Aos poucos, a presidente Dilma Rousseff vai fazendo a tão chamada reforma ministerial. Mas na verdade está só trocando seis por meia dúzia, como se diz.

Carlos Newton

A demissão do ministro Nelson Jobim era para não ter acontecido. Na semana passada, o ex-presidente Lula, responsável pela nomeação dele no atual governo, deu declarações de que não havia ninguém melhor do Jobim para o Ministério da Defesa, e estávamos conversados.

A bem da verdade, Dilma Rousseff jamais quis manter Jobim na Defesa. Pelo contrário, desde o governo passado que tem horror a ele, mas aceitou a imposição de Lula. Ela já tinha até convidado um ex-dirigente da Escola Superior de Guerra, que recusou a indicação alegando motivos particulares, e Dilma acabou aceitando Jobim, mas a contragosto.

Nelson Jobim tem um currículo de carreirismo explícito e de absoluta falta de caráter, tendo sido o único político em toda a História do Brasil a revelar ter fraudado a atual Constituição, com o único e exclusivo objetivo de beneficiar os bancos e especuladores financeiros nacionais e estrangeiros, tornando obrigatório o pagamento da Dívida Interna. (Ver box abaixo).

Já faz tempo que ele vinha provocando a demissão. Primeiro, causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem aos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com “idiotas”, que “escrevem para o esquecimento”. Ele explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo.

Depois, a situação do ministro praticamente se tornou insustentável nos últimos dias após a declaração de que votou em José Serra nas eleições de 2010. A revelação foi feita no programa “Poder e Política – Entrevista”, apresentado pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília, numa parceria com a UOL. Mas Lula prontamente veio em defesa dele, dizendo que essa revelação não tinha a menor importância e Jobim era o melhor nome possível para o cargo.

Agora, o então ainda ministro extrapolou outra vez, com novas declarações polêmicas e depreciativas para o governo. À revista “Piauí” ele disse que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) é “fraquinha” e que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) “sequer conhece Brasília”.

Portanto, caiu de maduro, exatamente como Antonio Palocci e Alfredo Nascimento. Se dependesse de iniciativa do Planalto, continuaria indefinidamente no cargo. Aliás os pontos em comum entre os três foram a demora na demissão e a extremada defesa do ex-presidente Lula para mantê-los. Que coincidência, hein?

***
COMO JOBIM FRAUDOU A CONSTITUIÇÃO

Luiz Cordioli

Quando se fala no progressivo endividamento do país, é preciso levar em conta que toda esta dívida interna e estes procedimentos de aumentá-la se apoiam nos artigos 165 e 166 da Constituição Federal. Saibam que alguns incisos destes artigos foram colocados lá, SEM VOTAÇÃO ESPECÍFICA nas chamadas subcomissões, ao contrário de todos os demais artigos constitucionais e seus dispositivos.

Ou seja, foram acrescidos por baixo dos panos os artigos que fundamentam os procedimentos de endividamento desde aquela época, até hoje.

O novato deputado do PMDB que quase 20 anos depois revelou espontaneamente ter constatado esta manobra solerte na ocasião e deixou (deixou ?) passar sem votação tais artigos, sem falar nada contra, nem para ninguém, foi o sr. Nelson Jobim, que era sub-relator da Constituinte, eleito pelo PMDB gaúcho.

Logo após esta fraude constitucional, ele foi alçado a líder do PMDB, e ao longo do tempo, com FHC, foi guindado a ministro do Supremo, ministro da Justiça e surpreendentemente era o atual Ministro da Defesa desde o governo Lula. Por fim, lembremos que foi Jobim que em abril do ano passado assinou um “re-acordo” militar com ninguém menos que os nossos amigos Estados Unidos, coisa de que estávamos livres desde 1977.

Está tudo aí, de novo, ajuda militar, ajuda disto, ajuda daquilo etc, etc, etc. Notícias na mídia ? Quase nenhuma… Reação  Nenhuma.

Muito bem, as perguntas finais são:

1) Quem está tentando eliminar os artigos fraudados da Constituição, que fundamentam o atual caos financeiro? Resposta: ninguém.

2) Quem sabe disto tudo acima relatado, valores, fraudes, autores, crimes, quem sabe? Resposta: quase ninguém.

3) Quem se habilita a pôr o guizo no pescoço do gato? Ninguém.

(Comentário publicado no blog da Tribuna em 24 de abril de 2010)

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