Ao menos sete secretários do governo Witzel são alvos de investigações da Lava Jato no Rio

Inquérito enfraquece o governo e arrasta membros do alto escalão

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Paulo Roberto Netto, Fausto Macedo, Rafael Moraes Moura e Caio Sartori
Estadão

A Operação Tris in Idem, deflagrada nesta sexta-feira,dia  28, revelou uma série de suspeitas do Ministério Público Federal (MPF) sobre a gestão Wilson Witzel (PSC). Além do próprio governador do Rio, que já é alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa por denúncias de irregularidades em contratações emergenciais na pandemia, seu vice, Cláudio Castro (PSC), e pelo menos cinco secretários em exercício ou exonerados são investigados pela Procuradoria.

O inquérito enfraquece o governo, que já vem isolado politicamente, e arrasta membros do alto escalão para o centro da apuração criminal. Além de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde que fechou acordo de delação premiada com as autoridades, de seu ‘número dois’ na pasta, Gabriell Neves, preso em maio por denúncias de improbidade, suspeitas sobre o envolvimento de outras secretarias em diferentes frentes de irregularidades constam na representação de 403 páginas assinada pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo.

INTERLOCUÇÃO – Segundo o documento, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, preso na operação desta sexta, atuaria como interlocutor entre o governo e Mário Peixoto para alinhar detalhes do suposto esquema de direcionamento de licitações em favor de organizações sociais controladas pelo empresário.

Classificado como ‘pessoa de confiança’ de Witzel e de Peixoto, ele é suspeito de participar da operacionalização do plano para ocultar, através de seu próprio escritório e do escritório da primeira-dama, Helena Witzel, o recebimento de propinas pagas pelo empresário. Também supostamente ligados a Mário Peixoto, os secretários de Educação, Pedro Fernandes, e de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues, teriam sido indicados pelo executivo.

Rodrigues ainda teria recebido propinas de um segundo empresário, José Carlos de Melo, para garantir contratos a empresas ‘agenciadas’ por ele. Alvos de buscas na operação, os secretários de Governo, Cleiton Rodrigues, e da Casa Civil, André Moura (PSC), são suspeitos de encabeçarem suposto esquema de loteamento de cargos para apadrinhados de deputados estaduais.

TOMA LÁ DÁ CÁ – Em delação, Edmar Santos afirmou que cerca de 1.800 vagas de porteiros, auxiliares de limpeza, seguranças e funções de nível técnico foram oferecidas a deputados em troca de apoio politico. O MPF também indicou foi apurado que parlamentares podem ter se beneficiado de desvios de dinheiro público relacionados a sobras dos duodécimos do Legislativo.

O secretário de Cidades, Juarez Fialho, que também é tesoureiro do PSC, é citado na representação do Ministério Público Federal como sócio de um suposto operador financeiro do Pastor Everaldo, apontado como coordenador de um dos grupos beneficiados sistematicamente por contratações irregularidades do governo. A Procuradoria também chamou atenção para o participação de Fialho em ‘empresas interligadas’ e como titular de uma offshore na Suíça.

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COM A PALAVRA, O GOVERNADOR WILSON WITZEL

Em nota, o governador afirmou: “A defesa do governador Wilson Witzel recebe com grande surpresa a decisão, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade. Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis”.

Em pronunciamento o governador afastado se disse ‘indignado’ e ‘vítima de perseguição política’.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS ERIC TROTTE E BRUNO ALVERNAZ, QUE REPRESENTAM O SECRETÁRIO LEONARDO RODRIGUES

Acerca dos fatos relacionados à Operação “Tris in Idem” noticiados pela imprensa, o Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Rodrigues, vem através dos seus advogados, informar que ainda não teve acesso aos autos do inquérito. Ressalta, no entanto, que não praticou qualquer crime e que as afirmações do delator Edmar Santos não passam de meras ilações desprovidas de relação com a realidade fática.

Ademais, em que pese a empresa da qual o secretário é sócio tenha sido alvo de busca e apreensão, nada foi apreendido na sua sede, o que demonstra a inexistência de qualquer ato ilícito relacionado à empresa e ao Secretário.

COM A PALAVRA, O SECRETÁRIO JUAREZ FIALHO

Juarez Fialho esteve na iniciativa privada até novembro de 2018. Ao ser convidado para trabalhar no Governo do Estado, se desligou de toda e qualquer atividade privada para se dedicar exclusivamente ao serviço público. Sendo assim, não possui qualquer vínculo com as empresas citadas.

COM A PALAVRA, OS DEMAIS SECRETÁRIOS DE WITZEL

A reportagem busca contato com os secretários citados na representação do Ministério Público Federal. O espaço está aberto para manifestações (rayssa.motta@estadao.com).

COM A PALAVRA, O PASTOR EVERALDO

O Pastor Everaldo informa que, no dia 19 de agosto, encaminhou petição ao STJ solicitando para ser ouvido. Na manhã desta sexta-feira, foi surpreendido com sua prisão e com a busca e apreensão realizadas em seus endereços.

Após ser preso, o Pastor Everaldo pediu para ser ouvido ainda hoje. O depoimento, no entanto, só deve acontecer na próxima segunda-feira, dia 31. O Pastor Everaldo reitera sua confiança na Justiça.

16 thoughts on “Ao menos sete secretários do governo Witzel são alvos de investigações da Lava Jato no Rio

  1. SEPTIMA IN IDEM

    Moreira Franco – recorre em liberdade
    Anthony Garotinho – recorre em liberdade
    Rosinha Matheus – recorre em liberdade
    Sérgio Cabral – preso desde novembro de 2016
    Luiz Fernando Pezão – recorre em liberdade
    Wilson Witzel – afastado por 6 meses por corrupção e ainda solto
    Cláudio Castro – em processo de investigação por corrupção

    Usque quo, qui de Urbs Fluminensis, vos mos suffragium in fures?

    • Exatamente, Ednei ! Mais ou menos assim: “Tu conheces nossas sujeiras, nós conhecemos as tuas; todavia conseguiremos que alguém te puna, mas só para saciar a torcida”.

  2. De serem legítimas, as investigações propostas, poderiamos deduzir que uma quadrilha de malfeitores se organizou em volta de uma candidatura com o único objetivo de assaltar os cofres públicos.
    Agora, se pelo contrário, forem falsos ou inexistentes os motivos, será a mais suja e agressiva manobra política de todos os tempos.

  3. Ednei, concordo contigo. Mas você esqueceu a Benedita da Silva, que já está com seus bens indisponíveis por decisão da Justiça.

    Ela também pertence a casta privilegiada …

    • Celso, se Benedita também está envolvida em corrupção, que seja processada, e se houver prova de culpabilidade, que seja presa.

      Pessoalmente, eu acho Benedita da Silva uma oportunista, uma espécie de versão feminina do cacique Juruna. Eu jamais votaria nela para nada.

      Uma vez, casualmente, encontrei-me com ela, há anos, e ela me disse que sua pretensão era a de ser governadora do Estado do Rio de Janeiro. Ouvi essa, saí de perto e não comentei nada. Era época do governo Lula.

    • Sr Paulo, admiro muito seus comentários, em quase a totalidade, mas permita-me uma leve discordância quanto a este último.
      Sempre admirei a figura de Truman, pela sua simplicidade, equilíbrio e postura política.
      Truman era vice de Roosewelt, e nunca foi juiz, era fazendeiro e veterano da I Guerra, não foi ele que declarou guerra ao Eixo e muito menos ordenar o covarde ataque terrorista a Pearl Harbor, coube-lhe, isso sim, por força do destino, trás a morte de Delano, por fim à carnificina que dizimava seus compatriotas, infelizmente era guerra, não podia mandar flores.
      Truman nunca se arrependeu de sua decisão bélica, mas remoeu seus resultados o resto da vida.
      Se redimiu parcialmente través do plano Marsall, reerguendo a Europa e pelo apoio maciço ao Japão, inicialmente, sob a direção de MacArthur, que acabou elevando-o a 3ª economia mundial.
      Truman e Moro, são figuras que engrandecem a raça humana.

      • BIOGRAFIAS
        Harry S. Truman
        33º presidente dos EUA, de 1945 a 1953
        8-5-1884, Lamar, Missouri

        26-12-1972, Kansas City, Missouri

        Do Klick Educação

        17/08/2015 20h58

        Truman, juiz de profissão, tornou-se senador do Partido Democrata pelo Missouri, em 1934. Vice-presidente desde 1944, sucedeu a Franklin D. Roosevelt na Presidência do país em 1945. Para forçar o Japão à rendição, no final da Segunda Guerra Mundial, ordenou o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasáqui. Durante a Guerra Fria, tentou se opor à expansão da União Soviética mediante uma política de “contenção”, reafirmando o papel hegemônico que os EUA haviam começado a desempenhar no contexto internacional durante a Segunda Guerra Mundial. A sua “Doutrina Truman”, formulada em 1947, assegurou ajuda financeira e material aos países ameaçados pela União Soviética (especialmente à Grécia e à Turquia), sendo

        https://educacao.uol.com.br/biografias/harry-s-truman.htm

        • Aceito a correção,não sabia que tinha exercido de juiz da corte do condado e não consta que fosse bacharel em direito o que parece que na época não seria óbice para uma vaga eletiva de juiz, como sua ocupação principal de fazendeiro também não era obstáculo. fazendeiro, o que não impedia de ser eleito politicamente para o cargo de juiz da corte de um condado.

  4. Justiça mantém bloqueio dos bens de Benedita por improbidade administrativa na época em que era secretária de Direitos Humanos de Cabral, aquele “beato” que vai ter que reencarnar 6 (seis) vezes para cumprir a totalidade dos anos de prisão a que foi condenado.

    Talvez a petista Benedita da Silva achasse que sob a denominação de “Direitos Humanos” no “governo” de Sérgio Cabral fosse causar danos ao erário público.

    A medida cautelar de bloqueio de bens foi decretada em 2015, quando a profundamente evangélica Benedita também teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça, cujo objetivo é recuperar 32 milhões de reais em supostos danos causados aos cofres do Rio.
    Como origem da festa carnavalesca consta que, na época, a pasta da petista recebeu recursos do Ministério da Justiça e não utilizou corretamente, como exigido em lei, o dinheiro público.

    Agora, Benedita pediu o desbloqueio dos bens e teve seu pedido negado. A Justiça quer que o Ministério Público informe se o destino do dinheiro foi rastreado.

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