Ao se despedir do ministério, Orlando Silva ainda teve a ousadia de lançar um livro sobre suas realizações. E a “obra” foi paga com recursos públicos, é claro.

Carlos Newton

Era só que faltava. No dia em que o ministro Orlando Silva decidiu deixar o cargo, o Ministério do Esporte encaminhou para gabinetes de deputados um livro com 206 páginas, em sofisticado papel couché, com um balanço da gestão da pasta de 2003 a 2010. E inclui um empolgante texto assinado por Orlando Silva intitulado “O Ministério do Esporte veio para ficar”.

O ex-ministro precisa ser processado para que a Justiça o obrigue a devolver aos cofres públicos os recursos desperdiçados nesta obra, tal como aconteceu há alguns anos com o ex-governador do Estado do Rio, Moreira Franco, que antes de deixar o cargo publicou e distribuiu gratuitamente uma sensacional obra sobre suas realizações de sua administração.

No caso do ex-ministro do Esporte, a sensacional “obra” abrange exatamente o período em que a pasta foi comandada pelo PC do B. E como todos sabem, os dois ministros do partido, Agnelo Queiroz, hoje no PT, e Orlando Silva, estão mais do que envolvidos nas denúncias de corrupção que culminaram com a saída deste último da pasta.

O livro foi editado pela Fields Comunicação e impresso pela Ideal Gráfica e Editora. “Embora ainda nos falte executar alguns planos, o saldo é absolutamente positivo”, escreveu o ministro na publicação, que ninguém sabe quanto custou, se houve licitação pública e tudo o mais. E no livro não há informação sobre a tiragem.

O programa Segundo Tempo, alvo das irregularidades que atingiram o partido e o PC do B, foi destacado em 15 páginas no livro, com a informação de que, a partir de 2008, com Orlando Silva no comando da pasta, aumentaram os controles no acompanhamento do programa. Imaginem se ele não tivesse aumentado os tais “controles”…

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