Ao receber líderes do protesto Dilma abre diálogo social

Pedro do Coutto
Ao anunciar em seu pronunciamento na noite de sexta-feira que vai receber o líderes das organizações de jovens e de entidades sindicais, além de associações populares, a presidente Dilma Rousseff revelou sua disposição de abrir um diálogo social efetivo no país. Não se pode dizer quais serão os  desmembramentos e se o diálogo produzirá efeitos concretos na vida do país, levando a administração pública à mudança de estilo. Mas pode-se acentuar que a voz das ruas foi o principal fator de uma aproximação que em momento algum se afirmava viável.
O pronunciamento da  presidente da República (melhor matéria sobre o assunto  dos repórteres Luiza Damé, Maria Lima e Paulo Celso Pereira) foi sem dúvida positivo, no tom equilibrado e claro. Dilma Rousseff manteve apoio às manifestações, condenou a violência, condenou a corrupção e defendeu uma reforma política, além do melhor funcionamento dos serviços públicos. Suas palavras representaram uma espécie de3 denominador comum do que pensa a sociedade. Pena que t5al síntese tenha decorrido de momentos de tensão e exaltação, não Poe La via antecipada do governo a quem deve caber as iniciativas do interesse legítimo da população. O governo –  disse Dilma – ouviu as vozes das ruas. Já tinha ouvido antes, aliás, quando de sua vitória nas urnas de 2010.
A onda de insatisfação, tão forte ela se tornou, pode influir em muitas iniciativas e decisões dos Poderes da República. A questão do transporte já está colocada. Mas há os vetos aplicados à Lei dos Portos, a votação do projeto que obstrui a criação de novos partidos, a apreciação dos embargos apresentados pelos condenados do processo do mensalão. O grau de insatisfação foi tão forte que pesquisa do Datafolha realizada na cidade de São Paulo entre os integrantes das  manifestações apontou 30% em favor do ministro Joaquim Barbosa se candidato à presidência da República fosse.
O índice veio de manifestação espontânea, já que ele não é candidato. Significou o apoio a um símbolo que se incorporou à ética nacional. Mesmo entre nos manifestantes, Dilma não se saiu mal. Teria 40% dos votos contra 15 de Marina Silva, 16 de  Aécio Neves e 5% de Eduardo Campos. Quer dizer: apesar do protesto e da insatisfação, a atual presidente manteve a liderança. Não pela margem de 51 pontos, como o mesmo instituto revelou recentemente. Mas é preciso considerar que as centenas de milhares de pessoas que lotaram a Avenida paulista dias se3guidos pertencem mais à crase média do que aos demais segmentos sociais.
A pesquisa, de outro lado, assinala o caráter não partidário ou mesmo político engajado da mobilização. A liderança de Dilma Rousseff apresentou recuo, lembrando-se a ressalva quanto aos segmentos sociais, porém os nomes dos candidatos contrários ao governo nem por isso obtiveram avanços. Os brancos e nulos subiram, da mesma forma o índice dos que rejeitam todos os atuais candidatos ou possíveis candidatos. Mas estas são outras questões.
O essencial está na disposição da presidente da República em receber os líderes das manifestações. Não será tarefa fácil escalá-los já que a mobilização tem caráter nacional e simultâneo. Difícil será os jovens elegerem seus representantes, tantos eles são, espalhados por tantas cidades, ruas e praças do país. Uma perspectiva nova, entretanto, foi aberta. Este aspecto é importante.

 

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8 thoughts on “Ao receber líderes do protesto Dilma abre diálogo social

  1. Lider de quem cara palida. Pronunciamento vazio feito pelo marqueteiro dela. Chega de PT, Lula e Dilma. O povo está cansado se ser enganado.

  2. Essa perspectiva nova, Sr. Pedro, é a de que os reclames da população sobre a administração petista deve ser ouvida, ou a coisa não vai ficar bonita.

    O povo já mostrou que não é bobo e curte a política do pão e circo!

    Melhor observar as questões:

    – Punição aos corruptos;
    – Reforma tributária;
    – Reforma na educação;
    – Reforma na saúde;
    – Reforma política;
    – Repartição mais equânime das receitas tributárias entre a União, Estados e Municípios;
    – Equalização da dívida pública e uma nova forma de gerenciar os recursos que tem de estar voltados para a expansão e melhoria dos serviços públicos básicos.

    É isso aí que a Dilma vai ouvir das ruas, pois o povo não é bobo e já mostrou isso.

  3. Estavam o Zé das Couve e sua mulher Severina, no sertão nordestino, assistindo explicações do Mantega na tv de um barzinho.
    “O taxa Selic, propugnada pelo governo, reduz o spread que prejudica os índices inflacionários existentes, cuja mitigação ocorrerá em conformidade com o comportamento das commodities em geral. O Movimento Occupy Wall Street para nós é uma falácia, um engodo, e estamos atentos aos desdobramentos institucionais que advirão. Fiquem tranquilos, pois a presidenta Dilma apoia tudo isto que estou dizendo”.
    “Estamos salvos!!! Estamos salvos!!! Exclamaram Zé das Couve e Severina, muito felizes.

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