Ao tentar envolver Lula, Marcos Valério selou condenação pelo STF

Pedro do Coutto

Não poderia ter sido pior e menos lógica a estratégia adotada pelo publicitário Marcos Valério, que operou o escândalo do mensalão em 2005, do que ao tentar envolver e atrair Luis Inácio Lula da Silva para o processo que vai culminar em 2012 com o julgamento dos acusados pelo Supremo Tribunal Federal. Pois se ele, de um lado, nega o esquema de suborno e caixa 2, como pode, de outro, buscar nele incluir o ex-presidente da República? Não faz sentido. Ninguém pode ser incluído em algo que não existiu.

Magnífica reportagem de Felipe Seligman, Folha de São Paulo de sexta-feira 9, iluminou a contradição.A matéria assinala que essa linha (absurda) de defesa foi traçada pelo advogado Marcelo Leonardo, que representa Marcos Valério. Será possível? Parece que sim. Isso porque, na peça, sustenta que não tem procedência colocar-se o réu como a pessoa mais importante do processo deixando-se beneficiários e mandantes em segundo plano. Ora, se Marcelo Leonardo afirma que não possui sentido destacar-se Valério como figura central, colocando-se em segundo plano beneficiários e mandantes, e, ao fechar o raciocínio, propõe a inclusão de Lula, evidentemente está projetando o ex-presidente na galeria dos mandantes e beneficiários. Não há como escapar do pensamento desfocado e da dupla contradição.

Além disso, Marcos Valério isolou-se no palco do julgamento. E atraiu sobre si mesmo, principalmente, a sua indisposição do próprio Lula que não desejou sequer comentar as suas declarações. Mas Valério não foi o único autor da contradição comprometedora. O deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, a ampliou ainda mais, ao dizer à FSP que não houve mensalão. Se não houve mensalão, Vacarezza está atacando o Procurador Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, que formalizou a denúncia, e o Supremo que, aceitou, ao acolher por unanimidade o relatório do ministro Joaquim Barbosa, um documento que vai se incorporar à história do Brasil.

Analisando-se bem as palavras de Vacarezza, não poderia haver agressão mais forte. Como a Corte Suprema aceita uma denúncia a respeito de um fato que não houve? O líder do PT, assim, está classificando tacitamente todos os integrantes do STF na categoria dos despreparados e sem compreensão das coisas. E simultaneamente, se o mensalão não existiu, Vacarezza está implicitamente condenando o ex-presidente Lula de ter cometido grave injustiça ao demitir o ministro José Dirceu. Não só o chefe do Executivo. Também a própria Câmara por ter lhe cassado o mandato parlamentar.

Como se constata, Valério, Leonardo e Cândido Vacarezza derraparam totalmente. A meu ver, asseguraram a condenação, não só do operador, mas de todos os réus.                       

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UM OUTRO ASSUNTO

Termina no próximo dia 30 o prazo de filiação partidária para os candidatos às eleições de outubro de 2012. Acaba também o limite para troca de legendas. Quem não possui mandato, mas está inscrito em um partido, não deve se preocupar em entrar para outro.  Os que detêm mandato correm risco. A lei prevê a cobrança de cadeira, mas a questão não é simples. O economista Filipe Campelo, do diretório carioca do PPS, colocou um tema importante, ao enfocar a transferência do vereador Paulo Pinheiro dessa legenda para o PSOL. Não pode o PPS cobrar mandato, sustentou em reunião da semana passada. Não pode porque houve infringência do programa. Pelo contrário. O PPS apoiou Fernando Gabeira contra Sergio Cabral, fez campanha contra o governador. Depois das urnas, passou a apoiá-lo. Exceção de Paulo Pinheiro. Dessa forma, acrescentou, quem mudou não foi Paulo Pinheiro e sim o partido. Que disse uma coisa do eleitorado e mudou de posicionamento. Não tem portanto autoridade para cobrar uma vaga que, sob o prisma ético, não houve.

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