Aos 96 anos, Helio Fernandes é a História Viva do Brasil nos séculos XX e XXI

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Helio na sede da Tribuna, destruída num atentado a bomba

Genilson Albuquerque Percinotto

História viva, Helio Fernandes, em atividade desde 1933, trabalhando então na revista O Cruzeiro, atravessou como poucos os séculos XX e XXI. Chefe da seção de esportes do Diário Carioca, secretário (atual editor-chefe), diretor da Revista Manchete. Cobriu de maneira memorável a constituinte de 1946, sendo hoje o único jornalista vivo que acompanhou esse importante evento no término do Estado Novo.

Vivenciou amizade contínua e profícua com Carlos Lacerda e foi assessor de imprensa de JK em 1955, durante a sua campanha presidencial, atravessando o país ao seu lado. Testemunha e coautor da história, em ideias, palavras e atitudes, manteve o seu jornalismo de oposição, com consciência firme, enfrentando os desvios e as atrocidades de modo irrestrito, em todos os regimes de poder e desmandos nos quais viveu e aos quais combateu.

Sua personalidade, seu espírito vivo e combativo e seu exemplo se conectam à Tribuna de Imprensa e formam gerações de apaixonados pelo exercício livre e sublime da bela, essencial e transformadora profissão jornalística.

INTERESSES NACIONAIS – Manifestando sua inteligência a serviço dos mais elevados valores em defesa dos interesses genuinamente nacionais, lutando sempre pelo interesse público primário, da população brasileira, da sua dignidade, enfrentou diversas perseguições com notável coragem, mesmo no período que antecedeu o Regime Militar. Encarcerado em julho de 1963, pelo exercício inerente à sua profissão, por ordem do então Ministro da Guerra de João Goulart, com justiça reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sua composição da época.

Seu amor à profissão jornalística e sua fé e esperança nos destinos desta nação e do gênero humano lhe conferiram impressionante coragem para enfrentar a aniquilação política e sucessivas prisões, exílios em regiões remotas, jamais se curvando pela covardia à censura, por maior que fosse o seu poderio deletério a si e ao seu brilhante jornal, também alvo de atentados financeiros e físicos, como o inesquecível atentado à bomba à sede do jornal.

ENFRENTOU OS FACÍNORAS – Sempre lutando para publicar, informar, refletir, expressar, foi e é atingido em seu direito líquido e certo diariamente, incluindo na concretização do seu direito indenizatório incontestável.

Um homem que, por sua grandeza e pelo exercício pleno da profissão jornalística, é ainda hoje perseguido e discriminado e deixa a sua marca entre as gerações, com milhões de amigos e admiradores, que reconhecem e conferem a devida honra a quem decide todos os dias, ao longo desses 96 anos, viver a cada dia com integridade e de forma honrada.

Enfrentou os facínoras no auge do seu poder e da sua força. Defensor inegociável dos interesses do Brasil e da justiça universal nas sempre resistentes manifestações do seu espírito inteiro.

SIGNO DA LIBERDADE – Continuar pensando, analisando, publicando os fatos. Informação e opinião. Sob o signo da liberdade. Em todos os meios. Prosseguindo após todos os mais cruéis atentados e sempre presente, na expressão livre, quer seja impressa ou na internet.

As adversidades somente elevam a força indelével da sua história, extremamente relevante para o Brasil, e inspiram gerações que participam e darão continuidade, com idêntico espírito de integridade e honradez, nessa mesma luta incansável diária.

14 thoughts on “Aos 96 anos, Helio Fernandes é a História Viva do Brasil nos séculos XX e XXI

  1. Parabens, jornalista Helio Fernandes.
    Parabens, jornalista Carlos Newton, por segurar a onda deste espaço e dividi-lo com quem quer que seja pelo simples prazer de participar da vida deste país.

    Saúde e vida longa.

  2. Carlos Newton, você sabe se Helio Fernandes trabalhou com o também grande jornalista Villas Boas Correa? Estou querendo sanar uma dúvida com uma amiga que admira tanto quanto eu, ambos os jornalistas.

    • Infelizmente não vão prender o jararaca 51 pra minha tristeza e desilusão. A verdade é que estão com medo dos MAVs incendiarem o País. Essa é a realidade do Brasil hoje
      =..(

    • Talvez Helio e Villas, tenham trabalhado juntos, no início das carreiras, mas eram muito amigos, como certeza, porque ambos frequentavam o Clube dos Repórteres Políticos, criado por Carlos Chagas na década de 60 e do qual eu era o integrante mais jovem. A gente se reunia na Casa da Suíça, um dos melhores restaurantes do Rio de Janeiro, numa sala reservada. Depois, Carlos Castello Branco, os irmãos Holanda (Tarcísio e Haroldo), Oliveira Bastos e o próprio Carlos Chagas foram morar em Brasília e o nosso Clube deixou de funcionar. Por coincidência, achei ontem no Google uma bela foto de Helio e Villas conversando na ABI, e fiquei com muita saudade da convivência com os dois, que ainda estão conosco, são os heróis da resistência.

      ABs.

      CN

  3. SUBSCREVO TODAS AS PALAVRAS EM HOMENAGEM AO JORNALISTA HÉLIO FERNANDES – HERDEIRO ÚNICO DO BOM E COMPETENTE JORNALISMO DE TEMPOS ATRÁS.
    Noventa e seis (96) anos de existência, escrevendo de memória (brilhante, por sinal), seus artigos representam verdadeiras aulas da profissão que hoje quase não se vê mais. VIDA LONGA, HÉLIO COM SAÚDE.

  4. Helio Fernandes merece todos os elogios. É um forte, um destemido. Nunca se curvou ao arbítrio de nenhum governo. Em plena ditadura chamou o general Castelo Branco de: “O Anjo da Conde Lage”. Sem esquecermos que a rua Conde Lage na Lapa era o lugar onde funciona a “zona de meretrício” das francesas e polacas. Logo a seguir os militares confinaram Hélio na ilha de Fernando de Noronha.

  5. Quando, no início dos anos 1990, recém alfabetizado, redigia minhas primeiras letras sobre os fatos da política diária, busquei inspiração na Tribuna da Imprensa em papel. Excelentes mestres do jornal que hoje tenho a honra de prosseguir em deliciosa leitura, também neste espaço.

    Meu inesquecível pai dizia sobre Hélio Fernandes: é o mesmo que admirava nas décadas de 1960 e 1970. Esse cara é macho.

    Inspiração que atravessa gerações de almas.

  6. Helio Fernandes, simplesmente genial!!! Mestre dos mestres na formação de alguns jornalistas atentos e anônimos; por todo período da universidade até a triste interrupção de seu protagonismo na indispensável Tribuna da Imprensa, era um consumista inveterado e apaixonado de seus artigos – verdadeiras peças da literatura jornalística mundial. Implacável! Inapelável! Incorrigível! Após formado, passei um ano (1981) em Imperatriz/MA, onde suava para adquirir um exemplar do dia. Colecionei por longo tempo cada edição do jornal até minha mulher surtar e me propor recortes do que era fundamental para guardar. Tudo era fundamental nas páginas da Tribuna!!! Permaneço assíduo na trincheira da Tribuna da Internet sorvendo a essência do melhor jornalismo no Brasil. Helio Fernandes é a indicação acertada para se conhecer a vida e história contemporânea da política brasileira. Sou jornalista, líder comunitário, fui sindicalista, presto assessoria política, fui empresário e rodei algumas edições de meus jornais no parque gráfico da Tribuna da Imprensa, no Rio – com muito orgulho fui seu cliente. Enfim, muito obrigado Helio, por tudo!

  7. Tive o prazer e o privilégio de trabalhar na TRIBUNA DA IMPRENSA com Helinho e todos de que hoje tenho saudades da redação e de todos os setores desse grande jornal no qual aprendi muito a Helio Fernandes o meu mais puro respeito e consideração, uma pena o arquivo da tribuna da imprensa com a historia de nosso pais esteja abandonado gostaria muito de ver a tribuna regressar

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