso tudo foi por volta de 2005, bem antes da Lei 12.850, de 2012, que mudou o procedimento da colaboração premiada.

Acredita que o presidente Bolsonaro vai nomear um substituto para o ministro Celso de Mello no STF com uma visão crítica à Lava-Jato?
Se o presidente quiser ser coerente com o discurso de campanha, deveria indicar um substituto com viés favorável à Lava Jato e linha-dura contra o crime.

O que pensa da tese do ministro Fachin, que propõe a adoção do princípio in dubio pro reu somente para casos de habeas corpus?
Concordo totalmente com o ministro Fachin. Nesses casos, penso que seria preciso esperar ter o quórum completo para terminar o julgamento.

Ex-integrantes da magistratura devem passar por quarentena antes de se lançar na política, como defende o ministro Toffoli?
Sim. Todo juiz deve passar por essa quarentena. Inclusive, isso já acontece, já existe a quarentena para magistrados que querem ser candidatos ou até para os que queiram se tornar advogados. A lei fixa que, por seis meses após a saída do cargo público, o juiz não pode concorrer a qualquer eleição. Não há razão para ampliar esse prazo e equiparar os juízes a criminosos condenados, por exemplo, por improbidade e corrupção, que ficam inelegíveis por diversos anos.

“Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, disse o presidente Bolsonaro. Qual o limite entre a liberdade do cidadão e o direito coletivo à saúde?
Esse assunto foi debatido à exaustão nas primeiras décadas do século 20 e também depois disso. Hoje, a lei já estabelece que o governo pode obrigar. Mas é desejável que o governo faça uma ampla campanha de conscientização para demonstrar a necessidade da vacina aos cidadãos. Isso é fundamental para preservar sua própria saúde, como para não se tornar um transmissor da doença para terceiros.

O Brasil está em segundo lugar no ranking do número de mortes por covid. O que estamos fazendo de errado?
Essa é uma pergunta mais apropriada para médicos e infectologistas. Como leigo, vejo que falta coordenação das políticas necessárias por parte do governo federal, com muita disparidade de mensagens transmitidas à população quanto a medicamentos e medidas sanitárias.

Como será seu trabalho como professor no Uniceub? Qual a sua expectativa?
Já sou professor também na Unicuritiba. O contato com os alunos sempre é gratificante, é um aprendizado de mão dupla, então a expectativa é muito boa. Fico feliz em voltar às salas de aula, mesmo que virtualmente.

Seu nome aparece bem colocado nas pesquisas para a Presidência da República. Pensa em concorrer?
Estou focado em 2020, principalmente no meu reposicionamento profissional. Fui servidor público, com muito orgulho, por mais de duas décadas, preciso agora continuar trabalhando para sustentar minha família. Essa suposta candidatura é mera especulação.

O Brasil vai continuar dividido entre Lula e Bolsonaro, ou vai aparecer um novo nome para as próximas eleições?
Pessoalmente, penso que a polarização política excessiva fomenta ódio e raiva e não ajuda o debate concreto de programas e políticas públicas, mais importante do que slogans, marketing ou ofensas. Acredito que devem aparecer outros nomes fora dos extremos. Espero que apareçam nomes melhores do que esses.

Como está a reação nas ruas ao senhor?
Muito tranquila. Sou bem tratado pelas pessoas.

O gabinete do ódio dentro e fora das cercanias do Palácio do Planalto trabalha para desconstruir a sua imagem?
Tenho conhecimento de muitas fake news distribuídas a meu respeito, o que é lamentável. Não posso afirmar de onde vêm. Eu, particularmente, só trabalho com a verdade e penso ser este o primeiro dever de qualquer pessoa pública. Penso que temos sempre que fazer o que é certo.

Hoje o senhor atrai o ódio dos discípulos de Lula e de Bolsonaro. O que sobrou?
O mundo não se resume a esses dois grupos. O Brasil é grande, diversificado e conta com muitas pessoas qualificadas nas mais diferentes ocupações e campos ideológicos.

O governador Wilson Witzel está pagando por se tornar inimigo da família Bolsonaro?
Não conheço detalhes do caso concreto. A maioria da Corte Especial do STJ manteve o afastamento do governador do Rio de Janeiro, e acredito que a decisão tenha tido base nas provas apresentadas.

O Rio tem solução?
O Rio foi a capital do país. É destino de turistas de todo o mundo que vêm visitar o Brasil. A cidade tem uma história rica e um povo aguerrido, trabalhador. Políticas públicas consistentes podem reduzir a violência e melhorar a urbanização e condições de bem-estar da população, que merece um serviço público de melhor qualidade. Mas os eleitores têm que fazer sua parte e escolher bem seus representantes, baseando-se no histórico de vida deles e nos programas.

Qual a sua expectativa sobre a gestão do ministro Fux, que toma posse na próxima semana na presidência do STF?
Tenho uma grande admiração pelo ministro Luiz Fux, que fez carreira na magistratura. Acredito que ele fará uma gestão técnica, equilibrada e discreta, e buscará afastar o Tribunal das questões políticas.

O Congresso está às voltas com a discussão sobre a reforma administrativa, e parece que não vai priorizar a discussão sobre temas defendidos pelo senhor, como a prisão em segunda instância. Como vê esse movimento?
Acredito que deixar essa pauta de lado vai trazer um prejuízo para a população, principalmente a mais vulnerável, já que é ela a maior vítima dos crimes praticados por pessoas poderosas politicamente e economicamente. Para citar um exemplo que tem acontecido durante a pandemia, vejamos o caso das suspeitas de desvios na compra de respiradores. Vão permanecer impunes sem a execução da condenação em segunda instância.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sensacional a entrevista de Moro, enviada à TI pelo jornalista e advogado José Carlos Werneck, sempre atento à evolução do quadro político. Em tradução simultânea, a entrevista mostra que Moro não vai abandonar a política. Muito pelo contrário. (C.N.)

24 thoughts on ““Ao invés de destruir a Lava Jato, Bolsonaro deveria honrar as promessas de campanha”, diz Moro

  1. O rolo compressor da PGR contra governadores no STJ
    Os chefes dos executivos estaduais podem se preparar
    Por Robson Bonin
    4 set 2020, 17h49 – Publicado em 5 set 2020, 10h35

    Depois de Wilson Witzel, a Procuradoria-Geral da República (PGR) prepara pelo menos mais três bombas para fazer a fila de governadores andar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) — instância responsável pelo julgamento dos chefes dos executivos estaduais.

    https://veja.abril.com.br/blog/radar/o-rolo-compressor-da-pgr-contra-governadores-no-stj/amp/

  2. ““Ao invés de destruir a Lava Jato, Bolsonaro deveria honrar as promessas de campanha”, diz Moro”

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    • Renato, você sabe que sou defensor consciente e vigoroso do Dr Moro, mas num ponto sou obrigado a concordar com sua gargalhada ” O Mito honrar promessas de campanha?” É muita ingenuidade!

  3. Sr. Newton,
    A Máfia Tucanostra não sai das páginas policiais.
    Depois da Mansão no Guarujá agora aparece um Hotel em Ubatuba.
    Como se dizia antigamente.! esse bandido lavou a égua,…….de tanto roubar….
    Interessante como os familiares dos bandidos sempre estão metidos nos roubos..
    eh!eh!eh

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/09/nova-denuncia-contra-paulo-preto-aponta-suspeita-de-divorcio-forjado-e-hotel-com-hospedes-fantasmas.shtml

    • Há tempo não “ouvia” esse ditado. Na minha região era: “Fulano lavou a burra!” Deu-se bem! Muito aplicado, quando um pescador pegava bastante peixe! No período em que esse dito estava em voga, as burras viviam asseadas; com essa onde de lavagem de dinheiro, o lobo-guará será o próximo animal a gozar dessa assepsia!
      Mesmo assim, ainda há gringos que acusam os brasileiros de não cuidarem de sua fauna!

      • Sr. Paulo, hoje em dia esses velhos ditados estão em fase de extinção.

        Mas bem que o dito bandido em questão podia “dar com os burros n’água” .

        • Por aqui, “Dar com os burros n’água”, era quando a esposa chifrava o marido.
          Creio que a minha mãe foi leal. Pois o meu pai me contou: a única vez que a minha genitora montou um burro, para atravessar um igarapé cheio, o animal sequer se molhou; ele voou sem tocar n’água, seu apelido era pégaso!

  4. Mesmo para os críticos contundentes de Moro é inegável que foi o primeiro magistrado que se dedicou a combater a corrupção no Brasil.

    Como não estávamos acostumados a ver a impunidade ser questionada, a Lava Jato proporcionou um fato inédito ao povo, mormente nos poderes constituídos, envolvidos nos escândalos descobertos pela operação:
    O ex-juiz federal apresentou uma população dividida entre os que queriam o fim da corrupção, e aqueles que entendem que a sua função não foi isenta e imparcial, então injustiças foram praticadas!

    Por mais que as provas existissem;
    inquéritos inúmeros que apuraram os crimes;
    investigações rigorosas;
    julgamentos amplos à defesa e à acusação;
    sentenças de Moro não só corroboradas em instâncias superiores, como as suas condenações;
    reações condenáveis por parte de ministros do STF, na defesa da impunidade;
    combate violento e criminoso advindo do congresso nacional contra a operação;
    uma campanha sórdida de difamação contra Moro …
    Mesmo assim, o corajoso magistrado recebe da parte dos envolvidos, evidentemente, partidários e sectários dessas agremiações, e uma parcela da população porque inculta e incauta, o repúdio à sua atuação em nome da honestidade, da probidade, da seriedade, atitudes antes nunca levadas a efeito pelo poder Judiciário naquelas circunstâncias!

    Dito isso, Moro jamais será o presidente que uma boa parte do país aceitaria.
    Moro não faz parte de esquemas;
    Moro não negocia com a corrupção;
    Moro é uma pessoa íntegra;
    Moro não tem uma acusação que seja de ter recebido propina;
    Moro jamais sentenciou alguém com base na política;
    Moro jamais aceitou influências nos seus julgamentos.

    Uma pessoa com essas qualidades não seria útil ao Brasil e seus cidadãos, pois alteraria profundamente o nosso modo de ser e de agir.

    A política tem como característica a UNANIMIDADE do povo como sinônimo de corrupção, incompetência, improbidade, desonestidade, leviandade, acordos espúrios, venalidade, traição ao povo e país.
    Qualquer candidato egresso desse meio traz consigo esses defeitos, assim como Bolsonaro e sua prole.
    Se não advindo do congresso, temos candidatos comprometidos com suas ideologias e partidos, porém jamais obrigações com o desenvolvimento nacional e progresso coletivo e individual.
    Moro, certamente, mudaria esse sistema também.

    Portanto, caso o ex-juiz manter a sua intenção de se afastar da política, a nossa saga continuará cada vez pior; o carma do brasileiro chegará ao clímax da insuportabilidade na próxima gestão, e seja ela exercida por quem for.

    Ou mudamos radicalmente de escolha dos candidatos neste aspecto, evitando reeleger quem quer que seja, além de excluir os conhecidos corruptos tradicionais ou, então, lamento afirmar, mas estaremos contribuindo decisivamente para a nossa desintegração como Estado, País, Nação e Pátria!

    Uma taba indígena – ignorantes, primitivos, presos ao passado da sobrevivência humana – tem mais organização, moral, ética e respeito, que a nossa sociedade tem consigo mesma e com suas instituições, enquanto nossos poderes constituídos são nossos inimigos declarados, pois cada vez mais nos matam de várias formas, nos roubam, exploram e manipulam!

    Quem gostar e apreciar esse modo como estamos sendo comandados há tempos, sinta-se à vontade!

  5. Caro Bendl;
    Moro é um homem equilibrado,honesto e corajoso.
    Será que ele seria um bom gestor no executivo ( Presidente) ?
    Temo que ele repita um caso recente acontecido em Curitiba.
    O ex Prefeito Gustavo Fruit, Advogado, super correto, ficou com uma lupa na mão para não fazer nada ilegal ou errado. Ou seja, ficou parado.
    Perdeu a sua reeleição. Não conseguiu ir nem para o Segundo Turno.
    ” As Normas, assim coma as mulheres, só dão frutos se forem violadas”

    • Sr Victor, boa a lembrança do caso de Gustavo Fruet, uma boa base para sua teoria, teoria que infelizmente chega muito perto de ser fato, mas não podemos adotá-la e ficar elegendo candidatos com folha corrida sob o argumento de não errar em eleger um político profissional, capaz de tudo.

    • Meu prezado Victor Marins,

      Eu teria uma tradição em meu favor sobre a administração de Moro:
      nenhum político experiente ou gestor que tenha sido antes de ocupar o Planalto conseguiu levar este país adiante.

      Por outro lado, tivemos Lula e Dilma, que também nunca haviam pertencido ao executivo e Temer, outro que jamais soube o que foi sequer uma prefeitura.

      Mesmo os experientes como Sarney, Collor, FHC, suas administrações foram deploráveis, afora mescladas com corrupção e incompetências absolutas.

      O caso de Fruet foi a falta de base política, a meu ver.
      Sem que quisesse colocar o partido em problemas, o PDT, pois havia a sua agremiação apoiando o PT, o ex-deputado federal e excelente parlamentar, sério, honesto, se viu de mãos amarradas!

      Mas, em compensação, se nada fez nada roubou, o que hoje em dia significa muito para este país permanentemente roubado, explorado e manipulado, meu amigo.

      Voltando à vaca fria, Moro pode – se for candidato e vencer – incorrer em sérios problemas, que seria justamente a falta de apoio político.
      Afinal das contas, o ex-juiz é o inimigo nº1 dos parlamentares, da classe política, logo, se ocupar o Planalto, em seguida será encontrado um meio de impedi-lo de governar.

      Ele está certo, portanto, em não concorrer para o parlamento, sequer a senadoria.

      Abração, parceiro.
      Saúde e paz.
      Te cuida, meu!

  6. Em Tempo: Vou-me recolher para repousar um pouco, estou cansado de participar da carreata em defesa da Lavajato e parece que a bile já está começando a pingar lá de cima. Foi gratificante verificar que não são muitos, mas ainda tinha cidadãos decentes em Brasília contra a corrupção.

  7. Meu aplauso, Moreno, à tua cidadania, ao teu exercício de civismo, à busca pelo correto para esta nação, a meu ver, perdida e sem solução.

    Forte abraço.
    Bom descanso.
    Te cuida, meu!

  8. Excelente artigo! O instituto da delação premiada deve ser utilizado apenas quando não há outros meios de obter as informações que podem ser fornecidas pelo agente.

    Se existir outra maneira de conseguir aprofundar as investigações sem o emprego do referido instrumento, esse modo deve ser utilizado para que nenhum acusado obtenha o benefício sem que realmente seja necessário.

    Entretanto, uma sentença condenatória não pode ser conferida pelo juiz apenas com base na declaração do colaborador, pois uma incriminação feita por terceiros não pode servir como única prova para incriminar outra pessoa, uma vez que não é capaz de ser tratada como fato concreto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *